Santos comemora 475 anos de olho no futuro

Área continental se torna centro de interesses na busca por desenvolvimento

Por: Da Redação  -  26/01/21  -  10:38
Prefeito de Santos relata suas apostas para desenvolvimento da cidade
Prefeito de Santos relata suas apostas para desenvolvimento da cidade   Foto: Matheus Tagé/AT

É um consenso entre quem estuda o desenvolvimento e o crescimento de Santos: a cidade não tem muitas opções de expansão. Por isso, o grande desafio da nova década é como o Município deve construir a Lei de Uso e Ocupação do Solo da Área Continental, equilibrando na mesma balança cultura caiçara, preservação ambiental e interesses portuários e retroportuários.


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De acordo com o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), essa lei precisa nortear a ocupação, pois mais de 80% da Área Continental conta com preservação ambiental garantida por lei. “Temos a questão habitacional e temos o retroporto. A área portuária possui potencial, principalmente com o investimento que tem sido feito na malha ferroviária, na margem esquerda do Porto. Essa infraestrutura vai gerar desenvolvimento econômico àquela região”, argumenta.


Na opinião dele, a legislação deve ser construída de uma maneira bem equilibrada. “Essa é uma área de preservação ambiental e também com características culturais específicas, como a Ilha Diana, o Caruara e o Iriri, por exemplo. Nós precisamos valorizar sempre as pessoas”, acrescenta o chefe do Executivo santista, falando especificamente da cultura caiçara.


Motivo de Atenção


O professor universitário e especialista em gestão portuária Hélio Hallite frisa que a linha do tempo da ocupação da Área Continental de Santos envolve diversos percalços, como a instalação de um aterro sanitário e a discussão sobre a instalação de um possível incinerador, “uma tecnologia absolutamente reprovada”.


Ele cita que Monte Cabrão, por exemplo, tem um cemitério de carros abandonados e outros bairros da “Santos Continental” sempre estiveram abandonados, quando se compara com a atenção dada às outras regiões da Cidade.


Resistência cultural


Catharina Apolinário, que é jornalista e diretora de um curta-metragem sobre a Ilha Diana, aponta o local como um ponto de resistência caiçara em meio ao maior porto da América Latina.


No filme, exibido pela primeira vez em dezembro, ela mostra caiçaras vivendo de forma simples, transmitindo saberes da pesca, da culinária e da natureza que cerca o pequeno território da Área Continental. De frente para o Rio Diana e cercada pelo mangue, a comunidade existe há quase 100 anos.


Turismo


Outra aposta de desenvolvimento para a nova década que se inicia em 2021, na opinião do chefe do Executivo santista, é o turismo.


“Eu acho que a maior riqueza turística de Santos é a sua gente, é a sua cultura. Antigamente, você viajava para países, para as cidades, ia para Salvador para ver o Elevador Lacerda ou ao Rio de Janeiro para ver o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Quem podia ir para Paris, ia ver a Torre Eiffel. Hoje, as pessoas querem muito mais. Elas almejam ver a gastronomia e o modo de vida. Santos possui essa riqueza”, argumenta Rogério.


99 % éo grau de urbanização de Santos, segundo projeções da Fundação Seade. Preve-se que, em 2021, a população seja de 428.703 habitantes. Em dez anos, houve crescimento de 0,22% da população. A densidade populacional também chama atenção. No Estado, ela é de 178 habitantes por km. Já em Santos, chega a 1.525 moradores por km.


Antes da região continental, deve-se consetar o urbano


Não é um consenso entre especialistas a capacidade da Área Continental de Santos em ser um ponto de expansão das atividades portuárias. Para o professor e especialista em gestão portuária Hélio Hallite, é prematuro pensar nisso.


"Temos os berços dos armazéns 1 ao 10 abandonados, assoreados, inoperantes. Há o Centro Histórico e Portuário ‘tombado’ na forma das ruínas do Valongo, sem contar outros trechos inoperantes. E, diante esse cenário, resolve-se desbravar a Área Continental?”


Para ele, caso isso venha a acontecer, pode gerar com a Área Continental de Santos algo parecido com o que já houve na periferia de São Vicente: “desastre urbanístico e ambiental”.


Ele cita, por exemplo, que os terminais de granéis químicos da Alemoa e da Ilha Barnabé, por exemplo, poderiam estar instalados longe do meio urbano. “No Brasil não. Vamos explorar as riquezas imobiliárias e tentar minimizar danos ambientais. Começaram a ocupação com um crime ambiental e agora tudo será diferente. Enfim, teremos uma Lei de Uso e Ocupação do Solo. Os moradores da favela de Conceiçãozinha já sabem o que significa morar do lado do terminal de grãos, a 30 metros do navio. Todos juntos e misturados”. Para Hallite, “devemos falar de portos offshore depois de consertar o que está errado”.


Turismo sonha com retomada


A pandemia fez antecipar em muitos anos a evolução que grande parte do segmento do comércio e serviços viria a experimentar no futuro. Para Eduardo Silveira, que é presidente da Associação dos Profissionais do Turismo da Baixada Santista, este momento é ideal para planejar de maneira estratégica o desenvolvimento sustentável do setor.


“Mal nos acostumamos a trabalhar com a AI (sigla de inteligência artificial, em inglês), aplicativos e aparelhos como a Alexia, e tivemos que nos conectar e a aprender a reconectar com nossas próprias histórias de vida. Mais do que ficar só, aprendemos a estarmos juntos no ambiente virtual. De um dia para o outro, viramos observadores. Mas o que isso trouxe ao turismo? Talvez a maior revolução de todos os tempos: a revolução das coisas”.


Para ele, o turismo vinha vivendo no mundo dos serviços, com pouca inovação tecnológica. Precisou se conectar e, sobretudo, inovar para continuar existindo.


“O turismo começa a renascer diante de uma constatação: o quanto a tecnologia pode avançar para promover o contato e as novas relações humanas. O homem e a máquina passam a atuar conjuntamente na vanguarda desse negócio. O turismo será focado no retorno do toque humano aliado à tecnologia”, diz.


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