Casos de ataques de gaviões vêm sendo relatados na região do Canal 3, em Santos (Reprodução) Moradores de Santos, no litoral de São Paulo, têm relatado ataques de gaviões na região do Canal 3, no bairro Boqueirão, nos últimos meses. Na sexta-feira (17), uma mulher de 45 anos foi atacada por um gavião na esquina da Rua Minas Gerais com a Avenida Washington Luís – mesmo ponto em que o marido dela havia sido atingido anteriormente por uma ave da mesma espécie. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ela levou um corte na cabeça, suficiente para assustar. O mais curioso é que, no mesmo lugar, eu também fui atacado. Agora, a gente evita passar por ali, porque temos uma filha pequena e ficamos com medo”, conta o marido, que preferiu não ser identificado. O caso desta moradora ocorreu três dias antes de episódio semelhante. Na segunda-feira (20), o estudante Rafael Fernandes Martinez, de 17 anos, foi atingido por um gavião enquanto seguia para a escola, na Avenida Washington Luís. “Senti uma pancada forte na cabeça. No início, achei que alguém tivesse jogado algo em mim. Depois, percebi que era um gavião”, relatou o jovem, que precisou tomar vacina antitetânica na Policlínica do Gonzaga. Ataques têm explicação Apesar de os gaviões causarem susto e, em alguns casos, ferimentos geralmente leves, o biólogo Eric Comin explica que o comportamento das aves tem explicação. De acordo com ele, a maioria dos ataques ocorre quando os gaviões estão protegendo os ninhos ou os filhotes. “Eles acontecem porque o gavião vê a pessoa como uma ameaça”, explica, destacando que, estatisticamente, o número de incidentes é considerado baixo. Comin destaca que as podas de árvores nesta época do ano – quando as aves estão em fase de reprodução – também interferem nesse processo. “Na primavera e no início do verão, muitas espécies fazem ninhos e os gaviões procuram lugares mais altos”, diz. “Não que elas (as podas) influenciem o ataque, mas você tira o espaço onde esses animais podem fazer ninhos, onde eles podem também se alimentar”, comenta. Ainda segundo o biólogo, a poda reduz sombras e as aves ficam estressadas por conta do barulho. Orientações Para evitar situações de risco, Comin sugere medidas simples: “Se houver ninho próximo, o ideal é evitar a área”. No entanto, caso seja necessário passar perto, ele recomenda proteger a cabeça e o pescoço. “Usar uma mochila ou algo similar, um boné, um chapéu”, aconselha. Segundo o biólogo, é “raro” que gaviões transmitam alguma doença e, apesar do susto, os ferimentos causados geralmente são superficiais. Mas ele orienta que, em caso de incidente, a vítima procure atendimento médico para limpeza e avaliação de necessidade (ou não) de tomar vacina. Papel ecológico essencial Ainda de acordo com Comin, a presença dos gaviões em áreas urbanas é resultado direto da transformação ambiental. “Esses animais estão cada vez mais indo para os centros urbanos. E, de certa forma, isso é positivo, porque eles ajudam a controlar pragas como pombos e roedores, que transmitem doenças e fazem sujeira. Ou seja, você tem o controle natural”, conclui.