Primeiro tema do ciclo de debates — serão seis — foi Demografia. Ajudou a traçar cenários e perspectivas para o Município chegar aos 500 anos (Alexsander Ferraz/AT) Entre as cidades do País com mais de 100 mil habitantes, Santos é a mais envelhecida do País. A constatação, com base em dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi revelada nesta quarta-feira (28) no primeiro encontro do ciclo de debates Santos 500+, iniciativa do Grupo Tribuna em parceria com a Prefeitura de Santos. O debate, cujo tema foi Demografia, ajudou a traçar cenários e perspectivas para o Município chegar à marca de 500 anos, em 2046, discutindo o avanço da longevidade. De acordo com o levantamento, apresentado pelo sociólogo e demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, a Cidade, com uma população de 418,6 mil habitantes (segundo o Censo), tem um Índice de Envelhecimento (IE) de 175,7. Trata-se da divisão do total da população idosa (a partir de 60 anos) pela população jovem (até 14 anos), com valor multiplicado por 100. Depois, vêm Niterói (RJ), com 163,4, e São Caetano do Sul (SP), com 158,8 (veja quadro). Se o número está abaixo de 100, há mais jovens do que idosos. Acima de 100, há mais idosos do que jovens. “No Brasil, em meados do século passado, a gente tinha dez idosos para cada 100 jovens. Até 2029, no máximo, essa proporção vai empatar no Brasil, E, no futuro, serão três idosos para cada jovem”, aponta Alves. Fundação Seade Enquanto isso, a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) fez um levantamento, a pedido de A Tribuna, que mostra a transformação na população santista nos últimos 45 anos. Em 1980, por exemplo havia 26,78% da população com até 15 anos. Em 2024 (com base no Censo 2022 e no crescimento vegetativo e no migratório), o índice era de 14,02% da população. Na faixa dos acima de 60 anos, a porcentagem da população era de 9,34% em 1980. Em 2024, chegou a 26,47%. A Fundação Seade também faz uma projeção, em termos estaduais, do crescimento da população idosa. Se, em 1980, o índice da população de até 15 anos era de 33,68%, em 2024 era de 17,36%. E, em 2040, será de 15,01%. Na faixa etária acima dos 60 anos, eram 6,27% em 1980, 18,35% em 2024 e se chegará a 24,69% em 2040. Para José Eustáquio Alves, esses indicadores trazem uma discussão importante: sobre o olhar com relação aos maiores de 60 anos, que podem definir os rumos da Cidade. “Tem gente que, quando vê uma quantidade de idoso muito grande, acha que vai atrapalhar a economia, por conta da ideia que o idoso só traz doenças e incapacidade. Mas há quem olhe também para oportunidades. Os idosos podem contribuir de várias formas com a sociedade. Com uma união para aproveitar a nova realidade demográfica, você pode ter um envelhecimento com melhoria da condição de vida da população”, complementa o sociólogo, que é mestre em Economia e doutor em Demografia. O prefeito Rogério Santos (Republicanos), abriu o evento (Alexsander Ferraz/AT) Construir o futuro O prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), fez o discurso que abriu o encontro Santos 500+. Para ele, o olhar para a celebração dos 500 anos da Cidade passa pelo planejamento e pelo entendimento de como é a população, num cenário em que 25% da população tem mais de 60 anos, de acordo com o IBGE. “Santos tem esse histórico inovador, foi protagonista nos vários ciclos de desenvolvimento do Brasil. Prever o futuro é construí-lo. E esse projeto com o Grupo Tribuna nos dá essa possibilidade”, afirma. Conhecimento coletivo aproveita experiência no mercado de trabalho (Alexsander Ferraz/AT) Contra o etarismo A empregabilidade, em um cenário de maior longevidade da população 60+, também foi abordada no encontro nesta quarta-feira (28). Para o engenheiro, diretor de Ensino e Pesquisa e Extensão da Fundação Cenep, Alexandre Euzébio, o conhecimento coletivo faz com que as gerações