Projeto prevê a retirada de fios inativos, rompidos ou irregulares (Vanessa Rodrigues/AT) Com objetivo de reduzir a poluição visual, melhorar a organização da rede de telecomunicações e aumentar a segurança de pedestres, motoristas e ciclistas, a Prefeitura de Santos e a concessionária de energia elétrica CPFL Piratininga iniciaram o projeto de ordenamento de cabos aéreos na Rua João Pessoa, no Centro. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A iniciativa, que vai até 5 de agosto, prevê a retirada de fios inativos, rompidos ou irregulares ao longo de 1,7 km de rede, que se estende por 164 postes. O trabalho é realizado em parceria com as operadoras de telecomunicação — que têm contratos de compartilhamento da infraestrutura com a CPFL — e atende à Resolução Conjunta nº 1 das agências reguladoras Aneel e Anatel. Além de um mutirão de limpeza e fiscalização, o projeto é também um piloto para experiências que a Prefeitura pretende replicar em outros pontos da Cidade. Por que a Rua João Pessoa? O secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de Santos, Fabrício Cardoso, explicou que a escolha da Rua João Pessoa se deu por ser uma via já parcialmente organizada por conta das obras elétricas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), facilitando a execução inicial sem grandes atrasos. “Tudo precisa ter um pontapé inicial. Na João Pessoa já havia uma pré-limpeza da fiação na época das obras do VLT, então é uma via mais fácil de trabalhar e serve como piloto para a gente entender o volume de cabos a ser retirado, os desafios logísticos e se é possível cumprir os cronogramas”, disse Fabrício. Segundo o secretário, a Rua João Pessoa também foi escolhida por fazer parte do traçado da segunda fase do VLT, que deve começar a operar neste segundo semestre. Ele também reforçou que a iniciativa garante um ambiente urbano mais confortável, do ponto de vista visual. “Há tempos a cidade se incomoda com os cabos largados, que são um problema não só estético, mas também de segurança. Hoje vemos todos os parceiros trabalhando juntos para corrigir isso”. O engenheiro Carlos Dadamos, da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, coordena a operação pela Comissão de Serviços Públicos (Comserp), com apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para minimizar impactos no trânsito durante as ações. Além da limpeza visual e do ganho de segurança para pedestres e condutores, estamos coletando os cabos removidos para quantificar exatamente o impacto dessa ação, algo que ajudará a planejar as próximas etapas”, explicou Dadamos. As operadoras tiveram um prazo prévio de dez dias para retirar por conta própria a fiação sem uso, mas a CPFL já está autorizada a remover os fios abandonados ou sem identificação. “Se os cabos não estiverem identificados ou forem constatados como abandonados, a CPFL pode cortar diretamente. A fiscalização posterior também vai garantir que as redes que permanecerem sigam os padrões técnicos e de segurança”, detalhou Cardoso. Segundo ele, até agora Vivo e Algar foram as primeiras operadoras a remover cabos, enquanto outras dez empresas apenas vistoriaram o local na última terça-feira devido à chuva. “Caso as empresas não retirem os cabos neste primeiro trecho, a CPFL executa a retirada”, explicou o técnico de obras e manutenção da CPFL, Gustavo Garcia Campos. Cronograma Dia 1º: trecho entre as ruas Dr. Cochrane e Constituição (39 postes); Amanhã: entre a Rua Constituição e a Avenida Senador Feijó (31 postes); Dia 15: entre a Avenida Senador Feijó e a Rua Itororó (20 postes); Dia 22: entre as ruas Itororó e Riachuelo (22 postes); Dia 29: entre a Rua Riachuelo e Praça dos Andradas (28 postes); Dia 5 de agosto: entre Praça dos Andradas e Rua São Bento (24 postes). Projeto poderá ser levado a outros bairros santistas Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos de Santos solicitou à CPFL que todo o material retirado seja armazenado para que se possa mensurar, ao final do projeto-piloto, o volume de cabos inativos retirados da via. “Isso será importante para dimensionar o problema real e mostrar para a população o impacto de uma ação como essa, mesmo em uma rua que não era a mais crítica da cidade”, disse o secretário Fabrício Cardoso. Segundo ele, a ideia é expandir o ordenamento para outros bairros da cidade. No dia 31, a Prefeitura e as concessionárias vão se reunir para avaliar os resultados iniciais e decidir se continuam o trajeto seguindo o VLT ou se começam os serviços em outros bairros. Segurança O gerente de Obras e Manutenção da CPFL Piratininga, Marcelo Henrique Ferreira, destacou que a iniciativa tem como prioridade garantir a segurança tanto da população quanto dos trabalhadores que atuam nas ruas. “Nossa maior preocupação são os cabos clandestinos e pendurados, que apresentam risco. Temos equipes acompanhando diariamente, e qualquer situação de risco imediato pode ser removida na hora. Essa operação é mais ampla, planejada em parceria com a Prefeitura e as operadoras, com cronograma até 5 de agosto”. A CPFL também destacou que a responsabilidade pela manutenção dos cabos é exclusiva das empresas de telecomunicações, conforme regulamentação da Aneel. “A cessão de espaço nos postes para as operadoras é uma obrigação da distribuidora, mas a manutenção da infraestrutura cabe a elas. Cabe à CPFL fiscalizar e notificar irregularidades. Só em 2024, emitimos 684 notificações em Santos e, em 2025, já são mais de 360 até junho”.