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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Parte do lixo reciclável não passa por triagem e é descartada em Santos

Quase 30% do material coletado acaba destinado ao aterro; população pode mudar os hábitos

Quase 30% do material que chega às cooperativas e empresas que trabalham o lixo reciclável não passa pela triagem e é destinado ao aterro municipal de Santos. Muitos dos descartes, como roupas, móveis, travesseiros e espelhos, não devem ser jogados fora no dia da coleta seletiva, que é realizada uma vez por semana.

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, o lixo que não pode ser reciclado gera um “trabalho desnecessário”. Além disso, o material também faz volume dentro dos caminhões da coleta seletiva, o que implica mais viagens e gastos. “Toda logística pode ser melhor aproveitada”.

Sobre a indicação de enxágue das embalagens antes do descarte, Libório diz não ser necessário, porém ressalta a importância da ação para evitar roedores e demais animais.

Muitas dessas embalagens, como o papelão, também não podem ser reaproveitadas após contato com a comida. “Uso o exemplo da caixa de pizza, que não pode ser reciclada”.

Apesar dos contratempos, Libório informa que a coleta de recicláveis saltou de 2% para 18% do total recolhido. O salto foi medido entre 2 de julho de 2017, quando foi criado o Programa Recicla Santos, até hoje. A Cidade conta com três cooperativas e 40 empresas cadastradas na coleta desses materiais.

Orientação

 O administrador da Cooperativa de Materiais Recicláveis Santista (Comares), Sérgio Gomes, reforça a importância da triagem dos recicláveis começar em casa. Porém, apesar da boa intenção de muitas pessoas, existem embalagens, como as de rações para animais e garrafas de leite, que não são reaproveitadas.

“O saco de ração tem um alumínio por dentro e a garrafa possui proteção preta que impede a reciclagem. O processo de separação é caro para as empresas”.

Gomes aponta que garrafas PETs e sacolas plásticas continuam sendo os produtos mais relevantes no dia a dia da reciclagem. Outro plástico difícil de ser reutilizado é o das embalagens que costumam ser usadas para vender bolos.

“Geralmente, são plásticos já reciclados, com mais petróleo e duros. A reciclagem desse material é mais cara e não costuma ser feita”. Questionado sobre como as pessoas podem saber quais plásticos já foram reciclados, Gomes diz que dificilmente há uma indicação.