Serviço Ecoboat, voltado à coleta de resíduos flutuantes no mar, é realizado com duas embarcações do tipo catamarã (Diego Matos/Prefeitura de santos) A Prefeitura de Santos iniciou uma nova frente de combate à poluição marinha com o lançamento do serviço Ecoboat, voltado à coleta de resíduos flutuantes no mar. A operação, que começou na segunda-feira passada, conta com duas embarcações do tipo catamarã e integra o contrato da parceria público-privada (PPP) firmada com o consórcio Terra Santos em março deste ano. A expectativa é recolher, em média, cinco toneladas de lixo por mês. De acordo com a Administração Municipal, as embarcações foram projetadas especialmente para este tipo de operação. Cada uma conta com uma abertura central que direciona os resíduos para um cesto coletor, capaz de armazenar até 3,5 metros cúbicos de material, dispensando a água e retendo somente o lixo. Os barcos estão aptos a operar dentro das Normas da Autoridade Marítima (Normam). Resíduos Segundo a Prefeitura, os resíduos são retirados antes que afundem ou cheguem ao mar aberto, evitando impactos nas praias e na fauna aquática. Entre os principais detritos recolhidos estão garrafas plásticas, madeiras, móveis, embalagens e outros sólidos. Os dois percursos traçados priorizam regiões com maior acúmulo de lixo: um na área do estuário, que inclui pontos como Alemoa, Rio das Pedras e Ilha Piaçaguera; e outro na Ponta da Praia, que percorre locais como o Terminal Pesqueiro e a travessia de balsas Santos-Guarujá. Preocupação ambiental Coordenador da ação e marinheiro, Marcelo Passos da Cruz destacou que o impacto positivo vai além da estética. “Aqui nós temos variedades de peixes, tartarugas, aves… então é uma questão primordial para o meio ambiente”, afirmou. A iniciativa está inserida no escopo da nova PPP da limpeza urbana, que prevê R\$ 739 milhões em investimentos ao longo de 30 anos. De acordo com o secretário de Governo de Santos, Fábio Ferraz, a ideia das embarcações surgiu justamente da necessidade de ampliar o conceito de limpeza urbana para além do solo. “O mar muitas vezes é o fim da linha para resíduos que vêm da cidade. Eles acabam sendo levados ao oceano ou retornando para a faixa de areia. Então, a proposta é interromper esse ciclo ainda na água", explicou o secretário, em entrevista à reportagem. Segundo Ferraz, os percursos foram definidos com base em estudos da Secretaria de Meio Ambiente de Santos e no conhecimento de profissionais que atuam no mar, como pescadores e operadores navais. “A rota será sempre aperfeiçoada conforme a coleta for acontecendo. Os marinheiros têm uma percepção clara de onde o lixo se acumula”. Expectativa é que quantidade de lixo diminua A medição dos resultados será feita com base na tonelagem de resíduos coletados em cada percurso. O objetivo, segundo o secretário Fábio Ferraz, é que a quantidade de lixo retirado diminua ao longo do tempo, como reflexo da conscientização da população. “No início, os números tendem a ser altos. Mas o melhor cenário é que eles diminuam gradualmente, indicando menos resíduos no mar”, afirmou. Os dados serão disponibilizados em relatórios periódicos, disponíveis à população e à imprensa por meio do Centro de Controle Operacional da Prefeitura. Educação ambiental O contrato da PPP também inclui ações de educação ambiental, com orçamento de R\$ 1,2 milhão por ano. Os recursos serão gerenciados pela Secretaria de Meio Ambiente e contemplam campanhas em escolas, praias e ecopontos — locais onde a população poderá descartar resíduos corretamente e participar de atividades de conscientização. Durante a temporada de verão, a Prefeitura promete intensificar a comunicação com turistas e banhistas sobre o descarte adequado de lixo. Para Ferraz, o exemplo da limpeza tem um efeito multiplicador. “Uma rua limpa inibe o cidadão de jogar lixo no chão. Isso vale para a praia e o mar. Quando mostramos que estamos cuidando, as pessoas se sentem mais motivadas a fazer sua parte.” A expansão da frota de ecoboats não está descartada. Conforme o secretário, o contrato da PPP permite revisões semestrais e ajustes na operação, tanto para ampliação quanto redução do serviço, conforme a demanda e os resultados obtidos. Diálogo A Prefeitura de Santos também pretende compartilhar os dados da coleta com órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), além de manter os relatórios acessíveis à população. “É importante garantir o controle social. Queremos que os dados sejam públicos, para que todos possam acompanhar os avanços dessa iniciativa”, concluiu Ferraz.