Linha de financiamento é cogitada desde abril, quando prefeito e presidente do banco trataram da questão (Alexsander Ferraz/AT) A recuperação dos prédios tortos da orla de Santos está próxima de dar mais um passo. A expectativa é de que, neste mês, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprove uma linha de financiamento que abrangerá projetos como o realinhamento dos edifícios, em especial os 65 que ficam na orla e estão mais inclinados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A informação é do secretário de Governo, Fábio Ferraz. O assunto foi abordado em abril, quando o prefeito Rogério Santos (Republicanos) e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, trataram da possibilidade de que a verba para as construções fosse proveniente do Fundo Clima, destinado a reagir aos impactos de mudanças climáticas. “O BNDES fez uma visita presencial à Cidade, para que a gente pudesse contextualizar (a questão) de forma mais clara. (...) Lembrando, são intervenções privadas e, por isso, a lógica é fazer uma governança jurídica, que faça com que isso (o realinhamento dos prédios tortos) seja possível com o apoio de um banco público”, explica Ferraz. Também no Rio, o secretário conversou com representantes do BNDES sobre uma possível parceria. A assessoria de imprensa do banco não respondeu à Reportagem até o término desta edição. Reunião e estratégia Um encontro na próxima terça-feira (11), às 19 horas, na sede da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas, na Rua Dr. Arthur Porchat de Assis, 47, no Boqueirão), tratará dos prédios desalinhados. Promovido pela Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados de Santos (Acopi), a reunião deve reforçar uma ideia para pôr as edificações no prumo: a aquisição de macacos hidráulicos em um consórcio, para que todos os 65 edifícios com maior inclinação sejam endireitados. O secretário Fábio Ferraz irá à reunião. A proposta será apresentada pelo engenheiro civil e especialista em estruturas e reforço estrutural Paulo de Mattos Pimenta. “Existem diversas metodologias, mas que são caras. Uma delas é a colocação de macacos hidráulicos, e é preciso uma quantidade grande deles. E, normalmente, uma empresa não tem tantos. Então, ela tem que mandar fazer, alugar de outras companhias ou importá-los. Então, uma das coisas que a gente tem proposto é o consórcio. Com isso, o custo fica diluído.” Segundo ele, uma das prioridades é não mexer na fundação dos prédios afetados. “Um dos itens mais caros da obra de nivelamento dos prédios é fazer uma fundação, que tem que ser, no caso de Santos, muito profunda, a quase 60 metros de profundidade. Isso aumenta muito o custo.” Conforme a presidente da Acopi e síndica do Condomínio Conjunto Tertúlia, no Gonzaga, Eliana de Mello, “a gente sabe que não é da noite para o dia, porque, quando mexe com dinheiro público, é complicado. A nossa perspectiva é de (ter) mais associados. É isso que a gente quer obter, para termos mais força. Seria muito importante que todos os 65 prédios se associassem à Acopi”. Financiamento também deverá abranger drenagem e vigilância O financiamento que a Prefeitura de Santos espera obter do BNDES também abrange estudos de macrodrenagem e a aprovação de um projeto para modernização e ampliação do Centro de Controle Operacional (CCO) do Município. “São três visões sobre esse financiamento: a ampliação e modernização do CCO, a macrodrenagem da região da orla, e a gente obteve uma forma de financiar, com a participação do BNDES, as intervenções de engenharia nos prédios tortos”, diz o secretário de Governo, Fábio Ferraz. “Tivemos a oportunidade de apresentar projetos da carteira de Santos de resiliência em função das mudanças climáticas. A gente está muito otimista para ter novidades concretas ainda neste ano sobre essa intervenção e essa parceria”, afirma.