Ataque aconteceu na Rua Minas Gerais; segundo a vítima, pelo menos outras duas mulheres já foram atacadas pelo mesmo animal na região (Vanessa Rodrigues/ AT e Reprodução/ Redes sociais) Uma moradora do Embaré, em Santos, no litoral de São Paulo, foi atacada por um gavião enquanto caminhava pelas ruas do Boqueirão. O ataque ocorreu na esquina das ruas Minas Gerais e Washington Luiz, e deixou a mulher com um corte na cabeça. Segundo ela, que preferiu não ser identificada, outras duas mulheres da mesma região também já teriam sido bicadas pelo mesmo animal. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu na tarde da quinta-feira passada (3). A moradora, de 39 anos, contou para A Tribuna que caminhava pela Rua Pedro de Toledo em direção à Tolentino Filgueiras, quando decidiu seguir pelo interior do bairro, porque não queria ir pela orla. Ao atravessar a Rua Minas Gerais, sentiu um forte impacto na cabeça. “Foi como se um cano pesado tivesse batido na minha cabeça. Ouvi o barulho, senti uma tontura e uma dor aguda. Fiquei desnorteada na hora”, relatou. Sem entender de imediato o que tinha acontecido, a mulher foi avisada por um rapaz que passava pelo local de que havia sido atacada por um gavião. Uma mulher também parou para ajudá-la e verificou que havia um corte sangrando na cabeça, de aproximadamente um centímetro. A munícipe foi levada até um salão de beleza próximo, onde recebeu os primeiros socorros e lavou o ferimento. Ela procurou, em seguida, a Policlínica do Embaré, onde foi orientada a tomar a vacina antitetânica, já que a ave não é transmissora de raiva. “A enfermeira me tranquilizou dizendo que a antitetânica já era suficiente”, contou. Ainda segundo a vítima, pelo menos outras duas mulheres já foram atacadas pelo mesmo animal na região. Uma delas é recepcionista do salão que a socorreu. No momento do socorro, a moradora ainda avistou o gavião pousado tranquilamente em um poste, observando a movimentação. Com tudo que a mulher se lembrava, ela decidiu pesquisar imagens na internet para identificar a espécie e concluiu que se tratava de um gavião-asa-de-telha. A munícipe disse que o corte já está cicatrizado, mas que ainda sente leve dor ao tocar o local. Por cautela, ela evita caminhar novamente pela mesma rua. “Só quero que algo seja feito para evitar que outras pessoas passem por isso”, concluiu. Visão de biólogo Segundo o biólogo Eric Comin, o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) teria apresentado comportamento que pode estar relacionado à defesa de um ninho. “É uma espécie relativamente grande, com envergadura de até 1,20 metro, e que se adaptou bem ao ambiente urbano. Com a diminuição de áreas naturais, eles passaram a fazer ninhos em árvores de rua, postes ou até em prédios. Não é uma ave migratória, então costuma permanecer no mesmo território”, explicou. O especialista destacou que o gavião é bastante territorial e defende ativamente o ninho, especialmente durante o período reprodutivo. “Provavelmente havia um ninho próximo, e ele interpretou a pessoa como uma ameaça. Não é um animal agressivo sem motivo, ele só está defendendo o espaço e os filhotes”, disse. O gavião-asa-de-telha é muito comum no Brasil, pode aparecer no litoral de São Paulo e em outros países da América do Sul. Ele se alimenta principalmente de pequenas aves, roedores, insetos e lagartos, ajudando a controlar essas populações nas cidades. “Não é o vilão da história — ele cumpre um papel ecológico importante”, completou o biólogo. A Prefeitura de Santos informou que não foi notificada recentemente sobre ataque de gavião. Quando há registro, a Guarda Municipal Ambiental e a Polícia Ambiental são acionadas para avaliar o animal e o ambiente e, se houver necessidade, encaminhá-lo para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (Cetras), do Orquidário Municipal (José Menino). A Polícia Militar Ambiental e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também foram procurados, mas não se posicionaram até a publicação desta reportagem.