Cada prédio será analisado e traçada uma solução, entre o congelamento da inclinação e o reaprumo (Alexsander Ferraz/AT) As obras dos canais em Santos, com base em projeto de Saturnino de Brito, têm mais de 100 anos. Pois revisitá-las e, sobretudo, atualizá-las, levando em conta as mudanças climáticas e a necessidade de um novo planejamento estratégico de drenagem nas áreas da orla, intermediária e central da Cidade, é um dos focos da parceria que será firmada entre a Prefeitura e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a elaboração de estudos que balizem futuras obras nessas áreas de drenagem e macrodrenagem, em resposta ao avanço das mudanças climáticas. O outro é o congelamento da inclinação ou reaprumo dos prédios tortos da orla. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A gente sabe que as mudanças climáticas são irreversíveis. Temos projetos de infraestrutura para a Zona Noroeste, como a construção de estações elevatórias, e para os morros, com a contenção das encostas, por exemplo. Quanto às demais áreas da Cidade, pensamos em revisitar o projeto de Saturnino de Brito. Nós já temos o potencial dos canais e de tantas coisas que foram feitas, mas precisamos avançar”, afirma o prefeito Rogério Santos (Republicanos). Ele se reuniu, na sexta-feira, com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante - o encontro foi intermediado pelo deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). Segundo o prefeito, o banco estatal possui expertise nesse tipo de processo, inclusive com acesso a consultores internacionais. O BNDES tem um fundo específico de R\$ 20 bilhões, o Fundo Clima, para projetos, estudos e financiamento de empreendimentos que tenham como objetivo a mitigação das mudanças climáticas. “Queremos buscar soluções de obras de engenharia que possam ser feitas baseadas em experiências internacionais”, ressalta. De acordo com o prefeito, o secretário de Governo de Santos, Fábio Ferraz está responsável de atuar junto aos técnicos do BNDES, trocando informações para a formalização do convênio. “A expectativa é assinar o convênio mais rapidamente e, até o fim do ano começar, o início dos estudos”, destaca. Obras de drenagem e macrodrenagem serão executadas para reduzir efeitos das mudanças climáticas (Alexsander Ferraz/AT) O que pode ser feito Rogério Santos lembra que as circunstâncias deste tipo de obra da infraestrutura são diferentes para a Zona Noroeste e a orla por exemplo. “As estações que foram planejadas para a Zona Noroeste ficam à beira principalmente de rios. No caso da orla, é à beira-mar, algo muito mais complexo”, frisa. "É um projeto de interesse do BNDES, dentro dos seus princípios e finalidades. O que a gente vem buscando é uma parceria nesse sentido”, pontua. Prédios tortos Rogério Santos entende que o estudo também possa contemplar a questão dos prédios tortos da orla. Cada prédio será analisado e traçada uma solução, entre o congelamento da inclinação e a busca pelo reaprumo. “A partir de estudo de cada prédio, a gente buscaria uma solução para que esses condomínios que consigam a solução financeira para poder realizar a obra. A ideia é fazer esse diagnóstico caso a caso, e daríamos apoio aos condomínios para que buscam a solução e consigam esse financiamento a um custo e juros menores, através do próprio banco”. Ele ressalta o apoio do deputado Paulo Alexandre Barbosa para a viabilidade da parceria entre Prefeitura e BNDES. “A busca de recursos também depende do Congresso. Sua atuação ajudará a dar celeridade”. Mercadante Rogério Santos destacou o empenho do presidente do BNDES, o santista Aloizio Mercadante, para que a parceria entre o Município e o banco de fomento estatal saia do papel. “É um ponto a favor, ele conhecer toda a capacidade, inclusive quando ele coloca o fato de ser uma cidade universitária, então ter potencial acadêmico para dar suporte a esses estudos. Fora a realidade que ele conhece bem termos de Baixada, cidades que vivem no nível do mar”, aponta.