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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Professora santista supera novo coronavírus após 23 dias internada na UTI

Na luta contra a Covid-19, Margaret Pereira Valente passou por momentos de angústia e teve medo de morrer

Angústia, medo de morrer, depressão. Estes foram apenas alguns sentimentos vividos por Margaret Pereira Valente, 50 anos, professora de Educação Especial e de Língua Brasileira de Sinais (Libras) que sobreviveu à covid-19. Depois de ficar 45 dias internada – 23 deles na UTI –, a moradora de Santos está recuperada e pronta para “viver a nova vida, com todos os cuidados necessários”.

O drama teve início em 23 de março, com tosse, falta de ar, dores no corpo, cansaço e enjoos, mas sem febre. Ela foi a um pronto-socorro, onde lhe receitaram um medicamento. Voltou para casa, mas não melhorou. Três dias depois, retornou ao PS. Após uma tomografia, o resultado: pneumonia nos dois pulmões.

“Só me lembro de ir para a tomografia. Quando acordei, já estava no respirador. Fui transferida direto para a UTI do Hospital dos Estivadores”, conta Margaret, que é asmática, hipertensa e diabética. Aliás, seu diabetes chegou a 450 mg/dl (o normal é até 100mg/dl).

“Foi tudo rápido. Quando me vi na UTI, estava com o respirador. Foram usados quatro ou cinco tipos de antibióticos, anticoagulante. Injeções o tempo todo, na barriga e braços. Fiquei roxa. Tive momentos de angústia, depressão e pensamentos de morte, pois não melhorava”.

Temores

Segundo Margaret, os boletins médicos eram assustadores, assim como os intermináveis 23 dias na UTI, isolada de tudo e de todos. A solidão só era amenizada quando a equipe médica cuidava dela. 

“Tive um atendimento excepcional. Médicos, enfermeiras e técnicas de enfermagem, todo o tempo. As fisioterapeutas, maravilhosas. O quarto era limpo umas quatro vezes ao dia”, recorda-se a professora, que também não esconde a gratidão em especial por uma faxineira “maravilhosa, que todos os dias entrava no quarto com sorriso e me animava com muita fé”.

Aliás, quando saiu da UTI, a Bíblia era a maior companheira de Margaret, que é cristã há 24 anos. “Já na enfermaria, fiquei lendo a Bíblia e tentando lembrar de bons momentos. Mas foram dias que minha fé foi muito abalada”, admite, pois seu estado era de altos e baixos. “Tinha dia que melhorava, depois vinha uma bomba. Minha família só pensava no pior”.

Margaret também se recorda que ficou meio confusa durante a internação. “Nosso cérebro fica louco. Me lembro que teve um período que eu não conseguia fazer contas”.

Ela também foi submetida a um experimento, com uma máscara diferente, “que me deu muita agonia” e cobria todo o rosto. A aflição era tanta que Margaret pediu para a médica não sair do lado dela. Foi quando uma técnica ficou junto com ela, de mãos dadas. “Ali ela cantou louvores pra mim, falou passagens bíblicas. Ficou de mãos dadas o tempo todo”.

Lições

E o que fica de lição de todo esse drama? “Pude ver o quanto tem pessoas que me amam. Que oraram por mim, que sofreram essa dor comigo. Para Deus, nada é impossível”, acredita Margaret, que agora só pensa em curtir seu companheiro Cristiano dos Santos e a família.

Com 10 kg a menos e cumprindo à risca todos os cuidados prescritos pelos médicos e fisioterapeutas, Margaret também já adotou um novo estilo de vida, fazendo exercícios e se alimentando melhor. E faz um alerta a todos. “As pessoas devem agir com responsabilidade. Se cuidar e se prevenir são atitudes de amor ao próximo e respeito”.

“Esse novo vírus faz vários males ao organismo. Debilita as partes motora, respiratória, emocional... Tudo fica comprometido. Sem falar no sofrimento de familiares e amigos. Tenho certeza que Deus deu graça a todos e esteve conosco o tempo todo. Deus me deu uma nova chance. Agora é viver a nova vida!”.

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