Prédio em Santos não permite instalação de ar-condicionado; construtora diz que, para isso, serão necessárias adequações e que não se responsabiliza por elas (Arquivo pessoal/ Luciana Freitas) Moradores do Condomínio Marlim, localizado na Rua Francisco de Domenico, no bairro Rádio Clube, na Zona Noroeste de Santos, no litoral de São Paulo, relatam dificuldades para instalar aparelhos de ar-condicionado nos apartamentos e afirmam que não foram informados sobre qualquer restrição no momento da compra dos imóveis. O edifício foi construído pela Tenda Construtora e entregue em 2020 na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para A Tribuna, a professora Luciana Freitas, de 48 anos, explicou que o prédio tem cinco anos e que parte das instalações, como a rede elétrica, ainda está dentro do prazo de garantia. Segundo a moradora, o contrato de compra e venda não apresenta cláusula que impeça a instalação de aparelhos do tipo split ou de parede. “Não há nada no contrato. Não fala se é problema estrutural, se é fiação, se não pode colocar. Simplesmente não diz. A gente comprou acreditando que poderia instalar (o ar-condicionado)”, afirma. Luciana relata que, desde que o tema passou a ser discutido entre os condôminos, diferentes síndicos apresentaram justificativas distintas para o veto, ora apontando risco estrutural, ora alegando limitações da fiação elétrica. No entanto, segundo a moradora, não há laudo técnico formal que comprove a impossibilidade da instalação do ar-condicionado. “Está muito calor. Há idosos e crianças passando mal. Os apartamentos são muito pequenos, esquentam demais. A gente se reuniu e hoje mais de 100 moradores estão em um grupo tentando resolver isso”, diz. De acordo com a moradora, engenheiros já foram procurados para a elaboração de laudos técnicos que indiquem se a instalação de ar-condicionado é viável, com o objetivo de descartar riscos à estrutura do prédio. Reparos sem efeito Luciana critica o suporte oferecido pela construtora após a entrega do empreendimento. Segundo ela, mesmo em relação a itens que ainda estariam cobertos pela garantia, os problemas não são resolvidos de forma definitiva. “A gente manda e-mail, liga, cobra e não tem resposta. Quando vêm, arrumam e o problema volta. A sensação é de que fomos lesados”, afirma. A moradora ainda questiona o fato de empreendimentos semelhantes, inclusive conjuntos habitacionais com estrutura parecida, permitirem a instalação de ar-condicionado. “Se eu soubesse que não poderia colocar, não teria comprado. Ninguém foi avisado disso”, completa. O que diz a construtora Em nota enviada para A Tribuna, a Tenda Construtora informou que o empreendimento foi entregue em agosto de 2020 e que projetos elétrico e estrutural originais do condomínio foram elaborados de acordo com as normas vigentes na época. Segundo a empresa, os projetos não preveem infraestrutura específica para a instalação de aparelhos de ar-condicionado nas unidades. A construtora acrescentou que, caso os moradores tenham interesse em realizar a instalação, será necessário o desenvolvimento de um projeto técnico por profissional legalmente habilitado, além da aprovação prévia da concessionária de energia elétrica. A Tenda ressaltou ainda que não se responsabiliza pela elaboração do projeto, nem pela execução das adequações, "que devem ser realizadas sob inteira responsabilidade dos interessados".