'Vamos seguir contribuindo com a ACS', diz Roberto Santini

Diretor-presidente da Associação Comercial de Santos por dois triênios, entrega o cargo na próxima terça-feira (10), quando será realizada a assembleia que dará posse à nova diretoria.

Roberto Clemente Santini, diretor-presidente da Associação Comercial de Santos por dois triênios, entrega o cargo na próxima terça-feira (10), quando será realizada a assembleia que dará posse à nova diretoria. Nesta entrevista, ele faz um balanço desses seis anos à frente da centenária entidade, destaca as conquistas, os desafios de dirigir uma das organizações mais emblemáticas de Santos, e agradece à diretoria que o acompanhou nesse trajeto. Agradece também aos associados que confiaram e apoiaram sua gestão, e aos colaboradores da associação.

Depois de seis anos à frente da Associação Comercial de Santos, qual o sentimento?

Nasci, cresci e vivo em Santos. Meu trabalho é aqui, minha família é daqui. Senti que eu poderia me doar um pouco à Cidade, às causas públicas e às instituições que compõem a nossa história. Quando fui convidado para me candidatar, me questionei: por que dividir o trabalho com uma instituição da Cidade? A resposta veio agora, com o tempo e a vivência que adquiri na Associação Comercial de Santos. O sentimento é que, além da ACS, nós, diretoria, demos nossa contribuição a Santos, São Paulo e o Brasil. Aliás, nós tivemos um grande apoio dos associados e da sociedade em geral.

 

Qual a dimensão de ser presidente da Associação Comercial de Santos?

A responsabilidade é grande. Trata-se de uma instituição que, em dezembro, completará 150 anos; que tem uma credibilidade nacional e internacional, que é reconhecida por todas as instâncias de governo e que tem uma neutralidade política que a credencia a empreender por qualquer tipo de causa. Por tudo isso, ser presidente da ACS é preciso sempre muita cautela e bom senso, preservando os valores construídos ao longo de um século e meio.

 

Como presidir uma instituição que se caracteriza pela neutralidade política, reunindo mais de 260 grandes empresas, dos mais variados setores?

Esse é um dos principais desafios. A ação institucional na ACS tem que levar sempre em conta o interesse coletivo. A ACS tem canal aberto com todos os principais órgãos públicos, privados e entidades de classes, em todas esferas. Isso vem também de sua representatividade: nós integramos cerca de 20 conselhos, Museu do Café, Condepasa, CAP, apenas para citar alguns. No ano passado, fomos selecionados para integrar o Conselho de Facilitação do Comércio Exterior (Colfac), uma área de grande importância e temos contribuído muito para desburocratizar o setor. E ainda tem o Conselho de Administração da Santos Port Authority. A existência das 21 câmaras setoriais abrange os vários segmentos econômicos da Cidade. Vale destacar, ainda, a importância do jovem na ACS. A ACS Jovem é um setor que reúne mais de 30 membros, até 35 anos, com atuação dinâmica. 

 

A ACS sempre se destacou por sua ação institucional, uma delas foi envolvendo a Petrobras.

Sem dúvida. Trouxemos o então presidente Pedro Parente, que foi precedida de uma visita ao Rio de Janeiro, no contexto dos investimentos na região e da possibilidade de implantação de uma base offshore em Santos. Nosso objetivo foi tentar recolocar Santos no foco direto da Petrobras. Há alguns anos, em razão do pré-sal, criou-se uma grande expectativa na região. Vários setores, como hoteleiro e empresarial, investiram muito em Santos. Com a visita e palestra do presidente Pedro Parente, nós visamos principalmente fomentar negócios, gerar empregos e riqueza para toda a área metropolitana. Além disso, nos períodos eleitorais, nós tivemos a preocupação de convidar, individualmente, todos os candidatos para exporem suas propostas ao nosso quadro associativo, contribuindo para o processo político do País.

 

Em termos de ação interna, o que o senhor destaca?

