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Segunda-feira

19 de Agosto de 2019

Mãe cria vaquinha para comprar prótese para filha com perna amputada

Maria Clara Hernandez, de 4 anos, nasceu com má formação óssea na perna e nas mãos, além de um tumor no nariz; prótese está avaliada em R$ 14 mil

Os primeiros passos de Maria Clara Hernandez, de 4 anos, foram diferentes das demais crianças. Com uma má formação óssea, a menina nasceu com dois ossos do joelho e a ausência de um dos ossos da perna, que foi amputada quando tinha apenas 1 ano. A prótese ortopédica virou sua principal aliada para uma infância como as demais crianças. No entanto, o alto custo do dispositivo fez com que sua mãe criasse uma vaquinha virtual para pagar o tratamento, avaliado em R$ 14 mil.

Moradora de Santos, Nineea Hernandez, de 25 anos, conta que a deficiência física da filha só foi descoberta após o parto. Maria Clara nasceu prematura e com uma anomalia genética chamada himemelia tibial – quando uma pessoa nasce sem o osso da tíbia. “Fiz vários ultrassons durante o pré-natal, mas nenhum deles apontou esse problema. Só descobrimos quando ela nasceu”, lembra.

Além da ausência deste osso, a criança também apresentava problemas na fíbula, uma patela a mais no joelho, além da ausência das falanges distais - conhecidas como pontas dos dedos - impedindo que tenha unhas em ambas as mãos, com exceção dos dedões. “Ela passou pela amputação quando tinha 1 ano. No mesmo dia, o médico corrigiu a patela lateral e foi retirado um tumor que havia nascido em seu nariz”, comenta.

Menina nasceu sem o osso da tíbia e uma patela extra na perna que foi amputada (Foto: Arquivo Pessoal/Nineea Hernandez)

Desde então, a prótese ortopédica virou a melhor amiga da menina. Ela aprendeu a andar com o equipamento na fisioterapia, com o apoio de um andador. “Ela se adaptou superbem. A primeira coisa que fez foi chutar uma bola, e saiu da clínica já andando. Hoje, ela corre, brinca e até sobe nas coisas”, conta.

Maria Clara encara a deficiência com tranquilidade. Frequentando creches e ‘escolinhas’ desde os 6 meses, Nineea enxerga que conversar foi fundamental para que ela entendesse sua condição. “Para ela, é muito natural. Explico que ela nasceu com um ‘dodói’. Quando crianças e adultos perguntam, ela já consegue responder com o jeitinho dela sobre a deficiência”, comenta.

O tratamento ortopédico é feito em uma clínica particular em Sorocaba, que fabrica a prótese infantil. A funcionária pública explica que tentou conseguir o dispositivo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas que o material de qualidade inferior é incômodo e não permitiria que a adaptação de sua filha fosse tão rápida.  Hoje, ela enfrenta um processo no Ministério Público para conseguir custear os gastos.

“É um tratamento caro, então é muito difícil. A prótese precisa de ajustes trimestrais, e como minha filha está em fase de crescimento, precisa ser trocada uma vez ao ano. Ela tem um material especial para que não a machuque no dia a dia”, esclarece.

O preço vai aumentando conforme Maria Clara cresce. Sua primeira prótese foi comprada em 2017 e custou R$ 5 mil. Mesmo com descontos por ser a criança mais nova da clínica, o preço da perna mecânica está avaliado agora em R$ 14 mil. A nova prótese será comprada em outubro, e as doações podem ser feitas pela internet e depósito bancário.

Maria Clara aprendeu a andar com a prótese e tem mobilidade normal (Foto: Arquivo Pessoal/Nineea Hernandez)