Mesmo após perder a visão, jovem realiza o sonho de ser bailarina

Vítima do diabetes aos 21, Verena de Lima Amaral divide seu tempo atualmente entre o trabalho e a dança

Por: Sheila Almeida  -  03/12/18  -  15:05

Quem também descobriu que limitação não é limite foi Verena de Lima Amaral, de 28 anos. A estudante de Jornalismo e telefonista no Lar das Moças Cegas de Santos perdeu a visão total aos 21, em decorrência do diabetes. Depois disso, passou a realizar mais atividades que antes. Há três meses realizou o sonho de fazer balé. Precisou saber que enxergar diferente pode ser mais importante que apenas ver o que estava na sua frente.


“Desde que me entendo por gente eu sempre tive vontade de fazer balé, mas achava uma coisa tão bonita que eu não me sentia digna, pensava que não era capaz. De dois anos para cá, depois de já cega mas segura com a minha locomoção, decidi ir atrás desse sonho”, conta ela, que teve dificuldades já que precisaria de professora particular.


“Falei tanto para tanta gente que um amigo fez o contato com a Maria Lisboa, minha professora”, conta a aluna que após as aulas troca de roupa e de ônibus, segue ao trabalho e ainda divide o tempo com a musculação e a faculdade. Na primeira aula voltei de ônibus, emocionada. Sentei na cadeira e chorei, pensando em tudo o que passou, tudo o que eu não tinha realizado e desde aquele eu estava dando início”.


Verena perdeu a visão, mas não desistiu de seu objetivo: ser bailarina
Verena perdeu a visão, mas não desistiu de seu objetivo: ser bailarina   Foto: Beatriz Rosa/Divulgação

Mudança de concepção


“Antes, quando eu observava um cego, surdo ou um cadeirante achava muito triste. Tinha a imagem apenas das dificuldades. Não fazia perguntas por medo de constranger as pessoas. Hoje, em todo ponto de ônibus respondo de tudo. Quero que percam esse estigma de que é tudo ruim”, conta.


Ela aproveita para ensinar que a pessoa com deficiência (PcD) visual ouve bem. Então, não é preciso gritar ao se aproximar. E, para ajudar, basta perguntar se é preciso ajuda. Estender o braço para a pessoa pegar também é correto em vez de puxar alguém para atravessar a rua. E o mais importante, segundo ela, é conversar com naturalidade.


“As pessoas se omitem. Deficiência física ou intelectual não é traço de personalidade. Dentro daquela condição física existe um ser humano com frustrações, expectativas, sonhos, inteligências, defeitos e qualidades. Não é preciso compaixão. A capacidade de ser feliz está dentro de cada ser humano”, lembra ela.


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