Veneno para rato aplicado na orla não tem risco a animais domésticos, diz Prefeitura de Santos

Nova técnica para acabar com ratos gera polêmica na internet; veterinários não descartam envenenamento de pets

Por: Eduardo Brandão  -  03/02/20  -  19:03
Equipes iniciaram na semana passada força-tarefa para eliminar ratos no jardim da orla
Equipes iniciaram na semana passada força-tarefa para eliminar ratos no jardim da orla   Foto: Divulgação

O veneno (cumatetralil) usado na força-tarefa para a desratização no jardim da orla e em praças de Santos tem baixa letalidade para cachorros e gatos. Assim assegura a prefeitura, que destaca a pequena concentração da substância aplicada apenas nas tocas cavadas pelos roedores. Veterinários, contudo, dizem que o produto pode gerar reações em animais domésticos – como vômitos, diarreia e sangramento nas mucosas – e, dependendo do porte, culminar na morte do bichinho. 


Os eventuais riscos da substância para os pets circulam nas redes sociais desde que a administração santista deu início ao novo plano de extermínio de ratos no jardim da orla, na semana passada. A orientação é a de não soltar os cães da coleira ou deixem as crianças desacompanhadas no interior dos jardins da praia enquanto houver a utilização dos produtos de desratização. A prefeitura não informou quanto tempo vai durar a ação.


A técnica consiste em espalhar o princípio ativo (um pó branco) nos pontos de convivência dos roedores. Com isso, o produto ficaria retido nos pelos dos animais, sendo consumido ao ser lambido para a limpeza. A substância provoca a morte do roedor por hemorragia interna, num prazo de dois a três dias. 


É justamente essa a queixa de defensores das causas animais e donos de pets. Em diversos compartilhamentos nas redes sociais, eles temem que o princípio ativo também possa ser ingerido por cachorros e gatos, levando-os à morte. “Qualquer veneno eleva o risco (de óbito), mas depende da quantidade da substância e do porte do cachorro e gato”, explica o veterinário e professor universitário, Eduardo Ribeiro Filetti. 


Segundo a Seção Vigilância e Controle Zoonoses (Sevicoz), as concentrações dos produtos usados na desratização são na proporção de 0,75% por peso, conforme parâmetros permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim, aplica-se uma dosagem de 16,5 miligramas (mg) para cada quilo das espécies de roedores. “Para que um cão de 10 quilos fosse envenenado, seria necessária a ingestão de aproximadamente 22 gramas do pó cumatetralil”, informa, por nota.  


Em caso de intoxicação do animal doméstico, Filetti aconselha levar a um veterinário. Ele explica que os sinais clínicos são de fácil identificação, podendo gerar diarreia, vômito, descoordenação motora e sangramento em mucosas dos bichinhos. O antídoto utilizado é a Vitamina K, disponível nas unidades de saúde. “Houve falhas (do Poder Público) para melhor explicar o uso do veneno e acalmar os donos de animais”, diz o especialista. 


Em nota, a Prefeitura de Santos recorda que o Código de Posturas do Município proíbe pisar nos canteiros e na grama da orla. Por ser um patrimônio tombado, também é vedado realização de piquenique, colocação de cadeiras e ainda prática de esporte no jardim da praia. 


Esclarece que o veneno é aplicado apenas no interior das tocas dos roedores, de modo a proteger os cães, gatos e pessoas que possam ali transitar. Afirma que os roedores costumam se esconder em meio às plantas ornamentais dos jardins. "Essas plantas geralmente são mais altas que o gramado, possuem bordas afiadas ou touceiras em sua base, causando desconforto para crianças e animais que possam ali adentrar", diz o comunicado.


 A prefeitura informa que não registrou nenhum caso de intoxicação acidental de pessoas ou pets que tenham entrado em contato com os produtos utilizados pela Sevicoz. 


Logo A Tribuna