As três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Santos — Central, Zona Leste e Zona Noroeste — funcionam como portas de entrada para os casos de urgência e emergência. Juntas, realizam, em média, quase 40 mil consultas médicas por mês, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. A Reportagem esteve em uma das unidades e ouviu tanto a gestão quanto pacientes sobre o cenário atual. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, a UPA Central e a UPA da Zona Leste registram, cada uma, 12 mil atendimentos mensais. Já a UPA da Zona Noroeste concentra a maior demanda, com 16 mil consultas por mês. “Em maio, a UPA da Zona Noroeste chegou a 20.425 consultas, puxada pelo aumento dos casos de doenças respiratórias”, contou. Unidade da Zona Noroeste registra a maior demanda na Cidade (Alexsander Ferraz/AT) O secretário explicou que a procura oscila ao longo do ano, de acordo com fatores sazonais. Síndromes respiratórias no outono e surtos de dengue nos meses mais quentes aumentam a procura por pronto atendimento, pressionando o tempo de espera. Quem administra as UPAs Atualmente, duas organizações sociais (OSs) são responsáveis pela gestão das unidades. A Insaúde administra a UPA Central e a UPA da Zona Noroeste, enquanto a Pró-Saúde é responsável pela UPA da Zona Leste. O contrato desta última passa por um processo de renovação: um edital lançado em julho foi suspenso por decisão do Tribunal de Contas do Estado, que apontou inconsistências. Lopez garante, no entanto, que “em momento algum haverá desas-sistência”, já que o contrato atual só termina no fim do primeiro trimestre de 2026. UPA Central conta com cerca de 310 profissionais de diversas áreas (Alexsander Ferraz/AT) Profissionais e serviços As três unidades somam 800 profissionais: são 310 na UPA Central, 250 na Zona Leste e 240 na Noroeste. Entre os serviços oferecidos, estão pronto atendimento em clínica geral, ortopedia e, em duas unidades, odontologia. “A UPA estabiliza o paciente e faz o encaminhamento, seja para internação, seja para alta e tratamento ambulatorial”, explicou Lopez. O problema, segundo ele, é que a falta de 1.700 leitos hospitalares na região acaba retendo pacientes por 24, 48 ou até 72 horas nas UPAs, que deveriam funcionar apenas como atendimento imediato à população. Nova unidade? Sobre a possibilidade de construção de uma quarta UPA em Santos, o secretário afirma que não há plano imediato. “Do ponto de vista da população santista, as três unidades dão conta da demanda. O desafio está no atendimento regional, já que muitos moradores de cidades vizinhas e turistas também procuram nossas unidades. Antes de pensar em abrir mais uma, precisamos fortalecer a rede da Baixada Santista como um todo”. O secretário também afirmou que há uma regra estabelecida pela Administração Municipal determinando que todas as pessoas, independentemente de onde moram, sejam atendidas em qualquer unidade. Usuários elogiam a qualidade do serviço Na UPA da Zona Leste, onde a Reportagem esteve, a percepção dos usuários é positiva. José Seriano dos Santos, 75 anos, acompanhava a esposa internada com infecção urinária. “O atendimento aqui está de parabéns. São muito atenciosos, fizeram todos os exames e já estão dando alta”, relatou. De São Vicente, Antônio Carlos de Souza, 71 anos, buscou atendimento ortopédico após uma queda. Ele comparou as diferenças entre os municípios. “Aqui é melhor, tem mais recursos. Lá em São Vicente, você muitas vezes só toma a injeção e vai embora. Já corri para cá outras vezes, inclusive quando tive pneumonia”, contou. Já Amarildo Gonçalves Costa, 61 anos, levou a esposa por causa de pressão alta. Para ele, a avaliação também é positiva. “Sempre que venho aqui sou bem atendido. Já fui em lugares piores. Aqui o pessoal trata a gente com respeito”. Desafios Apesar da boa avaliação dos usuários, a Secretaria reconhece gargalos. O tempo de espera varia conforme o fluxo de pacientes e, muitas vezes, a insatisfação está ligada ao excesso de demanda em horários e dias específicos, como segundas e quintas-feiras à noite. Ainda assim, o secretário de Saúde, Fábio Lopez, destaca que pesquisas de satisfação apresentadas pelas OSs mostram resultados majoritariamente positivos. “Claro que aparecem críticas, principalmente pelo tempo de espera, mas a avaliação geral dos usuários é boa”.