Prédio do Ambesp é alvo de denúncias por má conservação

Ambulatório do Centro de Santos apresenta problemas estruturais; prefeitura diz que promoverá mudança

Por: Gabriel Oliveira  -  07/12/18  -  19:45
Secretário de Saúde prometeu melhorias em um mês e garantiu nova sede para o Ambesp
Secretário de Saúde prometeu melhorias em um mês e garantiu nova sede para o Ambesp   Foto: Rogério Soares/AT

Teto caindo e com buracos, infiltrações, goteiras, fezes de pombos, banheiros sem sabonete e papel. O Ambulatório de Especialidades (Ambesp) do Centro, em Santos, está cheio de problemas estruturais – isso sem contar as reclamações por demora no atendimento.


A Reportagem constatou, nesta quinta-feira (6), que em um dos salões de espera faltam seis placas do forro do teto. Com isso, o telhado fica exposto. De cima, dá para ver fios e muita sujeira, como fezes de pombos. Nos trechos em que o teto ainda não caiu, o mofo se alastra, sinal de umidade.


No outro salão de espera, há muitos buracos no forro. Foi possível ver infiltrações em algumas salas de atendimento ao público. Quando chove, a estrutura precária não dá conta, e a água pinga para dentro do imóvel, localizado na Avenida Conselheiro Nébias, 199. O prédio é alugado pela Prefeitura de Santos ao custo de R$ 40 mil mensais.


“Fica com goteira nas áreas de espera. Os funcionários colocam baldes, e os pacientes têm de esperar em outros lugares. É horrível”, reclama a aposentada Rosaria Gonçalves dos Santos, de 50 anos.


Ela também aponta que os banheiros – tanto feminino quanto masculino – não têm sabonete nem papel, e os bancos estão enferrujados.


Infiltrações no forro do teto geram goteiras na sala de espera, relatou uma paciente
Infiltrações no forro do teto geram goteiras na sala de espera, relatou uma paciente   Foto: Rogério Soares/AT

Vergonha


“Isso aqui está uma vergonha”, esbraveja a aposentada Eliana Orlandini, de 60 anos, antes de listar os problemas que observa. “O teto está caindo, a torneira do banheiro quebrou e o prédio é velho e cheira a muito mofo”.


A administradora e professora Carmen Sara, de 60 anos, viveu uma situação inusitada: ao acompanhar a mãe, de 88 anos, em uma consulta, meses atrás, um rato despencou do teto no consultório.


“Isso é um absurdo. Limpeza e manutenção são palavras que não conhecem por aqui. Pelos impostos que se paga, deveria ser tratamento de Albert Einstein”, diz, fazendo referência a um dos melhores hospitais do país.


Teto do Ambesp, na Avenida Conselheiro Nébias, também possui buracos
Teto do Ambesp, na Avenida Conselheiro Nébias, também possui buracos   Foto: Rogério Soares/AT

Prefeitura diz que irá mudar o Ambesp do Centro de lugar


O secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, admite problemas, promete melhorias em um mês e diz que a solução definitiva será a mudança do Ambesp para novo imóvel, no fim do ano que vem.


“Nós temos problemas estruturais e notificamos o proprietário do prédio. Ele se comprometeu a fazer intervenções no telhado. Quanto ao forro, vamos fazer a troca. O serviço está autorizado e começará na segunda quinzena de dezembro”.


De acordo com o secretário, a troca do forro, a cargo da prefeitura, será concluída no início de janeiro. Já as obras no telhado, de responsabilidade do dono do imóvel, deverão demorar mais. “Não posso dar data de quando vai ser totalmente resolvido”.


Sobre a falta de sabonete e papel nos banheiros, Fábio garante que há insumos no almoxarifado da unidade, apesar de a Reportagem não ter visto nada, nem mesmo depois de uma equipe fazer a limpeza no sanitário masculino.


“Fazemos a reposição, mas lamentavelmente somos vítimas constantes de furtos”.


Conforme o secretário, um novo imóvel está sendo construído pelo Centro Universitário Lusíada (Unilus), na Rua Dr. Manoel Tourinho, 397, no Macuco. O prédio será dado à prefeitura por 30 anos. Ele estima que as obras deverão ser encerradas em outubro de 2019. “Vamos ter condições de fazer o atendimento que o santista espera e merece”.


Banheiros, tanto feminino quanto masculino, não possuem papel ou sabonete
Banheiros, tanto feminino quanto masculino, não possuem papel ou sabonete   Foto: Rogério Soares/AT

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