A pata tem tem 1 ano e 2 meses e faz sucesso por onde passa (Alexsander Ferraz/ AT) O amor é algo que se sente mais do que se explica. É uma demonstração de afeto, conexão e cuidado — seja no contexto romântico, familiar, de amizade ou com um animal de estimação. É esse laço que une uma pata e sua tutora, Maria Eduarda de Almeida Silva, de 24 anos. Como ela tem diagnóstico de síndrome de crises de ausência, o animal foi essencial para ser o seu apoio emocional. Sem falar que chamou atenção nas ruas e no Praiamar Shopping, em Santos. (Veja galeria e vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em sua primeira vez nas ruas de Santos, no mês de abril, Boninho fez sucesso e chamou atenção por onde passava, com seu carrinho. Entre os locais frequentados, ele passeou pelo shopping Praiamar e pela Praia do Canal 5. A empresária Neusa Maria de Almeida, de 62 anos, mãe de Maria Eduarda, brinca que não consegue nem comprar um esmalte com tranquilidade — todo mundo que passa quer parar para ver a patinha. Para ela, que nasceu no interior, a reação das pessoas ao ver o animal ainda causa surpresa. “Durante estes anos, foi a primeira vez em que eu a trouxe para a cidade. Eu acho que ela amou Santos. Botou três ovos. Meu Deus! Dois de uma única vez”, brinca. Duda diz que gosta muito da patinha de estimação (Alexsander Ferraz/ AT) A ideia de ter uma pata de estimação surgiu de Renato de Almeida, irmão de Duda, que resolveu fazer uma surpresa para a jovem. Além da patinha, Maria também tem uma cachorra e, ao longo dos anos, já cuidou de diversos animais, como tartaruga, calopsita, papagaio e codorna. Neusa destaca a importância especial da patinha na vida da filha, principalmente devido à síndrome de crises de ausência (veja explicação abaixo). A jovem reafirma seu carinho pela pata e diz que gosta muito dela. “A síndrome dela afeta o cognitivo (...) O visual dela é maravilhoso. Agora no cognitivo, no aprender a ler e escrever, ela não conseguiu até hoje”, explica a mãe. Como é a rotina de uma pata? Segundo a empresária, a rotina de Boninho é muito tranquila. Sua alimentação é composta por legumes, frutas e verduras, tudo cortado em pedaços pequenos, “porque não é igual à galinha, que bica e machuca. Ela só encosta, faz carinho na comida. É muito delicada”. -Galeria (1.458585) Em São Paulo, onde a família mora, a pata costuma andar pela grama, tem uma piscininha e passa boa parte do dia comendo. “E faz muito cocô, né?”, destaca a empresária. Quando a pata está muito agitada, Neusa acredita que é sinal de que está prestes a botar ovos. Segundo ela, o animal de estimação costuma fazer isso durante a madrugada. “Ela tem 1 ano e 2 meses, eu tenho mais longos 14 anos pela frente com ela”, brinca. Qual o próximo nome? Neste mês de abril, a família descobriu que Boninho, na verdade, é uma fêmea — e não um macho, como todos acreditavam. A surpresa veio logo após a criação de um perfil no Instagram para o 'patinho' — pouco tempo depois, ele botou ovos, revelando ser, na verdade, uma pata. Agora, os tutores estão em dúvida sobre qual será o novo nome, e entre as opções estão Bela, Margarida e Patolina. -Veja o vídeo (1.458658) “Meu filho que viu primeiro. Ele foi me acordar: ‘Mãe, corre! Um ovo’. Eu falei: 'Então, é pata, filha, e agora, o que que nós fazemos? Agora vou ter que mudar, alterar'. Ela já está acostumada com o nome Boninho”, ressalta. O que é crise de ausência? A epilepsia de ausência é caracterizada por breves episódios em que a pessoa 'desliga' por alguns segundos. Durante esse tempo, ela não responde e, de repente, retoma a atividade que estava realizando, como se nada tivesse acontecido, conforme explica a neurologista Evangelina Vieira. "Em geral, dura menos de dez segundos e pode ocorrer várias vezes ao dia. É mais comum na infância", prossegue. Por mais que as crises de ausência pareçam inofensivas, elas podem atrapalhar — especialmente no aprendizado, na concentração e na segurança —, esclarece a médica. Segundo ela, crianças podem perder partes importantes das explicações na escola ou até se colocar em risco se tiverem uma crise enquanto atravessam a rua. "Animais de estimação, como cães, podem ajudar muito no bem-estar emocional desses pacientes", destaca. A neurologista pontua que os cães oferecem companhia, afeto e contribuem para uma rotina mais saudável. Em alguns casos, animais treinados conseguem até identificar alterações comportamentais antes de uma crise e alertar os cuidadores. O diagnóstico da epilepsia de ausência é feito, principalmente, a partir da observação dos episódios por pais ou professores. A confirmação vem por meio do eletroencefalograma (EEG), exame que detecta a atividade cerebral durante as crises. “Existem medicamentos e tratamentos específicos que costumam controlar bem esse tipo de crise”, conclui Evangelina.