O fenômeno das ilhas de calor faz com que determinadas regiões de Santos registrem temperaturas significativamente mais altas do que municípios vizinhos (Alexsander Ferraz/ AT) Santos aparece no topo do ranking das ilhas de calor no litoral de São Paulo, reflexo direto da intensa urbanização e da alta concentração de edifícios na área urbana. O fenômeno faz com que determinadas regiões da cidade da Baixada Santista registrem temperaturas significativamente mais altas do que municípios vizinhos, impactando o conforto térmico, a saúde da população e a qualidade ambiental. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados são da UrbVerde, plataforma digital de monitoramento socioambiental alimentada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e instituições parceiras. O levantamento aponta que Santos possui o pior índice de ilhas de calor entre os municípios litorâneos paulistas, com coeficiente de 83,3 em uma escala que vai até 100, o que indica alta severidade do fenômeno. O que são ilhas de calor urbanas As ilhas de calor são áreas urbanas onde a temperatura é mais elevada em comparação com regiões menos construídas ou com maior presença de vegetação. Esse efeito ocorre principalmente devido à substituição de áreas naturais por asfalto, concreto e edificações, materiais que absorvem e retêm calor ao longo do dia, liberando-o lentamente durante a noite. A ausência de áreas verdes, aliada à impermeabilização do solo, reduz a evaporação da água e dificulta a dissipação do calor, intensificando a sensação térmica, especialmente em períodos de calor extremo. Verticalização e bloqueio da brisa marítima Um dos fatores que explicam o desempenho negativo de Santos no ranking é a forte verticalização da cidade, que figura entre as mais densamente construídas do Brasil. A grande quantidade de prédios altos forma barreiras físicas que dificultam a circulação da brisa marítima, elemento natural que historicamente ajudava a amenizar as temperaturas. Além disso, bairros com maior adensamento urbano apresentam ruas estreitas, pouca arborização e extensas áreas pavimentadas, criando condições ideais para o acúmulo de calor ao longo do dia. Impactos diretos na saúde e no consumo de energia O aumento das ilhas de calor traz consequências diretas para o cotidiano da população. Entre os principais impactos estão: Elevação da sensação térmica, tornando o ambiente urbano mais desconfortável; Risco à saúde, especialmente para idosos, crianças e pessoas com doenças cardiovasculares; Maior consumo de energia elétrica, devido ao uso intensivo de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado; Agravamento de problemas respiratórios e aumento da poluição atmosférica em períodos de calor intenso. Esses efeitos tendem a se intensificar com as mudanças climáticas e a frequência cada vez maior de ondas de calor. Baixa cobertura vegetal agrava o cenário Outro ponto destacado pelo levantamento é a escassez de áreas verdes em regiões densamente ocupadas da cidade. Árvores e parques urbanos desempenham papel fundamental na regulação térmica, oferecendo sombra, aumentando a umidade do ar e reduzindo a temperatura ambiente. Em Santos, a distribuição desigual da vegetação urbana contribui para que alguns bairros concentrem índices mais elevados de calor, enquanto áreas com maior arborização apresentam temperaturas relativamente mais amenas. Medidas para reduzir o efeito das ilhas de calor Diante do cenário, estratégias de mitigação são consideradas fundamentais para melhorar o conforto térmico e a qualidade de vida urbana. Entre as ações que podem contribuir para a redução das ilhas de calor estão: Ampliação da arborização urbana, especialmente em vias com grande circulação de pessoas; Criação e preservação de parques e corredores verdes; Incentivo ao uso de materiais mais claros e permeáveis em calçadas e edificações; Planejamento urbano que considere ventilação natural e equilíbrio entre áreas construídas e verdes. Essas medidas são vistas como essenciais para tornar a cidade mais resiliente frente ao aumento das temperaturas. Desafio urbano para os próximos anos O levantamento da UrbVerde reforça a necessidade de repensar o modelo de crescimento urbano em Santos. Embora a verticalização tenha impulsionado o desenvolvimento imobiliário, ela também trouxe desafios ambientais que exigem soluções estruturais e de longo prazo. Conciliar crescimento, sustentabilidade e qualidade de vida será um dos principais desafios da cidade nos próximos anos, especialmente em um contexto de aquecimento global e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.