Santos registra queda no número de mortes por Covid-19

Dados da Prefeitura citam queda nos números diários e semanais de óbitos, mas especialistas fazem ressalva

Santos registra queda nas estatísticas municipais de mortes por Covid-19 no começo deste mês e, também, na comparação de semanas epidemiológicas – períodos de sete dias. Para especialistas, porém, ainda é cedo para comemorar uma melhora no cenário, e as medidas de cuidado e o isolamento social devem ser mantidos.

Além disso, o fim do convênio para testes entre a Prefeitura e um laboratório privado deverá fazer com que a confirmação de infecções seja mais lenta, e isso poderá dar impressão de que o avanço da doença arrefeceu (leia destaque).

Os números atuais estão inferiores aos da semana epidemiológica (de 14 a 20 de junho), quando houve pico no número de mortes: 51.

Há uma diferença nas formas de divulgação de dados pelo Município e pelo Governo do Estado. Enquanto a Prefeitura registra os óbitos por data de falecimento, São Paulo o faz com base no dia em que foram comunicados. Em 19 de junho, por exemplo, Santos chegou a contar 20 óbitos pelo cálculo estadual.

Nos primeiros dias deste mês, a média diária está abaixo de cinco, e nem todos os dias tiveram confirmação de mortes, conforme as estatísticas paulistas.

Cuidado

Para o infectologista Marcos Caseiro, o cenário deve ser visto com calma. Segundo ele, os kits de exame PCR para detecção do vírus covid-19 acabaram, e isso deve ser levado em conta.

“Eram 20 mil testes em convênio com laboratório particular e, sem eles, os exames voltarão a ser analisados pelo Instituto Adolfo Lutz. Agora, os resultados vão demorar entre uma e duas semanas para sair, ou seja, vai demorar mais para que possamos ter uma ideia da real situação.”

Ele diz que os acontecimentos futuros devem ser observados pelo retrovisor: o exame de uma amostra colhida hoje terá resultado em 15 dias, mas a notificação será na data da coleta.

“Teremos um hiato entre os resultados. Os números estarão baixos até chegarem os resultados. Se não prestarmos atenção nisso, acreditaremos que são poucos casos e poucas mortes, o que não é verdade”, explica.

Outra onda

Para Marcos Caseiro, também deve haver temor com uma segunda onda de casos e mortes.

“O número de anticorpos em quem tem acima de 60 anos é muito baixo. Isso mostra que os idosos ficaram assustados e fizeram a quarentena. O cuidado deve ser quando essas pessoas voltarem a sair. Que usem máscara e tomem cuidado para não se infectarem.”

Para o infectologista Marcelo Santana, a região chegou a um nível alto de contaminação das pessoas expostas.

“A doença age como uma onda e, agora, está atingindo cidades que antes tinham poucos casos, como as do Litoral Sul. Ela vai se interiorizando, e podemos observar isso com os números do País, que não param de crescer.”

Ele explica que, por isso, é fundamental manter os cuidados de higiene e a utilização da máscara. “É uma doença desconhecida, e não sabemos como poderá se comportar daqui para a frente”.

Mortes e internações

O secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, também pede atenção e ressalta que internações e óbitos continuarão acontecendo.

“A leitura de números de um dia para o outro nem sempre é a expressão da verdade, pois podem acontecer variações e atraso na atualização dos dados. É preciso continuar com os cuidados.”

Para ele, a taxa de ocupação hospitalar em unidades de Terapia Intensiva (UTIs) também chama a atenção.

“Esses são os números que mais nos preocupam e, há mais de sete dias, temos observado uma redução.”

O secretário atribui a redução do número a uma estratégia da Prefeitura, com flexibilização gradativa e conscientização popular.

“Os casos mais graves ainda vão acontecer, mas em menor incidência. O que se mostra no mundo todo, e a gente não foge disso, é que de 80% a 85% responderão bem à doença. Em Santos, já são mais de 6 mil recuperados. A taxa de letalidade aqui também é bem baixa perto de outros lugares. Temos 3,5%, enquanto no Brasil é de 4%.”

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