Em primeiro lugar a continuidade da eficiência na prestação de serviços. A emissão de certificados de origem, Aladi/Mercosul e OIC (Organização Internacional do Café), documento fundamental para qualquer operação de comércio exterior, é uma referência nacional e mundial. Em outubro de 2019, registramos um recorde histórico em termos de emissão: 8.958, entre Aladi e OIC. Ao longo desses seis anos, investimos muito em tecnologia. O sistema de certificação digital é o maior exemplo, nós estamos em perfeita sintonia com o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Indústria, Comercio Exterior e Serviços (MDIC) com os países do Mercosul. Os recentes acordos bilaterais com Argentina e Uruguai têm a integração total da ACS. 

 

E os novos serviços?

Vale destacar duas iniciativas: a transformação da Associação Comercial de Santos em uma AR (Agência de registro na área de certificação digital) e a criação da Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial, numa parceria com a Câmara Brasileira de Arbitragem Empresarial (CBMAE). A Câmara de Arbitragem é um meio, com força de lei, pelo qual eventuais conflitos podem ser resolvidos sem a participação do Poder Judiciário. 

 

E a obra de modernização do prédio da ACS?

Esse talvez tenha sido o maior desafio da nossa gestão. Por vários aspectos: trata-se de um imóvel com nível de proteção NP-2 e com quase 100 anos de existência. Impunha-se a modernização, até como incentivo para atrair novos investimentos para chamado centro histórico. Com a aprovação pela Assembleia Geral de associados, elaboramos um moderno projeto visando segurança, acessibilidade, fluidez, melhor atendimento ao associado e ao público. Ampliamos a capacidade do nosso auditório, de 85 para 150 lugares, implantamos um dos mais modernos sistemas de áudio e vídeo e instalamos um novo elevador, como também executamos a troca dos sistemas de elétrica e hidráulica. Tudo dentro do orçamento aprovado. A inauguração foi uma festa para a Cidade, a maior prova disso é que, no dia seguinte, um sábado, recebemos dezenas de visitantes, um recorde histórico.

 

E a sala de classificação e degustação de café?

Era uma obra muito necessária para o setor cafeeiro. Sob a supervisão da coordenadoria da Câmara Setorial de Exportadores, também realizamos dentro do orçamento previsto, conciliando o moderno com a linha arquitetônica histórica do prédio, preservando seus itens e estruturas originais. Todo o trabalho teve acompanhamento fotográfico, para preservar a história. A nova sala está modernizada para realizar as tradicionais arbitragens de café, receber nossas quatro turmas anuais do curso de classificação e degustação de café e, futuramente, realizarmos o curso de Q Grader.

 

Qual a importância do Seminário Internacional de Café?

É o evento mais importante do setor no Brasil e no mundo. Na nossa gestão realizamos três. Sob a supervisão dos comitês organizadores, mantivemos a relevância do nosso seminário nos âmbitos nacional e internacional. Na última edição tivemos mais de 400 participantes do Brasil e de mais de 20 países. O próximo, nos dias 13 e 14 de maio, está praticamente pronto. A expectativa é grande em razão da safra recorde prevista para esse ano.

 

O que mais destaca nesse processo de modernização da ACS?

Nós promovemos a atualização do logotipo, deixando-o com linhas mais leves e modernas, sem perder a sua identidade centenária. Nesse contexto, numa parceria com a Fundação Arquivo e Memória de Santos, restauramos e digitalizamos o livro de Ouro da ACS. É, com certeza, um dos documentos mais importantes de Santos. O livro registra as presenças de convidados ilustres, como oito presidentes da República, governadores de Estado, embaixadores de vários países. E o mais importante: três visitas do Imperador D. Pedro II à ACS.

 

Gostaria de deixar uma mensagem final?

Independentemente de cargo, nós, A Tribuna e nossa família vamos continuar contribuindo com a ACS. O Jornal A Tribuna é o segundo associado mais antigo da Associação Comercial. O 1º é o Banco do Brasil. Então, nossa ligação com a ACS é histórica e vai continuar. Desejo sorte e sucesso ao presidente Mauro Sammarco e sua diretoria. E sou grato aos diretores, associados e colaboradores. Sou grato também, e muito, ao diretor-executivo, Marcio Calves, que me acompanhou e me ajudou muito nessa trajetória.

Tudo sobre: