EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Santos gastará R$ 4,7 milhões a mais com terceirizadas por novos leitos para Covid-19

Valores serão acrescidos mensalmente nos contratos com gestoras de duas UPAs e do Hospital dos Estivadores

A Prefeitura de Santos precisará desembolsar quase R$ 4,7 milhões adicionais por mês pelos  143 novos leitos de clínica médica e 30 de terapia intensiva (UTI) para atendimento a pacientes com Covid-19 nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Central, da Zona Leste e no Hospital dos Estivadores.  

Esses locais têm a gestão terceirizada. Os valores serão repassados às empresas por meio de aditivos aos contratos durante o período que for necessário. A estimativa inicial é de quatro meses. O maior valor é com o Estivadores (Avenida Conselheiro Nébias, 401, Encruzilhada): R$ 2,551 milhões a mais por mês. 

A pedido da prefeitura, o hospital instalou 46 leitos de clínica médica e 20 de UTI específicos para infectados pelo coronavírus. Assim, o custo mensal da unidade, administrada pelo Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz, passou de R$ 5,1 milhões para R$ 7,6 milhões.  

A UPA da Zona Leste (Praça Visconde de Ouro Preto s/nº, Estuário) teve o custo elevado em pouco mais de R$ 351 mil mensais. O contrato, assinado recentemente com a Pró-Saúde, foi de R$ 1,596 milhão para R$ 1,948 milhão. Foram implantados 46 leitos para Covid-19, cinco deles de UTI.  

Já na UPA Central (Rua Joaquim Távora, 260, Vila Belmiro) estão previstos 61 novos leitos para infectados, cinco de UTI. Eles serão abertos conforme a demanda e a Fundação do ABC, que a administra o espaço, receberá mais R$ 1,790 milhão mensalmente. Isso significa que o custeio, que hoje é de R$ 1,6 milhão, vai mais que dobrar, chegando perto de R$ 3,4 milhões. 

O secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, afirma que considera um bom custo-benefício os valores negociados. Ele ressalta que os equipamentos são novos, desde a cama até os monitores e respiradores das UTIs, e que os gastos incluem também materiais e mão de obra: novas equipes médicas foram contratadas.  

Somente de UTI, Santos tem hoje 106 leitos ativos, contando com o Hospital Estadual Guilherme Álvaro. A prefeitura diz que pode chegar a 143, se necessário. 

Novos respiradores 

A prefeitura também investiu em 34 novos respiradores para uso em outras unidades de saúde. Do total, 24 foram comprados ao custo de R$ 1,5 milhão, média de pouco mais de R$ 62,5 mil cada. Os outros 10 são alugados. A Administração já está negociando a compra de mais 10.  

A ideia é que esse estoque seja usado no Hospital da Zona Noroeste, que está em reforma e terá 13 leitos de UTI, e no Hospital Vitória, na Vila Belmiro. A unidade particular estava vazia e foi cedida provisoriamente para a prefeitura. Além disso, Hospital de Pequeno Porte (HPP) da prefeitura, que funciona junto ao pronto-socorro particular da Santa Casa, também usa os equipamentos. 

Ferraz explica, ainda, que para cada 10 leitos de enfermaria, em qualquer local, um respirador é disponibilizado por precaução. O secretário ressalta que a prefeitura criou uma comissão para acompanhar todos os gastos. O grupo tem integrantes da Câmara Municipal, Associação Paulista de Medicina (APM), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e contabilistas.  

“Também já protocolamos junto ao Ministério Público a primeira fase do relatório. Nossa preocupação é mostrar o máximo de transparência. Estamos comprando coisas acima do preço que seria natural. Não é desejável, mas absolutamente necessário. Ou compramos, ou não tem”, afirma Ferraz.  

Outros gastos 

A necessidade de dinheiro extra não é só com as unidades terceirizadas. A Prefeitura de Santos  também contratou leitos exclusivos para Covid-19 nos hospitais filantrópicos Santa Casa e Beneficência Portuguesa.  

Também transformou um Centro de Diagnóstico (AFIP - Avenida Conselheiro Nébias, 445) em hospital de campanha, comprou materiais, equipamentos de proteção individual e fez obras de adequação em alguns pontos.  

O objetivo é que a cidade tenha mais de 500 leitos exclusivos para a doença. O Estado enviou R$ 4,3 milhões para ajudar nas despesas, a Prefeitura pede mais e também cobra repasses do Governo Federal. 

Tudo sobre: