Prefeito elencou projetos celebra avanços, de modo a preservar a qualidade de vida (Alexsander Ferraz / AT) A Santos que completa 480 anos hoje é um autêntico mosaico de vivências, histórias, realizações, conquistas e novos objetivos. Um deles, chegar aos 500 anos, vai requerer planejamento, estar antenado com os avanços tecnológicos e conexão com a população, que tem o compromisso de também zelar pela Cidade. Esse é o desafio assumido pelo prefeito Rogério Santos (Republicanos). Em entrevista para A Tribuna, ele elenca projetos e celebra avanços, de modo a preservar a qualidade de vida. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Qual é a Santos que chega a esse aniversário? É uma Santos que tem características do início como vila, de Braz Cubas, que mantém o aspecto de uma Santa Casa da Misericórdia, da liberdade de José Bonifácio. Uma das primeiras a ter uma lei abolicionista e um prefeito negro (Esmeraldo Tarquínio, cassado pela ditadura militar). Que se desenvolve, que evolui ao longo do tempo. De tantos personagens que plantaram suas sementes que a gente está colhendo hoje. Agora, é plantar as novas sementes para uma Santos do futuro. Sobre o Complexo da Areia Branca, que contará com um hospital pediátrico, em que estágio está essa obra? Fizemos um termo de compromisso com três empresas do Porto. Com elas construindo esse conjunto, que envolve o hospital e uma escola, nós podemos fazer a permuta com a Rua A na Alemoa, uma área de interesse logístico ferroviário. O custeio desse hospital já está sendo tratado com o Governo do Estado. Um equipamento que, entre custo de terreno e construção, fica em mais de R\$ 60 milhões. É um valor alto, mas que, com essa permuta, a gente consegue conquistar um equipamento. A obra deve começar ainda esse ano. Sobre inovação e tecnologia, como o senhor avalia o momento de Santos nesses aspectos? Os parques tecnológicos são políticas públicas. Há uma dificuldade, não só no Brasil, mas também na Europa, dessa formação através de condomínios tecnológicos. Santos tem essa vocação. A gente possui vários empreendedores na área da tecnologia, pelo menos 40 mil alunos universitários, somos um polo universitário, temos demandas tanto do Porto quanto da indústria, mas o País precisa buscar essas vocações. A partir da reforma tributária, há uma aposta do ressurgimento da indústria brasileira, e Santos não pode perder essa oportunidade. Como classifica a relação da Prefeitura de Santos com os governos do Estado e Federal? Excelente. Nós tivemos, por parte do Governo Federal, o ok dos R\$ 180 milhões para o São Manoel. Mas, quando você olha as cidades classificadas para serem conveniadas através do PAC com o Governo Federal, Santos tem mais recursos do que a maior capital do País, que é São Paulo. Santos conseguiu ser pré-selecionada para mais de R\$ 600 milhões, enquanto São Paulo teve R\$ 590 milhões. Isso mostra a boa relação com o Governo Federal e a capacidade de Santos não só financeira, mas técnica de elaborar projetos e fazer o planejamento. Com o Governo do Estado é a mesma coisa. Nós temos grandes entregas habitacionais junto ao Estado. Enfim, as portas estão abertas para os dois entes. Sobre Educação: além da entrega da UME Edson Arantes do Nascimento, no Gonzaga, quais outros planos para a pasta? Hoje, a demanda por escolas em período integral está em 75%. Mas, havendo aumento, nós vamos investir. O período integral é fundamental para formação, capacitação e segurança social. E, mais que isso, investir no educador. Hoje há uma carência muito grande de profissionais na área da educação. Ano passamos, entregamos a Casa do Educador, onde temos atividades para cuidar do educador, seja na parte da saúde, seja na parte da formação. Também reclassificamos os professores, uma demanda histórica. Como está a relação da Prefeitura com o funcionalismo quanto a salários, e capacitação, por exemplo? Quanto mais a cidade oferece serviços, mais a demanda aumenta. Porém, há um limite prudencial, um planejamento orçamentário. A gente vem priorizando também a qualidade de vida do servidor, através do plano de saúde Capep, para que continue sendo viável ao servidor e sua família. Várias categorias tiveram reclassificações e aumento real. Esse é o nosso planejamento: valorizar o servidor público e, ao mesmo tempo, cobrar para que dê a resposta à população, com serviços e bom atendimento. Santos é conhecida por sua verticalização. Há vários empreendimentos surgindo, o que também acaba pressionando o serviço público. Como lidar com essa situação? Com planejamento. A mobilidade é um grande desafio para a Cidade e na Área Insular não tem muito para onde crescer. Ainda contamos com um grande pulmão, que é a região central, e é fundamental que ela se desenvolva também para habitação, mas ao longo do tempo ficou estigmatizada apenas como uma área comercial. Atualmente, os grandes centros urbanos têm que ser espaços não só onde as pessoas moram, e sim onde elas moram, trabalham e se divertem. Tudo no mesmo espaço. E com relação a transporte público e mobilidade? Cidades verticais são cidades sustentáveis, desde que bem planejadas. A questão da mobilidade passa por investir no transporte público de qualidade, por isso a importância do VLT como instrumento não só de mobilidade urbana, mas de desenvolvimento urbano. Para fomentar o uso do transporte público, temos o compromisso de não aumentar a passagem do ônibus nos próximos anos. Aí, quando o Governo Federal fala de tarifa zero, propaga que o pacto federativo seria 33% para cada ente federativo. Hoje, nós estamos com mais de 29%. Provavelmente, na atualização desse ano da tarifa, a gente chegue perto dos 33%. Quando vierem com a proposta do pacto federativo, Santos estará preparada. Ainda sobre urbanismo: como o senhor vê a situação das calçadas? Há muitas depreciadas. Nas últimas obras que a gente vem realizando, quando pavimentamos, também fazemos calçadas acessíveis. Nós estamos com um planejamento de recursos também para pensar em trazer essas calçadas acessíveis a outros bairros. Lembrando que a manutenção das calçadas é obrigação do proprietário do imóvel, mas o município tem assumindo esse custo fazendo essas calçadas. Queremos ampliar para toda a cidade, pensando na mobilidade urbana a pé, já que Santos é uma cidade compacta e a verticalização nesse sentido é positiva. Qual exercício o cidadão santista deve fazer no aniversário da Cidade? Ver a Cidade como sua própria casa, num exercício de cidadania. Hoje, existe um pensamento de que o Poder Público tem que fiscalizar tudo. Na verdade, não caberia fiscalizar o tempo todo. O que cabe ao cidadão é cumprir as leis. É olhar a Cidade como a nossa casa e ter, principalmente, o cuidado. Uns com os outros. Está faltando empatia no mundo. A gente possui vários empreendedores na área da tecnologia, pelo menos 40 mil universitários. (...) A partir da reforma tributária, há uma aposta do ressurgimento da indústria brasileira, e Santos não pode perder essa oportunidade” “Na Área Insular não tem muito para onde crescer. Contamos com um grande pulmão, que é a região central, e é fundamental que ela se desenvolva também para habitação” “Hoje, existe um pensamento de que o Poder Público tem que fiscalizar tudo. Na verdade, não caberia fiscalizar o tempo todo. O que cabe ao cidadão é cumprir as leis”