Trólebus 625 é o último exemplar completo da frota original de veículos elétricos santistas. Estava no Interior paulista e será restaurado (Vanessa Rodrigues/ AT) Após quase 30 anos fora de Santos, o trólebus 625 — último exemplar completo da frota elétrica original da Cidade — retornou ao Município e integrará o acervo do futuro Museu Ferroviário. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Fabricado em 1963 pela Alfa Romeo, em parceria com a Fiat e a Marelli, o veículo foi um dos 50 comprados pelo antigo Serviço Municipal de Transportes Coletivos (SMTC) para a instituição do sistema de transporte elétrico sobre pneus. Desativado e leiloado como sucata em 1994, o 625 foi adquirido por Mauro Diegues, herdeiro da família fundadora da Expresso Brasileiro, tradicional empresa de ônibus local da década de 1960, e preservado no estado original em Conchal, no Interior paulista. O trólebus tornou-se símbolo entre preservacionistas e estudiosos. Sua relevância histórica motivou, até, processos de tombamento, que não avançaram, mas abriram caminho para sua salvaguarda. No ano passado, o veículo foi posto à venda na internet. Embora colecionadores tenham feito ofertas maiores, Diegues optou por vendê-lo a um valor simbólico, com a condição de que fosse restaurado em Santos e a negociação fosse formalizada até o último sábado. A aquisição e o transporte foram realizados pela Ageo Norte, por meio de um Trimmc (sigla para instrumento de medidas compensatórias). Foram mais de quatro horas para a retirada do trólebus do local, cinco horas de viagem até Santos e quase duas horas de descarga. “Trata-se de um resgate histórico. O trólebus 625 representa a memória do transporte coletivo santista e o compromisso da Cidade com sua identidade e soluções sustentáveis. Tê-lo de volta é um sonho coletivo realizado”, afirma o assessor técnico da Seção de Patrimônio Histórico e coordenador do Museu Ferroviário, Thales Veiga. O trólebus será restaurado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), com apoio técnico da Viação Piracicabana. Demandará pesquisa histórica, avaliação das condições do veículo e planejamento de restauro, com foco em manter sua estética e sua funcionalidade. A intenção é preservar ao máximo das características originais, como acabamento, layout e recursos de época. Além do 625, o acervo santista tem a carcaça de outro trólebus idêntico, uma subestação elétrica móvel — única no mundo — e um caminhão guincho de 1970. O Museu Ferroviário, que está sendo criado, será um dos maiores espaços dedicados à preservação de veículos sobre trilhos da América Latina, com bondes, locomotivas e vagões raros. Com o retorno do 625, Santos torna-se a única cidade da América do Sul a dispor de dois veículos da Fiat — um bonde e um trólebus — em exposição permanente, o que dará ao público oportunidade de comparar tecnologias que marcaram a história do transporte coletivo elétrico.