EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

4 de Junho de 2020

UTIs de hospitais privados podem chegar ao colapso em Santos, diz prefeitura

Se isso acontecer, mesmo pacientes com planos de saúde serão atendidos na rede pública

As unidades de terapia intensiva (UTIs) dos hospitais privados de Santos podem entrar em colapso nos próximos dias, caso o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus continue a aumentar na região. Se isso acontecer, mesmo as pessoas que têm planos de saúde precisarão recorrer à rede pública.  

A informação foi destacada nesta quarta-feira (6), pelo secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, durante reunião sobre a plataforma Monitoramento Santos Covid-19 (www.santos.sp.gov.br/saude/dadoscoronavirus), que divulga estatísticas sobre a doença. Ele respondeu ao questionamento da vereadora Telma de Souza (PT), feito por videoconferência, sobre essa possibilidade. 

Nesta quarta, o índice de ocupação de leitos de UTI nos hospitais particulares da cidade era 83,5%, contra 60% das unidades públicas (do município e do Estado). “Muito provavelmente teremos o esgotamento da rede privada. Talvez não em muito tempo e isso nos preocupa. Fatalmente as pessoas da saúde suplementar se farão valer da saúde pública”, ressalta Ferraz. 

O secretário avalia, porém, que com os novos leitos previstos para covid-19, o município terá condições de atender a todos os casos graves de internação. Ele lembra que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central ainda abrirá mais cinco vagas de UTI e o Hospital da Zona Noroeste, mais 13. 

Além disso, Ferraz conta com a abertura do Hospital Vitória, na Vila Belmiro, unidade particular que estava vazia e foi cedida para a prefeitura. No local cabem até 130 leitos, ao menos 17 seriam de UTI. Mas ainda é preciso de dinheiro para equipá-lo. “Temos conversando intensamente com o Estado e o Governo Federal, buscando apoios. O custo é expressivo, de R$ 4 milhões por mês”. 

Dados on-line  

A plataforma Monitoramento Santos Covid-19 disponibilizou novos dados detalhando o perfil dos pacientes infectados e mortos na cidade. Quanto aos óbitos, a maior parte é de idosos entre 80 e 89 anos, 32,8%, e de homens, 63,9%. O maior número de mortes é de moradores da Vila Nova (9) e Aparecida (8). 

Entre os doentes, a maioria tem entre 40 e 49 anos (22,1%), é do sexo feminino (54,7%) e mora no Boqueirão (96 casos). Do total de casos, quase um terço precisou de internação: 31,2%. Os sintomas mais comuns relatos pelos pacientes chegam no pronto-socorro são tosse (23,2%), febre (20,9%) e desconforto respiratório (13%).  

Tudo sobre: