Relíquia ficará na Catedral de Santos, mas sem exposição constante (Alexsander Ferraz/ AT) A fé no beato Carlo Acutis, conhecido como padroeiro da internet, ganhou uma representação concreta desde domingo (25), em Santos. A relíquia, composta de um pedaço de cabelo do jovem que está prestes a ser canonizado, foi exposta aos fieis que foram à missa na Catedral, celebrada pelo bispo coadjutor da Diocese de Santos, dom Joaquim Mol Guimarães. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Trazida diretamente da cidade de Assis, na Itália, a relíquia ficará na igreja, mas sem exposição constante, conforme explica o pároco da Catedral, padre José Myalil Paul. “Não é estilo da igreja, para não desviar a atenção. Jesus é o centro da nossa vida”. Segundo ele, a importância de ter algo que remeta ao jovem que morreu em 2006, aos 15 anos, é enorme. A devoção à eucaristia foi sacramentada em um site lançado poucos dias antes de sua morte. Porém, a semente da fé católica estava lançada. “Hoje, colocamos a vida desse santo no coração de muitos, daquele que já o segue na sua devoção, e para quem ainda não a tem, para incentivá-la, mas também a Jesus e sua igreja”, afirma. Comunicação Dom Joaquim Mol destacou a capacidade agregadora de Carlo Acutis, mas alertou para o perigo de se colocar os elementos de devoção à frente da figura de Cristo, o que ele chama de “devotização”. “A grande relíquia que nós temos é a cruz de Cristo, porque nos remete a Ele quando está crucificado, na entrega da sua vida por amor. É muito importante não perder a fonte, pois existe um exagero tão grande, com as devoções, que perdeu o foco principal”, pondera. Para ele, Acutis representa um ponto de comunicação, especialmente com os mais jovens - mas não só eles. “Ele tinha apenas 15 anos, adoeceu, morreu muito rápido. E se estabelece uma nova forma de comunicação. Talvez não seja a mais atual, mas intermediária, porque as coisas evoluem rapidamente. Ele será um exemplo de comunicação para um grupo que está bem identificado desta forma e que chama seus seguidores para dar o passo adiante”. Fé e missão Logo na primeira fila da missa, um casal tinha olhares bem especiais para a relíquia de Carlo Acutis. O editor e livreiro Vitor Tavares, de 62 anos, e sua esposa, a professora Maria Rocha, de 52, são da Capital e foram até Assis buscar a peça sagrada. Eles, que compareceriam à canonização em Roma, no dia 27 de abril, adiada por conta da morte do papa Francisco, encaram a tarefa executada como uma missão e uma resposta à fé deles. “Vimos surgir um jovem, com poucos anos de vida, deixando um legado grande na evangelização, por meio da Eucaristia. Os mais novos precisam de referências, acreditar mais aquilo que nos conforte a alma, o corpo e o espírito”, diz Vitor. Vitor Tavares e a esposa, Maria Rocha, foram até Assis, na Itália, buscar a relíquia de Carlo Acutis (Alexsander Ferraz/ AT) A identificação com o italiano, que morreu de leucemia, deu para Maria a certeza de que, com fé no beato, as chances da cura de um câncer seu seriam maiores. E assim foi. “Não foi um pedido, mas uma missão (ir à Itália). Eu só tenho a agradecer, faria qualquer esforço para estar lá”, sintetiza.