Cícera Marques Alcântara, de 56 anos, morreu no Hospital dos Estivadores, em Santos, após passar mal e sofrer várias paradas cardíacas (Arquivo pessoal e Reprodução/ Prefeitura de Santos) A moradora de Santos Cícera Marques Alcântara, de 56 anos, morreu no Hospital dos Estivadores, na cidade do litoral de São Paulo, após passar mal e sofrer várias paradas cardíacas. De acordo com a família dela, a causa da morte foi tromboembolismo pulmonar bilateral. (Confira abaixo o posicionamento na íntegra do Complexo Hospitalar do Estivadores) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cícera morreu no dia 8. Sua filha mais velha, Silene Marques da Silva, de 35 anos, contou que a mãe costumava ir na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas "era sempre liberada, mesmo apresentando pressão alta e coração grande". Além disso, segundo Silene, a mãe sentia dores na região do umbigo, porque tinha hérnia. “No dia 5, minha mãe passou mal à noite e foi até a UPA, onde chegou com muita falta de ar. Eles entubaram a minha mãe, deixaram ela totalmente deitada. Deu água no pulmão e fizeram todos os procedimentos. A gente começou nessa correria para transferência, porque ela precisava ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde tinha todos os equipamentos necessários”, relatou Silene. De acordo com ela, Cícera passou quatro dias internada na UPA e, no dia 8, foi transferida para o Hospital dos Estivadores, onde conseguiu vaga. “A minha mãe já começou a passar mal dentro da ambulância. Quando chegou lá, eles me tiraram rápido pra eu fazer a ficha, e subiram com a minha mãe. Ela teve nove paradas cardíacas dentro do hospital. Minha mãe já chegou passando mal”. Abalada, a filha fez um desabafo sobre o ocorrido: “O caso da minha mãe era muito grave. Acabamos perdendo a minha mãe. Ela era nova, tinha 56 anos. Podia ter sido totalmente diferente”. Posicionamentos Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Santos informou que o pedido de vaga de UTI para a paciente foi realizado à 0h33 de 6 de outubro. De acordo com a pasta, tratava-se de uma vaga com suporte para diálise, mais específica. “Além do pedido aos hospitais prestadores do SUS do município, o pedido foi feito também ao Estado, via sistema Siresp, para ampliar as possibilidades de transferência. A vaga foi cedida pelo Complexo Hospitalar dos Estivadores no final da manhã do dia 8”, finalizou em nota a Secretaria de Saúde. A Tribuna entrou em contato com a INSaúde, organização que administra as UPAs de Santos. Em nota, ela disse: "Ressalta-se que todos os atendimentos realizados nas unidades sob gestão do INSAÚDE são devidamente acompanhados e pautados em princípios técnicos, éticos e humanizados, assegurando a adequada assistência aos usuários do serviço público de saúde. Em relação à paciente C.M.A., D.N.: 24/09/1969, após apuração via sistema MV – Prontuário Eletrônico do Paciente, seguem as informações referentes aos atendimentos realizados: • 1ª passagem: em 20/08/2025, na UPA Central, com hipótese diagnóstica de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM). Conduta: administração de medicação na unidade, alta com prescrição médica, orientações gerais e recomendação de retorno em caso de piora do quadro clínico. • 2ª passagem: em 30/09/2025, também na UPA Central, com hipótese diagnóstica de HAS. Conduta: realização de exame de raio X, administração de medicação na unidade, prescrição para uso domiciliar e orientação para retorno se necessário, bem como seguimento ambulatorial para investigação complementar. Já na UPA Zona Noroeste, a paciente foi atendida em 20/08/2025 e, posteriormente, em 05/10/2025, quando deu entrada pela sala de emergência, sendo classificada com prioridade vermelha e atendida em tempo zero, conforme protocolo institucional. Durante o atendimento, foram realizados todos os procedimentos indicados ao quadro clínico apresentado e, após avaliação médica criteriosa, o profissional assistente registrou o caso no Sistema de Regulação Municipal, solicitando vaga de UTI diante da gravidade observada, em conformidade com o fluxo estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde. Após análise do prontuário, verificou-se que todas as condutas médicas foram técnica e cientificamente embasadas, em estrita observância às diretrizes assistenciais, protocolos institucionais e literatura médica vigente. A paciente foi transferida em 08/10/2025 para hospital de segmento terciário, conforme regulação e indicação clínica. O Insaúde reforça, por fim, que tanto a UPA Zona Noroeste quanto a UPA Central, sob sua gestão, mantêm o compromisso com a qualidade, a segurança do paciente e a continuidade do cuidado, garantindo assistência integral, técnica e humanizada aos usuários do Sistema Único de Saúde". Complexo Hospitalar dos Estivadores Em nota enviada para A Tribuna, o Complexo Hospitalar dos Estivadores lamentou "o falecimento da paciente mencionada e informa que ela foi admitida em UTI Adulto do Complexo Hospitalar dos Estivadores às 14h07m, de 8 de outubro, em parada cardíaca, trazida por equipe de transporte inter-hospitalar. Após o atendimento realizado no interior do hospital, a paciente apresentou retorno da circulação espontânea, seguida de novo quadro de instabilidade, evoluindo a óbito 98 minutos depois da sua chegada". Ainda segundo a unidade de saúde, "o atendimento hospitalar ocorreu de forma integral, de acordo com as melhores práticas, com o empenho de equipes especializadas e de recursos necessários. Os familiares, com os quais nos solidarizamos, foram acolhidos e informados sobre as condições do caso. Todos os óbitos ocorridos no hospital são investigados pela Comissão de Óbito. O Hospital segue à disposição dos familiares e da Secretaria de Saúde de Santos para quaisquer outros esclarecimentos".