[[legacy_image_614]] Três meses após a mudança no comando, a Caixa de Assistência ao Servidor Público Municipal de Santos (Capep-Saúde) reduziu em 40% o volume de dívidas com fornecedores – hospitais e clínicas. A autarquia, no entanto, deve encerrar 2018 com deficit superior a R\$ 10 milhões. O órgão finaliza um plano de racionalização de recursos e serviços, sem impactar no atendimento. Os números e projetos foram apresentados na manhã de ontem pelo presidente da Capep-Saúde, o economista Adriano Luiz Leocádio, durante audiência pública na Câmara. Segundo o gestor, a redução nas dívidas – em torno de R\$18 milhões até outubro passado – foi possível com a quitação de débitos da municipalidade ao órgão (R\$ 5 milhões) e ajustes internos. “Demonstramos nos primeiros meses de trabalho que estamos no caminho, mas temos muito a perseguir”. Leocádio assumiu o órgão após a exoneração do ex-presidente, Eustázio Alves Pereira Filho, em novembro passado. Na ocasião, a dívida com fornecedores fez com que a rede credenciada se negasse a atender os cerca de 27 mil mutuários. Fila O impasse gerou uma fila superior a 860 cirurgias represadas. Atualmente há 220 procedimentos aguardando o aval do órgão, com espera superior a 85 dias. “2017 foi um ano difícil para a Capep, houve um descontrole tanto na receita quanto nas despesas”, diz o atual presidente. Ele cita como exemplo o aumento de 21% em procedimentos acima de R\$ 100 mil – saltando de 80 pacientes, em 2016, para 97, em 2017. “Isso evidencia falta de controle de gastos”. Ele afirma que a autarquia registrou em outubro passado o pior cenário econômico: teve despesas superiores a R\$ 8 milhões para uma receita de R\$ 6,6 milhões.“Saímos de um resultado negativo de R\$1,6 milhão para um saldo de R\$ 1 milhão em janeiro”. A direção da Capep descarta realizar auditoria nas finanças e contratos firmados nos anos anteriores. Leocádio diz que essa ação já é realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCESP) – que já reprovou os balanços anteriores da autarquia– e Justiça. Isso porque o Ministério Público Estadual (MPESP) acolheu denúncia dos sindicatos dos servidores santistas para analisar o aumento da dívida. Envelhecimento Segundo o órgão, dois de cada cinco reais são gastos para o atendimento de beneficiários com idade acima de 60 anos. O grupo representa 26% dos usuários e apenas no ano passado foi responsável por R\$ 37milhões em gastos.“Há um aumento anual nessa faixa por que os gastos (médicos) são maiores”. Leocádio destaca a importância de ações de prevenção de saúde. Exemplifica com a ampliação de 5% na quantidade de consultas eletivas – que passou de 92,8 mil em 2017, para 97,8 mil no ano passado. “Quem se cuida antes gasta menos no futuro”. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), Flávio Saraiva, cobrou a realização de exames periódicos para os 12 mil trabalhadores da ativa. “Qualquer empresa minimamente responsável faz isso. É uma forma de descobrir tragédias que só aparecerão no futuro”. Leocádio revelou planos de oferecer esse serviço à municipalidade. “Temos corpo técnico capacitado, mas devemos ser remunerados”,garante.