Enquanto flores marcam a primavera, Santos se prepara para o verão com um trabalho técnico de manejo e arborização que busca equilibrar segurança urbana e conforto térmico à população. Segundo a engenheira agrônoma da Prefeitura de Santos, Gisela Aparecida Rodrigues, o planejamento das podas segue uma lógica criteriosa, pensada para que as árvores continuem saudáveis e oferecendo sombra nos meses mais quentes. “Esse serviço é planejado de acordo com as espécies existentes nas ruas, com a data da última poda e com as interferências urbanas”, explica Gisela. A Coordenadoria de Paisagismo é responsável pelo manejo arbóreo e paisagístico em toda a cidade, com engenheiros agrônomos que definem o cronograma de podas por bairros e ruas inteiras. “A gente faz a programação por região, tentando atender a cidade como um todo”. O trabalho leva em consideração todas as leis que regulamentam a arborização urbana. “Tudo é feito dentro da lei. É crime ambiental o morador podar por conta própria. Às vezes as pessoas criticam, achando que foi cortado demais, mas há sempre um técnico responsável, tanto da Prefeitura quanto da empresa contratada”, afirma a engenheira. Segundo ela, cerca de 90% das podas em Santos são feitas por uma empresa terceirizada, com acompanhamento técnico da Coordenadoria. A equipe da Prefeitura faz atendimentos pequenos ou emergenciais. “A cada semestre a gente lista os bairros a atender. Assim, a cidade nunca fica desprovida de poda”, diz Gisela. Trabalho em sintonia Além do planejamento técnico, o serviço é coordenado entre órgãos públicos e concessionárias. “Não é simplesmente sair cortando. Muitas vezes é preciso acionar Sabesp, CPFL, companhias de telefones e até remover carros. Há casos em que o caminhão-plataforma precisa ser usado e todos os pedidos de intervenção passam pela Ouvidoria Municipal, com vistoria prévia e documentação oficial”. Uma espécie que exige atenção é o ingazeiro, que representa cerca de 80% da arborização de Santos. Introduzida nas décadas de 1960 e 1970, ela cresce rápido e é sensível a ventos fortes. “O ingazeiro tem resistência muito grande à poda e se recupera rápido. A gente trabalha mantendo uma altura compatível com as condições urbanas e climáticas. Se não podar, ele pode cair com o vento”, comenta a engenheira. Esse manejo constante está ligado também às ações preventivas de Defesa Civil. “Santos foi modelo, junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no primeiro Plano Preventivo de Defesa Civil do Brasil. As podas preventivas diminuem o número de quedas. Às vezes a árvore fica feia por um tempo, mas logo rebrota e fica tudo bem”, diz Gisela. População pode colaborar com plantio Segundo a Prefeitura de Santos, o planejamento de arborização é complementado por iniciativas da Secretaria de Meio Ambiente, que conduz a política ambiental e coordena o Programa Santos Sustentável, lançado em março. Ele reúne ações para conectar a cidade à natureza e enfrentar as mudanças climáticas, com meta de plantar 10 mil novas árvores até 2028 — um acréscimo às 35 mil que já existem. Entre as frentes do programa estão a criação de corredores verdes, pomares em praças e escolas, áreas permeáveis (como ilhas de chuva), além da substituição de asfalto por pisos drenantes. O projeto-piloto foi implantado no estacionamento externo do Assaí da Avenida Ana Costa, onde o asfalto deu lugar a 194 mudas nativas da Mata Atlântica, que se somaram a 58 árvores já existentes. Desde o lançamento, 2 mil novas árvores já foram plantadas em áreas como o Centro Esportivo Rebouças, Praça Nossa Senhora Aparecida, Praça Palmares, Jardim Botânico e região dos morros. </CW> Colaboração da população A população também pode colaborar com o plantio — desde que siga as regras. “O morador pode plantar, sim, mas precisa pedir autorização à Ouvidoria. A Secretaria do Meio Ambiente orienta sobre a espécie adequada, o tamanho e o espaçamento. Não adianta plantar perto de uma guia rebaixada ou debaixo da fiação”, explica Gisela. Ela lembra que há programas de engajamento comunitário, como o curso de “cuidadores de árvores”, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente, que capacita moradores e fornece certificado. “É um trabalho importante para quem quer aprender a plantar do jeito certo. As pessoas saem com um diploma e sabem o que podem ou não fazer”, conta. Cuidado A engenheira explica que o plantio urbano hoje é mais técnico e cuidadoso do que há décadas. “Antigamente, as cidades não tinham estudos sobre o comportamento das árvores. Plantavam as espécies sem pensar nas interferências urbanas. Hoje é diferente”, afirma. As espécies mais utilizadas atualmente são nativas e de menor porte por causarem menos danos às calçadas e se adaptarem melhor ao ambiente urbano. “Quando o plantio é autorizado, temos praticamente 100% de garantia de que a árvore vai crescer e ficar bonita”, conclui Gisela.