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Segunda-feira

24 de Fevereiro de 2020

Pinturas históricas da década de 20 são descobertas em Santos

As pinturas originais do casarão foram reveladas pelos arquitetos Jaqueline Fernandez Alves e Demontier Meireles Vasconcelos, e pela restauradora Amanda Guerra

Um pedaço da história de Santos, que decorava as paredes do Instituto Histórico e Geográfico da cidade desde a década de 1920, veio à tona no último dia 12. A descoberta estava debaixo de cinco mãos de tinta e uma de massa corrida.

As pinturas originais do casarão foram reveladas pelos arquitetos Jaqueline Fernandez Alves e Demontier Meireles Vasconcelos, e pela restauradora Amanda Guerra.

Com um bisturi nas mãos e muita calma, delicadeza e paciência, eles tiram cada camada de tinta. O objetivo é chegar ao desenho original. E, para isso, são necessárias horas de dedicação e olhar focado na parede.

Por enquanto, foram encontradas pequenas folhas de café. O resto, não dá para ter ideia do que pode ser: só tirando as camadas de tinta para descobrir.

“As pessoas não tinham a menor ideia de que havia isso aqui. Esses desenhos que encontramos são máscaras que vão se repetindo. É como se fosse o estêncil de hoje em dia. Ainda estamos descobrindo o que existe aqui”, explica Amanda.

Trabalho demora horas e mais horas, pois cada detalhe faz toda a diferença (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

A edificação, que é a mais antiga da cidade fora do Centro, foi construída em 1886. Ou seja, é do tempo do Império. Segundo Demontier, a ideia é abrir uma janela (pequeno pedaço na parede) e ver se conseguem receber patrocínio.

“O custo para esse trabalho é muito alto. Ficaremos o tempo todo no bisturi, e as tintas são caras por usarmos guache importado da Itália, que é removível. O material usado deve permitir que se veja o original daqui a algum tempo”.

Projeto

Segundo o presidente da instituição, Sergio Willians, será preparado um projeto executivo de restauro interno.

“A ideia é promover a recuperação total do imóvel, com acessibilidade e criação de um espaço gastronômico. Para levantarmos esses fundos, temos alguns caminhos. Entre eles, a venda do potencial construtivo do terreno, que é tombado”.

Para Demontier, a descoberta é importante para mostrar a história da cidade. “Precisamos conhecer nossas referências de arte. Os desenhos representam o que era popular na época, como as plantinhas do café na época desse produto”.

Amanda concorda e comenta que é fascinante conhecer a moda da época. “A gente vê a semelhança em desenhos da mesma época. Eles seguem uma linguagem e agregam o valor daquele tempo”.

“Nosso prédio abriga 20 mil livros, alguns de 1730. Temos, ainda, a escrivaninha do primeiro presidente do país (Deodoro da Fonseca) e fotos em negativo de vidro. Tudo isso precisa de um lugar especial para se guardar, e queremos preservar o espaço”, explica o engenheiro e secretário-geral do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, Luis Gilberto Moreira Correa.

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