Patrícia Poeta: “Jornalismo exige profundidade, conhecimento, credibilidade, ética. Isso não muda com o tempo” (Alexsander Ferraz/AT) Nesta segunda-feira (19), Santos terá um Encontro com Patrícia Poeta. Literalmente: a jornalista e apresentadora comanda na Cidade, direto do Parque Municipal Roberto Mário Santini, uma edição especial do programa matutino, em uma parceria entre a Globo São Paulo e a TV Tribuna. A partir das 9h30, Patrícia recebe o ator Alexandre Borges e os músicos Vavá e Márcio, além de mostrar lugares e pessoas da Cidade. Nesta entrevista, a apresentadora, de 49 anos, fala sobre as diferenças entre o entretenimento e o jornalismo, o cinema brasileiro e a expectativa para o programa em terras santistas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Você é jornalista, mas hoje está no entretenimento. Quais as diferenças de linguagem e preparação? São produtos completamente diferentes, que não dá para comparar, porque um é entretenimento e o outro é jornalismo. O jornalismo exige uma fala mais técnica, mais precisa, você tem que falar com muita propriedade e dentro de um tempo muito bem definido. Já no entretenimento, a linguagem é outra. É mais do dia a dia, mais próxima, mais popular. Você tem mais tempo para destrinchar os assuntos, pode trazer convidados, abrir espaço para outras vozes, outras perspectivas. E eu acho que, diante das câmeras, isso também muda a postura. No entretenimento, você pode ser mais telespectador, pode ter dúvidas, pode perguntar, pode construir o assunto junto com o público. Você acha que o jornalismo, hoje, por causa das redes sociais, tem que se aproximar do entretenimento? Jornalismo exige profundidade, conhecimento, credibilidade, ética. Isso não muda com o tempo. Você precisa ir atrás da informação, checar com mais de uma fonte, confirmar se aquilo é realmente verdade antes de colocar no ar. E eu acredito muito nesse jornalismo sério, no jornalismo feito da forma correta. Ele sabe o papel que tem, assim como quem consome esse produto. Ninguém espera gracinhas ou firulas… o que se espera é informação de qualidade. Você tem especialização em cinema, já atuou e também dirigiu: já cogitou se aprofundar nesse caminho? Tanto na direção como atuando? Nos últimos anos eu adotei um lema que realmente rege a minha vida: viver o hoje. E hoje eu posso dizer, com muita tranquilidade, que eu sou uma pessoa feliz. O Encontro é o que me faz acordar todos os dias às 4h30, é o que me dá energia, é o que me move. E dentro do programa eu tenho a chance de atuar em várias frentes. Eu participo do roteiro, estou em todas as reuniões, ajudo a pensar o programa, a construir o conteúdo. Até poucas horas antes de ir ao ar, estou ali, estudando, dando opinião, ajudando a fechar cada detalhe. Então, tudo aquilo que eu estudei ao longo da vida, hoje eu consigo colocar em prática no meu dia a dia. Claro que a gente sempre tem planos para o futuro. Mas, se você me perguntasse hoje qual é o meu sonho profissional, eu responderia sem pensar duas vezes: meu sonho é o Encontro. É o meu agora, é o meu hoje. Ainda sobre cinema: o que tem achado do grande sucesso recente dos filmes brasileiros internacionalmente? Como vê as chances de O Agente Secreto no Oscar? Fico muito feliz, porque o Brasil é um país incrível. A gente tem profissionais de altíssimo nível. Além da Fernanda Torres, do Wagner Moura, que estão ali na linha de frente, tem diretores, iluminadores, técnicos de som, uma equipe inteira por trás das câmeras que é de primeiro mundo. Ver o Brasil disputando com grandes nomes, em grandes festivais, me enche de orgulho. É maravilhoso ver que o nosso cinema e a nossa arte estão sendo reconhecidos lá fora. E estou torcendo para o Wagner ser indicado ao Oscar, porque aí vira uma dobradinha linda: Globo de Ouro e Oscar com brasileiros no topo. Isso é uma coisa de arrepiar. Por que Santos foi escolhida para abrigar a primeira edição itinerante do Encontro deste ano? Sou uma pessoa muito solar, amo praia. Então, quando soube que iríamos para Santos, imediatamente me veio essa sensação de frescor, calor, verão. Aquela energia boa que o litoral traz. Quando pensamos em levar o programa para Santos, foi exatamente isso que nos veio à cabeça: uma cidade litorânea, viva, que as pessoas escolhem para passar as férias, curtir o verão, estar perto do que está acontecendo. É também um lugar tranquilo, que muita gente escolhe para morar. O que você espera desse programa especial? Tem alguma memória ou história em Santos? Estive em Santos, se não me falha a memória, duas vezes, e nas duas ocasiões fui para entrevistar o Neymar. Acabei ficando muito focada no trabalho e não tive a chance de conhecer a Cidade como gostaria. Agora, quero aproveitar para viver Santos com mais calma, explorar um pouco mais e descobrir o que a cidade tem. Quais os seus projetos para este ano? E de maneira mais ampla: qual o seu maior sonho ainda a realizar? Nosso principal objetivo para 2026 é ampliar um projeto que a gente já vem construindo há alguns anos, que é mostrar o Brasil de verdade, com toda a sua diversidade cultural. Cada vez que eu chego em uma nova cidade, eu fico empolgada, porque, como eu sempre digo, o Encontro é um programa feito pelo público e para o público. É um ‘encontro’ com pessoas novas, culturas novas, sotaques novos… e isso é maravilhoso! Hoje eu posso dizer que estou realizando um sonho – que é trabalhar no entretenimento, num programa diário e com uma equipe muito competente.