Mais do que a comercialização de vinis, a feira busca reunir pessoas para troca de conhecimento e informações (Bruna Lima) Com mais de dez lojas com uma vasta seleção de discos para garimpar, a Record Store Day é realizada neste sábado (5), no Centro de Santos. “Comemorar essa data com esse evento na cidade é interessante, porque nos conecta a uma rede mundial, com pessoas que fazem essa celebração também”, comenta Marina Paes, de 38 anos, idealizadora do Futrica, espaço dedicado a trabalhos autorais de artistas da Baixada Santista e local onde ocorre o evento. A Record Store Day acontece no número 146 da Rua XV de Novembro. A data, festejada no mundo inteiro, é um dia para celebrar a resistência das lojas de discos independentes. Neste ano, está marcada para o dia 12 de abril, porém, a feira antecipou esse momento. Para Luiz Dias, de 54 anos, DJ e criador da Sala Especial Discos - que busca valorizar a cultura do DJ e discos de vinil -, a importância de ter eventos como esse é colocar em prática a missão de colecionar discos. “Vinil é cultura, independente do estilo musical. Em tempos onde as pessoas apenas ouvem as músicas pelo streaming e não se atentam à ficha técnica da gravação, manter um hábito de colecionar discos e entender melhor seu artista é uma missão”, diz. Quem também participa do evento é o comerciante Paulo Aguiar, de 62 anos, que vende discos desde 2000, em São Paulo. Ele destaca a importância de manter o colecionismo do vinil vivo e atrair cada vez mais novos adeptos. “É algo mágico ouvir música através de um toca-discos. É a sensação de estar conectado ao passado. Isso é algo que não pode ser replicado pelas playlists digitais ou pelos serviços de streaming”, comenta. Segundo os organizadores do evento, o mercado de discos de vinil está aquecido e recuperando o seu valor, com a venda ultrapassando a de CDs. Para os comerciantes, o evento vai além de vender, trata-se também de uma oportunidade para trocar discos e conhecimentos musicais. “Trabalhar com música sempre é gratificante, ela cria pontes incríveis, te conecta com outras pessoas, te surpreende quando você descobre um disco novo, um artista novo. Ver o brilho nos olhos das pessoas quando conseguem encontrar uma cópia que há muito tempo estavam procurando é impagável.”, ressalta Diaz. No catálogo dos vendedores podem ser encontrados discos de todos os estilos, como rock, MPB e funk. Até mesmo discos africanos, jamaicanos e também de outros países da América Latina, para aqueles que buscam sons diferentes. Porém, o gênero mais procurado é o rock, de acordo com os responsáveis pela feira. O pop-rock e a MPB também estão entre os mais buscados. Público presente A idade média dos frequentadores varia bastante, segundo a organização, e vai dos 16 anos até pessoas com mais de 60 anos. Entre eles, também comparecem muitos turistas que estão passeando pelo Centro Histórico de Santos. “Por nossa cidade ter o Porto, recebemos pessoas de outros países, que nem aqui na loja costumam vir, russos, americanos, portugueses, ingleses, então sempre aparecem pessoas de lugares bem distantes mesmo”, diz Aguiar. “O santista é um público muito presente nas feiras aqui da Baixada, sempre procurando por novidades, raridades e bons preços. A maioria dos clientes acaba se tornando nossos amigos”, completa. O interesse da geração Z chama a atenção do comerciante. “Começa a surgir a curiosidade dos jovens em saber como comprávamos os discos nos anos 70, sem muita informação, sem internet, sem revistas do gênero”, reflete. Para Aguiar, isso significa um renascimento cultural, algo que está ganhando força. “O aumento das vendas é atribuído ao interesse crescente dos consumidores, pelo formato analógico e pela qualidade sonora superior oferecida pelos discos de vinil. A geração Z está impulsionando a demanda por vinis, buscando produtos físicos e colecionáveis”, destaca. A feira também representa um resgate da música analógica. “Falar de música analógica é falar sobre uma época em que as pessoas paravam tudo para ouvir um disco, prestar atenção nas letras, entender a história que o artista quer dizer em sua obra. É uma experiência que envolve tempo, como ler um livro. Quando o bichinho do vinil te morde, é quase impossível se curar”, explica Luiz Diaz. REPORTAGEM FEITA COMO PARTE DO PROJETO LABORATÓRIO DE NOTÍCIAS A TRIBUNA - UNISANTOS, SOB SUPERVISÃO DA PROFESSORA LIDIANE DINIZ E DO DIRETOR DE CONTEÚDO DO GRUPO TRIBUNA, ALEXANDRE LOPES