que carregam o conhecimento, principalmente nas áreas técnica e laboral, transfiram isso para as gerações mais jovens. “A intergeracionalidade é importante, porque estamos desperdiçando uma reserva de conhecimento enorme, na medida em que a tecnologia se tornou tão simples, tão intuitiva, que os jovens usam a tecnologia, mas não a desenvolvem”, argumenta. Para ele, a tecnologia gera bem-estar e crescimento socioeconômico. Mas, se na geração que está chegando ao mercado de trabalho há cada vez menos quem procure cursos técnicos, ocorre um esvaziamento tecnológico. “Nossa visão do futuro deve passar necessariamente pela educação, gerando e aliando o conhecimento daquele que está em vias de sair do mercado de trabalho e quem está entrando nele”, acrescenta Euzébio. Espaços públicos Na visão da coordenadora de Projetos do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro/Insper, Gabriela Vasconcelos, a integração entre jovens e os mais velhos passa também por uma atualização dos espaços públicos, que podem ser mais inclusivos e atrativos. “A gente precisa retomar os espaços públicos, olhá-los como espaços de convivência, que não acontece em empresas, escolas ou dentro de casa — se a pessoa morar sozinha. É olhar de uma forma que os idosos voltem a ter a segurança de frequentar esses espaços, pensando nas atividades que podem ser exercidas. Isso ajuda a combater o etarismo.” Para ela, o segredo é olhar para o planejamento urbano com um desenho mais regenerativo. “A questão não é só da infraestrutura, mas uma forma na qual a sociedade esteja inserida nesse potencial construtivo.” Incentivo ao bem-estar significa saúde A discussão sobre os caminhos da longevidade passa pela saúde. Não apenas acerca de remédios e leitos para internação, mas na promoção de uma cultura de qualidade de vida. Essa é a receita dos especialistas que participaram do encontro. Para o médico Chao Lung Wen, professor da Faculdade de Medicina da USP, a ideia é manter jovens e idosos juntos. “O envelhecimento não olha apenas para a questão da doença: é algo muito maior, chamado bem-estar”. O professor cita a importância da telemedicina no cuidado dos idosos. “Tem que ser integrada a uma política de estratégia de cuidado contínuo.” Município O secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, listou ações para promoção da saúde entre os idosos, como o estímulo à vacinação e a Estratégia de Saúde da Família. Mas mostrou preocupação com o absenteísmo (faltas em consultas) nas policlínicas e nos ambulatórios de especialidades (Ambesps). Nas avaliações vasculares — por exemplo, em consultas médicas e exames —, o índice de faltas foi de 41% entre 2 de setembro e 23 de novembro. Para o secretário de Governo, Fábio Ferraz, o debate nesta quarta-feira (28) foi positivo. “Uma população com mais experiência precisa estar inserida, não só do ponto de vista de desenvolvimento social, mas também do econômico, participando ativamente da sociedade.” Com base no Censo Santos é a cidade mais envelhecida do País entre as que têm mais de 100 mil habitantes, de acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Lista das cidades, com população e Índice de Envelhecimento: Santos (SP) População: 418.608 Índice de Envelhecimento: 175,7 Niterói (RJ) População: 481.749 Índice de Envelhecimento: 163,4 São Caetano do Sul (SP) População: 165.655 Índice de Envelhecimento: 158,8 Porto Alegre (RS) População: 1.332.845 Índice de Envelhecimento: 136,8 Nova Friburgo (RJ) População: 189.939 Índice de Envelhecimento: 132,3 Petrópolis (RJ) População: 278.881 Índice de Envelhecimento: 129,1 Belo Horizonte (MG) População: 2.315.560 Índice de Envelhecimento: 128,6 Juiz de Fora (MG) População: 540.756 Índice de Envelhecimento: 127,4 Volta Redonda (RJ) População: 261.563 Índice de Envelhecimento: 127,3 Balneário Camboriú (SC) População: 139.155 Índice de Envelhecimento: 124,8 ()