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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Santos reduz percentual de partos por cesáreas

Modalidade ainda é a tônica nas redes pública e privada, mas números vêm sendo reduzidos desde 2012

Apesar de a Baixada Santista apresentar índice muito superior de cesáreas, em relação ao preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como ATribuna.com.br noticiou no último domingo (16), Santos vem reequilibrando essa conta. No município, os partos normais subiram cerca de 10 pontos percentuais nos últimos sete anos, em relação ao total de nascimentos. 

Em 2012, dos 4.962 procedimentos (levando em conta todos os serviços de Saúde do Município, inclusive privados), 29,9% foram normais e os outros 70,1%, cesarianas. Já em 2019, dos 4.274 nascimentos ocorridos, 39,7% foram via parto normal e 60,3%, cesáreas.

Apesar da melhora, os números ainda estão muito aquém do índice indicado pela OMS, de até 15%. Pior ainda está o restante da Baixada. De 2017 até novembro do ano passado, a média de parto por cesáreas foi de 43%, somente na rede pública. 

O secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, acredita que aprofundar o debate sobre os partos é importante para diminuir a mortalidade materna e infantil.

Ações

Em Santos, o aumento dos partos normais tem relação direta, conforme Ferraz, com diversos investimentos na rede de assistência, com a criação do Programa Mãe Santista, em maio de 2013, e ações voltadas à humanização do parto. 

Além disso, a abertura da maternidade do Complexo Hospitalar dos Estivadores, em 2017, também ajudou.

Apesar de todos esses esforços, Ferraz pede um amplo debate sobre a legislação estadual, que permite que grávidas do Estado possam optar por fazer cesárea a partir da 39ª semana de gestação pelo SUS.

“Essa legislação influencia e as gestantes estão vindo, como tenho ouvido dos profissionais, com a lei na mão. Temos que respeitar a autonomia da mulher, mas o conforto da agenda não pode se sobrepor à questão clínica”.

Vontade e lei

Além da opção pela cesárea, a lei também inclui a determinação de se oferecer analgesia a mulheres que optarem pelo parto normal. 

Sancionada pelo governador João Doria (PSDB), a legislação teve origem em um projeto de autoria da deputada estadual Janaína Paschoal (PSL), que visava a preservação da autonomia e saúde física e psicológica das mulheres.

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