Santa Casa inicia limpeza de terreno do antigo prédio do Escolástica Rosa, em Santos

Moradores do entorno relatam temor com abandono do espaço; parte do telhado de uma das construções do complexo teria cedido na última terça

Em meio à crescente apreensão de moradores do entorno, a provedora da Santa Casa de Misericórdia de Santos (SCS) deu início, nesta terça-feira (10), à limpeza do terreno onde funcionava a Etec Dona Escolástica Rosa, no bairro Aparecida, em Santos. Serviços de capinação do lote, retirada de entulho e eliminação de pragas devem ser concluídos em até quatro semanas, avaliam os responsáveis da equipe que trabalha no local.

A ação acontece uma semana após vizinhos relatarem a queda de parte do telhado de uma das construções, o que trouxe temor a residentes próximos. A limpeza e desobstrução da área de 17 mil metros quadrados antecipa a fase de avaliação do centenário imóvel.

O diretor administrativo e financeiro da instituição filantrópica, Augusto Capodicasa, explica que o objetivo é avaliar o atual estágio de deterioração do imóvel e, assim, dar início ao planejamento para as obras de infraestrutura.

Os restauros do imóvel principal e da capela em homenagem a Dom Bosco listam como prioritários. “Trata-se de um local que ficou mais de 50 anos sob a responsabilidade do estado [por meio do Centro Paula Souza]. Período no qual foram realizadas alterações e novas construções no projeto inicial [do imóvel]”, diz o gestor.

Até o fim de 2018, o casarão em frente à praia era ocupado pela unidade da Escola Técnica Estadual (Etec) Dona Escolástica Rosa e a Faculdade de Tecnologia para a Baixada Santista (Fatec). Devido ao estado de deterioração do imóvel, o Ministério Público do Trabalho entrou com um pedido para desativar a unidade de ensino. Atualmente, as duas instituições estão alocadas em um imóvel no Centro de Santos.

Naquela ocasião, o imóvel apresentava pontos de umidade, infiltração e áreas interditadas por risco de queda de material. Um laudo feito à época, pela Seção de Vigilância e Referência em Saúde do Trabalhador, apontou irregularidades relacionadas à estrutura do imóvel. A situação se mantém, sendo acrescida da vegetação sem corte e entulho deixado após a mudança das instituições de ensino.

Capodicasa afirma que técnicos da SCS deram início a pesquisas históricas e culturais para nortear o restauro do imóvel. “Houve mudanças na arquitetura e décadas que o casarão não passa por reformas, há mais de 40 anos. Estamos estudando as plantas originais, feitas pelo escritório de arquitetura Ramos de Azevedo”, diz.

O diretor não estima as cifras necessárias à reformulação do espaço. Em entrevista para A Tribuna, em janeiro passado, o provedor da SCS Ariovaldo Feliciano avaliou que a restauração completa do imóvel teria custo acima de R$ 70 milhões. Uma parceria com a iniciativa privada é indicada como alternativa para tirar a obra do papel. “A Santa Casa não pretende vender o casarão e a capela. São patrimônios da sociedade santista”, destaca Capodicasa.

Planos para o futuro 

Uma das ideias de ocupação do local foi sugerida pelo governador João Doria (PSDB). Em setembro passado, o político revelou um projeto para instalar um hotel escola de luxo no imóvel. As áreas anexas ao casarão poderiam abrigar espaços comerciais.

Capodicasa afirma não ter sido procurado pelo estado. “Qualquer plano de utilização do imóvel deverá atender ao testamento [do João Octávio dos Santos] e com a responsabilização para a manutenção do espaço”, diz.

Ao fazer a doação do espaço para a Santa Casa, João Octávio exigiu que na área fosse erguido um centro de formação profissional e cultural a jovens carentes. Desta forma, em 1° de janeiro de 1908, surgiu o Instituto Dona Escolástica Rosa, considerada a pioneira escola profissionalizante do país.

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