Tamanhos dos automóveis tipo SUV traz um novo desafio ao planejamento urbano (Alexsander Ferraz/ AT) O aumento na frota de veículos, especialmente os da categoria SUV, tem revelado um fenômeno novo, especialmente diante de vias cada vez mais cheias de carros: a largura deste modelo é inversamente proporcional às dimensões das ruas por onde circulam. Não são poucos os casos onde eles “dominam” a cena, em detrimento de modelos menores ou mais antigos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! ara se ter uma ideia: há 50 anos, o carro mais vendido no Brasil era o Fusca, da Volkswagen, que tinha 1,54 metro (ou 154 centímetros) de largura. Hoje, a picape Strada, da Fiat, tem largura de 173,2 cm. Enquanto isso, os SUVs ocupam cada vez mais espaço: o novo Tera, da VW, tem largura de quase 2 metros (198,6 cm). Existem outros mais ‘estreitos’, como Corolla Cross, da Toyota (182,5 cm), e Hyundai Creta (179 cm). Para o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos), Antônio Carlos Silva Gonçalves, o quadro ainda não gera preocupação, embora reconheça que as dimensões das vias são desafiadas a cada aumento de frota (confira abaixo os tamanhos das vias da Cidade). “As vias são extremamente estreitas. Cerca de 60% das ruas em Santos têm seis metros de largura ou menos. Já as grandes avenidas interligam a praia ao centro ou à região intermediária são os canais, que têm algo em torno de 7,2 metros, 7,3 metros. Uma faixa de rolamento conta com 2,3 metros. É um problema, mas se acomoda na largura das faixas de direção, Não é por causa do tamanho (do carro) que você vai ter mais ou menos congestionamento”. Ele faz uma observação sobre as SUVs e a passagem pelas lombadas. “O que a gente está reparando é que as lombadas não estão dando o mesmo efeito que antigamente. Esse tipo de carro é alto, e o motorista passa na lombada sem diminuir a velocidade da forma como a gente pretendia. Antes, como os veículos eram baixos, o motorista tinha que parar. Hoje, os maiores passam em uma velocidade acima do que a gente queria”. Raios-x do trânsito A solução para o trânsito, segundo ele, passa pela junção de três fatores capazes de atrair os usuários de veículos particulares para o transporte público, diminuindo a frota nas ruas: segurança no sistema, conforto e pontualidade. “Ele tem que ter segurança quando entra no veículo. Hoje, em Santos, os veículos não têm a cobrança interna - a grande maioria é na bilhetagem eletrônica; sobre conforto, os ônibus em Santos são relativamente novos (3,2 anos de média); e você precisa ter pontualidade no sistema. Aí está o desafio”. Gonçalves entende que uma das causas da perda de fluidez no trânsito está no elevado número de carros nas ruas, muitos deles oriundos de outras cidades. “Só com os veículos de Santos, a média é de 1,5 habitantes por veículo. Mas, por exemplo: na divisa com São Vicente, diariamente no horário de pico, são 3 mil veículos entrando na praia, outros 2,5 mil na Avenida Nossa Senhora de Fátima, mais 3 mil pela Avenida Martins Fontes. É preciso pensar de uma forma mais eficiente para falar de mobilidade”. Entre as opções para atenuar a situação, de acordo com o presidente da CET-Santos, estão restrição de estacionamento, sincronismo semafórico e adequações de alguns impeditivos - como ponto de ônibus ou pontos de táxi. “A gente aposta em algo que não muda de uma hora para outra: o hábito. Largar o veículo e ir para o transporte coletivo. Quando a gente tiver uma pontualidade de sistema, melhora muito. Você precisa ofertar e as pessoas precisam acreditar”. O cenário em Santos Canal 1: no sentido praia, a via possui 7,1 metros. No sentido Centro, 7 metros. Canal 2: em direção à praia, a largura da pista é de 7,1 metros. No sentido contrário, 8,2 metros. Canal 3: a via apresenta 7 metros no sentido praia e 7,1 metros no sentido Centro. Canal 4: próximo à praia, no sentido praia, a largura é de 6,05 metros, enquanto no trecho Galeão Coutinho x Ministro João Mendes, no sentido Centro, é de 6,4 metros. Canal 5:no sentido praia, a via mede 6,15 metros próximo à Rua Ministro João Mendes. No sentido Centro, possui 7,5 metros entre a Rua Liberdade e a Avenida Afonso Pena. Canal 6: a largura é de 7,5 metros no sentido praia e de 7 metros no sentido Centro. Canal 7: próximo à praia, a largura na pista sentido praia é de 7 metros, enquanto no sentido Centro ela cai para 6 metros. Avenida Ana Costa: 9,6 metros. Avenida Conselheiro Nébias: 7,3 metros no sentido praia e 7,35 metros no sentido Centro. Rua Carvalho de Mendonça: apresenta variações ao longo do percurso, como 8,7 metros entre o Canal 2 e a Avenida Ana Costa, 9 metros entre a Avenida Senador Feijó e o Canal 3, 10,6 metros no trecho próximo à Avenida Moura Ribeiro; e 11,8 metros entre o Canal 1 e o Canal 2. Avenida Francisco Glicério: na pista sentido Ponta da Praia, a largura é de 9,05 metros; já no trecho que leva ao José Menino, 9,1 metros. Avenida Epitácio Pessoa: 9,1 metros. Avenida Pedro Lessa: no sentido José Menino, a via possui 7,6 metros; no lado oposto, 7,4 metros. Avenida Afonso Pena: 10,6 metros. Rua Joaquim Távora: 9 metros. Fonte: CET Santos