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Quarta-feira

15 de Julho de 2020

Restaurantes na Baixada Santista já demitiram mais de 30 mil funcionários após quarentena

Entidade que representa a categoria estima que pandemia reduzir em 20% o quadro de funcionários; no País, mais de 1 milhão de colaboradores do setor perderam emprego

Apesar do uso de aplicativos delivery, reforço nas equipes de entregas e compras antecipadas (para posterior consumação), os bares e restaurantes da região não conseguiram evitar o corte de mão de obras. Levantamento da entidade regional que representa o setor indica que o mercado formal nesse segmento encolheu 20% durante as regras mais restritivas de circulação de pessoas para conter a escalada do novo coronavírus na Baixada Santista. 

A estimativa do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SinHoRes) é que, ao menos, 30 mil postos de trabalho foram fechados nas cidades da região após a adoção da quarentena. Em todo o País, as associações que representam o setor estimam que ao menos 1 milhão de empregos formais já foram extintos, informa Associação Nacional dos Restaurantes (ANR).  

Segundo o presidente do SinHoRes, Heitor Gonzalez, o setor empregava cerca de 150 mil trabalhadores antes de ser afetado com a escalada no novo coronavírus. Sem condições de arcarem com as folhas de pagamento, os empresários do setor já fecham as portas na região ou negociam redução salarial.

Locais tradicionais e para um público um poder aquisitivo mais elevados foram os primeiros a sentirem os sinais da crise econômica gerada pela pandemia. No começo de maio, o Puerto de Palos, no Gonzaga, anunciou o fechamento da unidade, que por mais de 15 anos era referência na gastronomia argentina na Baixada Santista. A premiada adega do estabelecimento foi colocada à venda para arcar com as despesas com multas e rescisões trabalhistas. 

Nesta semana, o tradicional restaurante de comida japonesa NagasakiYa decidiu encerrar as suas atividades em seu espaço físico. O espaço passa a atender apenas com o serviço de delivery. A mudança se deve à crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Essas unidades fazem parte dos 11,6%, segundo pesquisa da ANR, que já encerraram as atividades. 

Conforme a entidade a tendência é que mais unidades anunciem cortes nos próximos dias, caso a quarentena seja mantida por mais tempo. Isso porque, atualmente, três de quatro dos restaurantes já precisaram demitir desde o início da crise.  

Para pagar os salários de maio, os empresários do setor recorreram à Medida Provisória (MP), do governo Federal, que autorizou suspensão de contratos ou redução de jornada e salários, com compensação paga pela Uniçao, para o enfrentamento da crise econômica trazida pela pandemia.  

Dados da ANR citam que 75,89% dos empresários afirmaram que iriam usar esse acordo para a folha de pagamento do mês de maio. Já 14,29% iriam buscar crédito para o pagamento das contas. Apenas 9,82% afirmaram que pagariam normalmente os salários de maio. Em março, o índice dos que conseguiram pagar 100% da folha de pagamento havia sido de 76,99%. 

  

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