EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

13 de Dezembro de 2018

Remoção de árvore é criticada por moradora de Santos: 'Marcada para morrer'

Conhecida como 'árvore-da-borracha', planta será removida do local devido às obras da entrada da Cidade

Após a retirada de 79 palmeiras imperiais da Avenida Martins Fontes, a remoção das árvores existentes ao longo da Via Anchieta, em Santos, devido às obras da entrada da Cidade, gera críticas por parte de uma moradora. Agora, uma planta está, assim como outras, marcada para ser cortada. 

Com interdições iniciadas na segunda-feira (3), necessárias para a construção de novos viadutos, outras árvores começaram a ser literalmente ‘marcadas’ para morrer. Uma delas chamou a atenção da representante comercial Vera Kinjo, que passa todos os dias pelo Jardim São Manoel, em um trecho conhecido como 'Trevo do Bigode'.

"Primeiro vi outras árvores sendo derrubadas, como as palmeiras e, depois, no São Manoel, várias outras grandes caindo. Comecei a prestar mais atenção nisso e notei que várias têm marcas de tinta, indicando a remoção", diz.

Moradora da Ponta da Praia, em Santos, ela passa pela planta, conhecida como ‘árvore-da-borracha’, todos os dias, já que trabalha no Jardim Casqueiro, em Cubatão. “Um dia, parei quando vi tratores perto dela, e trabalhadores da obra disseram que ela seria derrubada na próxima semana”, conta ela, que também foi informada por representantes ambientais de que a árvore tem cerca de 110 anos.

Vistosa, árvore recebeu marcas indicando remoção, que deve ocorrer na próxima semana (Foto: Vera Kinjo)

Espécie

De acordo com o paisagista Oswaldo Casasco, a árvore em questão é comum na região: trata-se de uma Ficus-elástica, conhecida com 'árvore-da-borracha'.

"Ela veio da região da Índia e Malásia, na década de 60. Era muito usada para decoração interna, não é daqui. Mas, depois, por crescer demais, as pessoas começaram a plantar por aí”, explica.

A árvore tem grande porte, copa avantajada e, no caso da localizada no Jardim São Manoel, é ‘vistosa’ e tem boa ‘saúde’. Casasco aponta que, mesmo assim, a remoção não deve impactar o ecossistema local.

"Ecologicamente, ela só tem efeito cênico. Não dá frutos, apenas sombra e acaba sendo invasora devido ao porte. Há várias delas espalhadas pela Cidade. E por ser de fora, não temos bactérias específicas para decompor as folhas, que quando caem, causam muita sujeira”, justifica.

Palmeiras imperiais da Avenida Martins Fontes foram retiradas em novembro (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Compensação

A Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e responsável pela obra, diz que as remoções, inclusive a citada pela Reportagem, estão licenciadas. Serão 7.350 mudas de espécies nativas doadas, além de enriquecimento ambiental em uma área de 2,3 hectares, com a previsão de plantio de 1.230 mudas nativas ao município.

“Não adianta remover estas árvores, como as palmeiras imperiais, e colocar ‘mudinha’ pequena. Que seja para retirar uma árvore grande como essa e replantar dez mudas grandes”, justifica Casasco.

Apesar de reconhecer a necessidade da remodelação viária da entrada de Santos, Vera diz não concordar com a maneira como as plantas têm sido tratadas. “Me questiono. Sei que é preciso [a obra], mas não ao certo se houve tentativas de poupá-la, de se criar desvios. Sempre que optamos por um caminho, há perdas e ganhos”.