As obras de restauro do edifício que vai abrigar o futuro Museu Ferroviário de Santos, no armazém de bagagens e antigo pátio ferroviário da São Paulo Railway Co., atual garagem de bondes, no Largo Marquês de Monte Alegre, no Valongo, devem começar no início de novembro, e terão prazo de 18 meses para conclusão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O acervo do futuro Museu contará com equipamentos e documentos relacionados à história ferroviária. Além de locomotivas, bondes, vagões e peças mecânicas, ficarão expostos mobiliário, uniformes, bilhetes, mapas e fotografias. Essas peças menores estão sendo prospectadas pela Prefeitura, que já tem um acervo relacionado ao serviço de trólebus de Santos. Recentemente, o Município recebeu a doação de um relógio da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, que também servia à Cidade. Também haverá a compra, por parte da Secretaria de Obras e Edificações de Santos, de duas locomotivas (as chamadas 611 e 811), dois carros de passageiros (25 e 43), dois truques e de uma réplica de bonde – todos de valor histórico –, para compor o acervo, ao valor de quase R\$ 4,2 milhões. A 811, por exemplo, foi uma das 2,5 mil fabricadas para o exército alemão durante a Primeira <MD>Guerra Mundial, utilizada para levar tropas e suprimentos a campos de batalha no Norte da África. Durante o conflito, o navio que a transportava, junto com mais duas locomotivas, foi apreendido no Porto de Santos, e o material foi leiloado, sendo adquirido pela Cia. City, que operava os serviços de bondes, água, luz e gás na Cidade. O galpão passará por revitalização, de restauro na fachada a hidráulica e elétrica, em 18 meses de obra (Sílvio Luiz/AT) História na City A City mantinha uma pequena ferrovia em Cubatão, ligando a estação principal à represa de Pilões, responsável pela captação de água para o abastecimento de Santos. A 811 circulou nessa linha, levando passageiros e cargas do final da década de 1910 até o começo dos anos 1970. Com a desativação da ferrovia, as duas locomotivas restantes ficaram para Cubatão – a 915, exposta no Parque Anilinas – e a 811, antes de ser vendida a particulares. Em nota, a Prefeitura destacou que todos os veículos pertencem a particulares que os adquiriram em leilões nas décadas de 1970 e 1980, e foram preservados, majoritariamente, em fazendas e chácaras no Interior de São Paulo. “Cada um representa uma parte e um período da ferrovia paulista, que é o grande foco do Museu Ferroviário de Santos, e são todos originais”. Bondes Santos tem 13 bondes e aguarda a chegada de outros oito, doados por cidades da Alemanha e do Japão. Além disso, três vagões ferroviários históricos, que pertenceram à São Paulo Railway, chegaram à Cidade no final de 2018, doados pela MRS Logística. As composições estão na garagem de bondes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no Valongo, onde recebem visitação monitorada. Todos os veículos farão parte do Museu. Alguns dos bondes expostos serão recuperados e vão circular pela Cidade. As obras O serviço será executado pela BHO Construtora Ltda., vencedora da licitação, ao custo de R\$ 6,584 milhões, valor 25% inferior ao orçado inicialmente. Segundo a secretária de Obras e Edificações de Santos, Larissa Cordeiro, o armazém de bagagens, onde será instalado o museu, passará por uma restauração total e adaptação para receber o equipamento. “A obra inclui o restauro da fachada, revitalização do telhado, climatização, trocas de piso e alterações internas de layout”. Ainda segundo a secretária, a intervenção contempla instalações hidráulicas, elétricas e de rede lógica, além de sistemas de combate a incêndio, proteção contra descargas atmosféricas, acessibilidade, pavimentação externa e paisagismo.