Santa Casa de Santos retoma mutirão de limpeza no Escolástica Rosa

O imóvel abrigou por décadas o Centro Paula Souza (CPS), do governo estadual; espaço foi interditado pela Justiça devido ao estado de deterioração

Suspensos pelas recomendações de isolamento social para frear a transmissão do novo coronavírus, os trabalhos de limpeza no imóvel Escolástica Rosa, no bairro Aparecida, em Santos, foram retomados. A ação é realizada pela Santa Casa de Santos (SCS), dona da histórica edificação que, por décadas, abrigou unidades de ensino do Centro Paula Souza (CPS), órgão de fomento à tecnologia do governo do Estado. 

A limpeza do local foi iniciada em 10 de março, mas teve que ser interrompida dias depois, devido a escalada de casos de Covid-19 em Santos. A fase inclui também a desratização e controle de pragas no local, alvo de reclamações de moradores vizinhos da construção. 

Com uma equipe formada por funcionários do próprio hospital, nesta primeira etapa do plano de atuação traçado pela instituição, já foram retiradas 113 caçambas de mato e entulho, que estavam espalhados por todo o entorno do terreno.  

Segundo a SCS, após a finalização deste estágio de limpeza, o hospital poderá avaliar a dimensão da deterioração do imóvel, que constitui uma área de 17 mil metros quadrados.  

Antes da epidemia chegar à Baixada Santista, no dia 13 de março, o provedor da SCS, Ariovaldo Feliciano estive no Escolástica Rosa vistoriando o imóvel. Na ocasião, ele lamentou a deterioração e situação de abandono no local.   

Centenária construção deve ser restaurada com recursos privados (Irandy Ribas/AT)

Foram observadas também algumas construções que parecem não fazer parte da obra histórica, pois são bem diferentes do estilo do prédio. Feliciano destaca que a SCS não irá vender o imóvel, e pretende colocá-lo à disposição da sociedade, respeitando seu grande valor histórico.  

Para isso, irá realizar um estudo técnico e histórico, fundamentado nas plantas originais de autoria do escritório do Dr. Ramos de Azevedo, engenheiro de grande prestígio da época, responsável pelo projeto arquitetônico do Escolástica Rosa. Já a concretização do restauro e recuperação do casarão dependerão da iniciativa privada, porém o provedor afirma estar confiante “em vencer mais este desafio, e devolver o brilho a este tesouro da Baixada Santista”.  

Histórico

Considerada a primeira escola profissionalizante do País, a unidade teve encerrado o contrato de locação com Estado, no final de 2018. Até então, abrigava a Escola Técnica (Etec) e Faculdade de Tecnologia Estadual (Fatec). A quebra do acordo foi pedida pela Santa Casa, após o Ministério Público do Trabalho (MPT) exigir que as atividades no local fossem paralisadas devido a péssima situação do imóvel. Desde março de 2019, as duas instituições de ensino funcionam no Centro de Santos.

Projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, o prédio foi inaugurado a 1 de janeiro de 1908 para abrigar e educar meninos pobres e órfãos. A destinação foi exigida por João Otávio dos Santos, que ficou rico como comerciante, cuja herança custeou as obras de edificação no local. Em 1931 o Governo do Estado de São Paulo assumiu a escola, em um terreno de de 7 mil metros quadrados, onde há também a Capela Dom Bosco. 

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