Embora o número seja pequeno diante dos mais de 200 milhões de brasileiros, Neymar representa uma tendência: quando o nome vira marca (Alexsander Ferraz / AT) Em um curioso reflexo entre sucesso esportivo e cultura de nomes, o Brasil registrou 2.443 pessoas cujo primeiro nome é “Neymar” em 2022, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total, cerca de 60% nascem entre 2010 e 2019, período que coincide com o auge do jogador Neymar. A informação revela como a trajetória de um atleta pode influenciar decisões familiares ao batizar filhos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os mais recentes dados do IBGE, por meio da plataforma “Nomes no Brasil”, apontam para um fato inusitado: a popularização de um nome que é, ao mesmo tempo, singular e ligado a uma personalidade pública. No total de 2.443 registros para “Neymar” no país, 1.468 pessoas nasceram entre 2010 e 2019, ou seja, pouco mais da metade deste grupo. A idade mediana das pessoas com o nome “Neymar” era de apenas 11 anos em 2022, evidenciando que o fenômeno é recente. Por que esse crescimento? O nome “Neymar” era raro até pouco tempo atrás. Em um levantamento anterior, de 2010, o IBGE identificou apenas 454 pessoas com este primeiro nome no Brasil. O salto coincide com a ascensão de Neymar da Silva Santos Júnior, revelado pelo Santos FC em 2009, e após conquistar visibilidade nacional e internacional. A correlação é reforçada pelo fato de que muitos dos registros se concentram na década seguinte ao surgimento do jogador. O próprio IBGE reconhece que eventos esportivos e figuras públicas influenciam a escolha de nomes no Brasil. Impacto regional e grafias alternativas Ainda que o estudo divulgado não traga detalhamento por estado para o nome “Neymar”, levantamentos anteriores apontavam curiosidades: por exemplo, até 2000, o nome “Neimar” (com “i” em vez de “y”) já era significativamente mais comum do que “Neymar”. Isso mostra que as grafias alternativas também fazem parte da adaptação cultural de nomes influenciados por ídolos e, em muitos casos, as variações surgem antes da consagração pública da personalidade que dá origem à moda. O que os dados dizem além do número? O nome “Neymar” concentra-se em idades muito jovens, o que reforça que se trata de um fenômeno recente. A “moda” do nome parece estreitamente ligada à exposição midiática e à performance esportiva: mais visibilidade = mais registros. A adoção de nomes de craques profissionais não é novidade no Brasil: o IBGE já documentou aumento de nomes como “Romário” e “Rivaldo” em épocas de sucesso esportivo. A escolha do nome além de homenagem, pode representar a vontade de relacionar o filho a características de destaque do atleta: talento, sucesso, visibilidade.