Santos às Cegas, um tour de bike inclusivo pela orla da praia

Projeto vai proporcionar novas experiências a deficientes visuais

Por: Egle Cisterna  -  16/01/21  -  23:30
O Emissário Submarino, com a escultura da artista Tomie Ohtake, é um dos pontos visitados
O Emissário Submarino, com a escultura da artista Tomie Ohtake, é um dos pontos visitados   Foto: Carlos Nogueira/AT

Juntar bicicleta, experiência cultural e inclusão pode parecer para muitos uma mistura bem inusitada, que não dá liga de forma alguma. Mas um projeto que vai ser lançado na orla santista prova que, com o tempero certo, estes três ingredientes têm muito em comum e podem ser uma oportunidade divertida para quem nunca teve a chance de provar essas experiências. É o projeto Santos às Cegas, que fará trilhas em uma bicicleta especial pelos monumentos da orla da praia a partir do dia 25.


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A ideia é do professor universitário, líder de projetos de inovação cidadã, que, há quatro anos, atua e pesquisa a temática da inclusão, sobretudo com a deficiência visual, Renato Frosch, que conduzirá uma bicicleta triciclo dupla, num trecho entre o Emissário Submarino e o Aquário Municipal, sempre com um passageiro.


Em seis pontos do trajeto de cinco quilômetros, haverá uma parada para apresentar monumentos e espaços da arquitetura urbana, dentro de uma narrativa que usa réplicas em miniatura destes locais produzidas digitalmente em impressão 3D, o que permite que cegos e pessoas com baixa visão possam tocar e compreender as formas.


Entre os locais que serão visitados estão o monumento da artista plástica Tomie Ohtake para os 100 anos de imigração japonesa, no Emissário Submarino; as muretas dos canais e da orla; o farol; e a caravela do monumento aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, na Ponta da Praia.


Os participantes também poderão 'ver' a maquete da praça que fica na orla, na direção da Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão, e a cobertura do Edifício Verde Mar, do arquiteto Artacho Jurado.


“Já venho há algum tempo trabalhando com pessoas com deficiência visual e sempre quis cruzar esse público com bicicleta, minha outra paixão”, explica Frosch, que complementa: “Esse não é só um passeio para os participantes, mas também fazer um resgate dos monumentos, não apenas para quem tem algum tipo de deficiência.


Do ponto de vista da atratividade, hoje, um monumento perde para uma criança com celular. As pessoas videntes passam por eles e nem sempre o percebem. E a orla de Santos é um ponto ideal, pois é uma grande galeria de arte a céu aberto”.


Para além da praia


Frosch quer que essa iniciativa, que está sendo realizada com recursos do Prêmio Alcides Mesquita, edital de fomento da prefeitura de Santos, com apoio da Associação Comunidade de Mãos Dadas (ACMD), seja ampliada para outros pontos além da orla e para outras cidades do país. Para isso, ele deve ir em busca de recursos.


Por conta da pandemia, ele reforça que segue todas as medidas sanitárias de segurança, com apenas uma pessoa por passeio e higienização completa do triciclo e réplicas a cada passeio. O número de participantes será restrito.


Os interessados podem entrar em contato com o Renato pelo e-mail santosascegas@gmail.com. Na próxima semana, ele fará alguns passeios de teste com convidados e o projeto está aberto ao público a partir do dia 25 e segue até 21 de fevereiro, em horários pela manhã e à tarde.


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