Além da caipirinha tradicional, é possível encontrar receitas de Rabbit premiadas internacionalmente no quiosque na praia de Santos (Alexsander Ferraz/ AT) Com o aumento das temperaturas e o maior tempo de exposição ao sol, o verão altera o comportamento de consumo de bebidas, especialmente em cidades litorâneas. Para o mixologista Rogério Rabbit, referência nacional na área e responsável pelo primeiro quiosque de caipirinha do Brasil, o Rabbit Caipirinha de Origem na Garrafa, localizado na praia de Santos, no litoral de São Paulo, a estação favorece drinques mais leves, refrescantes e com menor teor alcoólico, cenário em que a caipirinha se destaca pela versatilidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O verão é uma estação que convida ao consumo de bebidas mais leves, refrescantes e associadas ao lazer ao ar livre. Para o mixologista Rogério Rabbit, esse comportamento é quase natural. “O verão é uma estação convidativa. As pessoas estão na praia, ficam mais tempo no sol e acabam se desidratando. Então, é normal haver um consumo maior de bebidas, de todos os tipos. Isso é muito característico da estação”, afirma. Segundo Rabbit, o ideal, do ponto de vista técnico, é priorizar bebidas com menor teor alcoólico no verão. “O ideal seriam bebidas refrescantes, com baixo teor alcoólico, bastante suco, frutas e líquidos. Os chamados long drinques funcionam muito bem nesse contexto”. O mixologista observa que o comportamento do público varia bastante. “É complicado categorizar, porque as pessoas são diferentes, têm hábitos diferentes. Aqui (no quiosque de Santos) tem de tudo. Algumas preferem bebidas mais doces, outras menos. Não existe uma regra”. Encaixe perfeito A caipirinha, para Rabbit, se encaixa perfeitamente neste cenário. “A caipirinha é um drinque perfeito. Você pode tomar como aperitivo, pode acompanhar uma refeição, principalmente comidas mais gordurosas, como feijoada ou churrasco, mas ela também cai perfeitamente com peixes, frutos do mar e combina muito com praia”. Entre as criações mais comentadas de Rabbit está a caipirinha de panetone, que surgiu sem planejamento prévio e está disponível no quiosque colado ao Canal 2, no Gonzaga, em Santos. “Ela não surgiu por um pedido de cliente ou por necessidade. Surgiu porque eu adoro panetone. Para mim, panetone é porção única. Eu não consigo comer só uma fatia”, conta. A ideia começou a ganhar forma após o mixologista receber um panetone artesanal feito em Santos. “Quando eu provei, falei: faz muito tempo que não comia um panetone tão bom. Achei que as pessoas precisavam conhecer aquilo, mas a ideia ficou guardada”. Foi apenas no verão seguinte que a receita tomou corpo. “Tinha um grupo de clientes aqui que já tinha bebido tudo do cardápio. Eles perguntaram o que dava para beber agora. Eu lembrei que tinha esse experimento e resolvi preparar. Eles acabaram com tudo. Foram umas 15 ou 18 caipirinhas. Ali, eu percebi que a receita estava pronta”. Teste, erro e rigor Rabbit diz que a experimentação faz parte do momento atual da mixologia, mas faz uma ressalva. “A gente vive uma fase de muita experimentação. Há coisas muito legais acontecendo, mas também tem muita intervenção e pouca entrega. Às vezes, a ideia é boa, mas a execução não acompanha”. No quiosque de Santos, segundo ele, o processo é diferente. “As experiências são testadas exaustivamente. Quando a gente coloca no cardápio, já está 99% pronto. A margem de erro é muito pequena”. Essa atenção aos detalhes, segundo o mixologista, faz diferença para o público. “A qualidade está em primeiro lugar. A escolha dos ingredientes, a técnica, a execução. Um clássico malfeito pode ser muito decepcionante”. Clássico que surpreende Mesmo com tantas versões autorais, Rabbit afirma que a caipirinha clássica ainda causa impacto. “Muita gente acha que a caipirinha de origem é mais do mesmo, mas quando prova se surpreende. Ela é equilibrada, você sente todos os sabores, não fica aquele excesso de açúcar no fundo”. Para o mixologista, o problema está menos na bebida e mais na valorização cultural. “O brasileiro ainda tem um complexo de vira-lata. Durante muito tempo, a maior parte das caipirinhas consumidas no Brasil era feita com vodca. Isso está mudando, mas o próprio brasileiro ainda desvaloriza a caipirinha”. Sobre a receptividade, Rabbit percebe diferenças geracionais. “O público mais jovem está mais predisposto a experimentar coisas novas. As pessoas mais velhas já têm um paladar mais consolidado. Não é que não experimentem, mas é menos frequente”. Ainda assim, ele diz que a curiosidade prevalece. “As pessoas querem novidade. Aqui, eu tenho tido bastante reciprocidade. Tem gente que topa qualquer loucura que eu faça”. Experiência além do bar Rabbit faz questão de diferenciar o quiosque na praia de Santos de um bar tradicional. “Nós não somos um bar. Somos um quiosque de caipirinha na praia. É outro ambiente, mais descontraído, informal, mas isso não significa beber qualquer coisa ou ser atendido de qualquer maneira”. Segundo ele, a proposta é oferecer rigor sem rigidez. “Temos atenção aos detalhes, qualidade, hospitalidade, mas de uma forma mais amistosa, sem pretensão. A ideia é que as pessoas se conectem com a natureza, com a praia, e vivam uma experiência diferente”.