O novo pedágio vai ficar na Área Continental de Santos (Alexsander Ferraz/ AT e Vanessa Rodrigues/ AT) A implantação de um novo pedágio automático entre os bairros Iriri e Caruara, na Área Continental de Santos, no litoral de São Paulo, tem gerado preocupação e inúmeros questionamentos entre moradores e motoristas que circulam pela região. De acordo com o relato de um munícipe, há receio de que a medida aumente o isolamento do bairro Caruara, além de impactar diretamente nos custos do transporte intermunicipal, das entregas e representar um gasto adicional para quem precisa se deslocar para outras localidades. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma petição on-line foi criada para tentar barrar a instalação do novo pedágio na Rodovia Doutor Manoel Hipólito do Rêgo (SP-055), a Rio-Santos. A Sociedade de Melhoramentos do bairro pediu para que a população assine, alertando que a medida afetará diretamente as populações dos bairros Caruara, Iriri e Caiubura. Até o momento, mais de mil pessoas já aderiram ao abaixo-assinado. Os moradores pedem que o pedágio seja transferido para outro local ou que haja isenção para quem precisa utilizar a rodovia diariamente, conforme explica a vice-presidente da Sociedade de Melhoramentos, Marcely Menezes. Para chegar a Santos ou ao Guarujá, é necessário passar por essa via. Segundo ela, os custos podem aumentar consideravelmente. “A gente acaba gastando mais porque mora em uma Área Continental de Santos (...) Então, por exemplo, exames, mulheres grávidas, todos esses serviços a gente usa em Santos. Tudo que a gente tem que fazer, ou a gente faz em Santos ou a gente faz em Guarujá. Porque muita gente trabalha em Santos e muita gente trabalha no Guarujá. O Caruara, por ser um bairro pequeno, não tem essa estrutura para ter emprego para todo mundo”, destaca. Para a vice-presidente, a situação é inaceitável, e nenhum estudo foi feito na área para verificar quantos moradores vivem ali e utilizam a estrada. Além disso, a dificuldade financeira dos munícipes pode aumentar. “O pessoal do Iriri não tem padaria, não tem borracheiro, não tem nenhum tipo de comércio lá. Então, eles vêm comprar pão aqui, fazem tudo aqui, trazem as pessoas, as crianças que estudam na escola aqui. Se eles vêm comprar um pão, e ao chegarem no Iriri percebem que esqueceram a manteiga, vão ter que voltar, ou seja, terão que pagar quatro vezes o mesmo pedágio”, comenta. Inúmeros questionamentos Uma moradora, que preferiu não se identificar, argumenta a decisão das autoridades de instalar o pedágio sem considerar os impactos na rotina da população. Segundo ela, a medida fere o direito de ir e vir dos munícipes e foi imposta sem qualquer aviso prévio sobre sua implementação ou data de início da cobrança. A única via de acesso disponível para os moradores é a rodovia, utilizada para resolver qualquer necessidade do dia a dia. E o pedágio está sendo instalado na divisa entre dois bairros, conforme explica o operador de guindaste, Pedro Henrique Silva de Souza. Ele ainda ressalta que, mesmo com isenção para os residentes, quem presta serviços na região também será prejudicado com a cobrança. “(Afeta) Os professores que têm que ficar indo e voltando, o pessoal que trabalha aqui na enfermaria, o pessoal que é do Samu. Eles colocaram num lugar bem estratégico, na divisa de dois bairros, sendo que o pessoal do Iriri vem pra cá todo dia pra comprar pão, pra levar as crianças na escola”, afirma. Pedágio na divisa de dois bairros O funcionário público e presidente da Sociedade de Melhoramentos de Caruara, Wagner Mem de Sá, de 58 anos, argumenta que, inicialmente, o pedágio seria colocado em outro lugar. No entanto, como o modelo adotado será automático, a decisão foi por implantá-lo no bairro Iriri. Ele destaca, porém, que a mudança afetará diretamente os moradores de Caruara, que já enfrentam dificuldades por viverem "em uma área periférica e isolada". Para Wagner, as pessoas serão prejudicadas com a nova cobrança. Como já noticiado por A Tribuna anteriormente, o funcionário público explicou que os motoristas precisarão se cadastrar no site da concessionária e, ao passarem pelo ponto de pedágio, a placa do veículo será registrada, gerando a emissão de um boleto para pagamento. “Você tem 30 dias para baixar esse boleto e pagar. Se você não pagar em 30 dias, o que acontece? Você leva multa e pontos na carteira, porque é como se tivesse passado pelo pedágio sem pagar”. Outro lado A Concessionária Novo Litoral (CNL) informou que assumiu, em 1º de novembro de 2024, a gestão dos 212 quilômetros de rodovias que conectam o Alto Tietê, a Baixada Santista e o Vale do Ribeira. Desde então, os motoristas passaram a contar com uma estrutura operacional completa, ativa 24 horas por dia, que inclui atendimento pré-hospitalar com UTIs móveis, remoção de veículos, inspeção viária, combate a incêndios e oito Postos de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs). Paralelamente, está em andamento um programa de conservação viária, com foco na recuperação do pavimento, melhoria da sinalização vertical e horizontal, iluminação, drenagem, contenções e outras intervenções essenciais para ampliar a segurança, o conforto e a fluidez do tráfego, conforme complementa. Esse conjunto de investimentos iniciais será concluído antes do início da cobrança de pedágio, de acordo com a concessionária. A empresa afirma que o edital que define a localização dos pórticos de pedágio eletrônico prevê benefícios como isenção de tarifa para motocicletas e descontos de até 20% para usuários frequentes. Os pórticos previstos serão eletrônicos, com cobrança automática por meio de tag ou leitura da placa dos veículos — o que reduz filas e o risco de acidentes. Quem possui tag ativa terá a tarifa debitada automaticamente. Para quem não possui, será possível efetuar o pagamento em até 30 dias, por meio de site, aplicativo ou presencialmente em uma das bases SAU. Nos próximos anos, conforme previsto no contrato de concessão, serão duplicados 89 quilômetros de rodovias, sendo quase 30 km na rodovia Rio-Santos, entre Santos e Bertioga. Esse trecho também receberá aproximadamente 30 km de ciclovias. No município de Santos, estão previstas ainda a construção e revitalização de pontos de ônibus, dispositivos de retorno e passagens de fauna. Sobre a possibilidade de isenção, a CNL informou que não há previsão de isenção de pedágio no contrato de concessão sem que haja o reequilíbrio contratual de forma a permitir a continuidade do cumprimento das obrigações já estabelecidas neste contrato. Ainda assim, a concessionária afirmou que mantém diálogo com a Associação de Melhoramentos do bairro Caruara, buscando se colocar à disposição para pensarem juntos e fazerem tudo o que for possível para mitigar os impactos na região. “A Concessionária Novo Litoral reforça seu compromisso com a transparência, o diálogo permanente e a responsabilidade social. Assim que todas as definições forem concluídas, as informações sobre a futura cobrança de pedágio e demais serviços serão amplamente divulgadas, com antecedência, pelos canais oficiais da empresa”, finalizou. A Tribuna entrou em contato com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) para esclarecer a instalação do novo pedágio, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.