Mãe relata humilhação em Santos ao subir com a filha cadeirante de seis anos em ônibus

Kátia Marina conta que quando o equipamento quebrou, os passageiros culparam ela e a filha Nicoly, de 6 anos, que tem paralisia cerebral e faz uso de uma cadeira de rodas

Ainda que os direitos das pessoas com deficiência estejam garantidos por lei, muitas vivem a constante luta pelo exercício desses direitos. Kátia Marina Cardoso, de 24 anos, teve que vivenciar mais uma dessas lutas nesta semana. A filha Nicoly, de seis anos, que faz uso de uma cadeira de rodas, precisou usar o elevador do ônibus, que se quebrou durante a operação. O problema revoltou Kátia, que ainda foi maltratada pela maioria dos passageiros do transporte.  

O relato foi feito em uma rede social da jovem após a situação, que ocorreu na última terça-feira (13). Kátia conta que leva Nicoly duas vezes por semana para o tratamento em uma unidade da Rede Lucy Montouro, no bairro do Embaré, em Santos. Na terça-feira, após o tratamento, ela tentou chamar um carro por aplicativo para voltar para casa, no bairro Vila Margarida, em São Vicente, mas por conta do alto preço decidiu pegar o ônibus na avenida da praia.

Ainda segundo Kátia, muitos dos transtornos já começam antes mesmo de subir no transporte, já que alguns motoristas deixam de parar no ponto. Depois de obter ajuda de uma outra passageira, que fez sinal avisando que o motorista precisaria descer o elevador, a situação se agravou.

Ela conta que depois de subir com a filha pelo elevador, o sistema travou, gerando revolta nos passageiros do ônibus, que fizeram comentários maldosos “Tinha gente que culpava o motorista e tinha gente que culpava a gente”, diz.

Como o equipamento ficou emperrado, todos foram obrigados a pegar outro ônibus. Já muito nervosa com a situação, Kátia relata que conseguiu se acalmar ao pegar o ônibus seguinte sem transtornos. Porém, ela se preocupa que a situação se repita outras vezes, pois os problemas com os elevadores pioraram quando os ônibus foram trocados.

“Eu gostaria de dizer para as pessoas, cadeirantes ou não, que não deixem de lutar pelos seus direitos. A gente luta tanto pelas inclusões, mas a sociedade ainda limita essas pessoas. A gente fala tanto de empatia e de amor ao próximo, mas no dia a dia é diferente”, desabafa Kátia.

 

Manutenção da frota  

A BR Mobilidade será notificada a seguir rigorosamente os procedimentos de testagem dos elevadores dos ônibus antes do início da viagem.

A EMTU verificará o equipamento na frota que atende a linha 942 e, em caso de mau funcionamento, o ônibus ficará retido até o conserto.

Nas inspeções regulares realizadas nas garagens das operadoras, a manutenção dos elevadores também é conferida. O prazo para solução em caso de irregularidade é de sete dias, sob risco de multa contra o Consórcio caso não seja cumprido.

Os passageiros que notarem que o elevador do ônibus está inoperante podem registrar o problema nas redes sociais da EMTU/SP, como Twitter e Instagram, ou no site www.emtu.sp.gov.br, informando o número do coletivo.

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