Vítima teve cortes no pescoço e ferimentos pelo corpo por conta do acidente envolvendo a linha cortante de pipa na orla de Santos (Arquivo pessoal) Uma mulher de 51 anos precisou se jogar da motocicleta após ser atingida por uma linha de pipa enquanto trafegava pela avenida da praia, na orla de Santos, no litoral de São Paulo. O acidente ocorreu no início da tarde de 28 de dezembro e, por pouco, não terminou em tragédia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A vítima, a securitária Alessandra Campos, relatou à reportagem de A Tribuna que sofreu fraturas em duas costelas, além de diversos ferimentos pelo corpo. O corte mais grave atingiu a região do pescoço, próximo à jugular. “Eu não tinha outra alternativa. Ou eu me jogava da moto, ou eu seria degolada”, afirma. Segundo Alessandra, ela seguia em baixa velocidade pela orla, no sentido do Canal 5, onde encontraria a filha. Ao arrancar no semáforo logo após o Canal 3, percebeu uma linha esticada à sua frente. “Ela estava a dois palmos do meu rosto. Não estava bamba, estava esticada. Quando vi, já bateu no meu rosto e pegou no meu pescoço”, conta. Alessandra foi atendida logo após o acidente na avenida da praia de Santos (Arquivo pessoal) Ao sentir o corte, a motociclista conseguiu se apoiar na moto e se lançar para trás, enquanto o veículo seguiu em direção ao canteiro central da avenida da praia. Parte da linha ainda atingiu outros dois motociclistas que vinham logo atrás, provocando uma colisão entre eles. Com receio de ser atropelada, Alessandra tentou se levantar rapidamente, mas acabou caindo novamente. Testemunhas se aproximaram para ajudar e uma mulher tentou socorrê-la, mas, sem perceber a gravidade da situação, acabou segurando a vítima sobre o asfalto quente, o que causou queimaduras nas costas. Em seguida, Alessandra foi levada para uma área gramada, onde policiais que faziam patrulhamento e agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos) prestaram os primeiros atendimentos. Atendimento médico Alessandra foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, onde foi atendida e medicada. No entanto, decidiu voltar para casa antes de fazer mais exames. Dias depois, com dores persistentes e estalos no tórax, retornou à unidade de saúde, onde exames apontaram duas fraturas completas nas costelas. “A médica disse que não tem o que fazer, não dá para engessar. É repouso e esperar de três a quatro meses para calcificar”, explica. Além das fraturas, ela sofreu escoriações extensas nas costas, ombro, joelho e quadril, e um corte profundo no pescoço, próximo da jugular. Exames apontaram fraturas nas costelas de Alessandra pelo acidente na orla de Santos (Arquivo pessoal) Livramento Para Alessandra, o que a salvou foi, além do reflexo rápido, sua prudência no trânsito. “Eu morro de medo de acidente, então eu fico o tempo todo prestando atenção. Foi a minha sorte. E na hora também, óbvio, né, de pensar rápido e me jogar pra trás”, diz. Tentativa de homicídio De acordo com a vítima, policiais registraram a ocorrência no local, com depoimentos de testemunhas. Alessandra também entrou em contato posteriormente com a Guarda Civil Municipal (GCM). Segundo ela, um guarda teria ficado revoltado com a situação e afirmou que o caso se tratava de uma tentativa de homicídio. Limitações Mesmo com limitações físicas, Alessandra já retornou ao trabalho em escritório. Morando sozinha, ela diz sentir dificuldades para respirar e depender de ajuda para tarefas simples. “Não consigo nem pentear o meu cabelo”, diz. Posicionamento A Prefeitura de Santos, em nota, informou que a Guarda Civil Municipal (GCM) esteve no local e prestou todo o apoio à vítima, inclusive reforçando ação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No local, foi verificado que a linha estava solta em uma árvore, não sendo possível identificar o responsável pelo seu uso. "O Samu foi acionado, mas posteriormente o chamado foi cancelado, pois a vítima seguiu para atendimento por meios próprios. A ocorrência foi atendida pela Polícia Militar". Ainda segundo a Administração Municipal, "é importante destacar que há ações para o cumprimento da Lei Estadual 17.201/2019, que proíbe o uso, a posse, a fabricação e a comercialização de linhas com cerol, bem como a importação da linha chinesa ou indonésia. As ações são tanto sobre comércios, para conscientizar e fiscalizá-los, quanto preventivas da GCM, durante as rondas diuturnas em todos os bairros da cidade". Na praia, a GCM utiliza quadriciclos para patrulhamento em toda extensão de areia. "Seja na orla ou nos bairros de Santos, quando alguém é visualizado empinando pipa, é feita vistoria para verificar se há linha com cerol. Havendo a confirmação, ocorre a apreensão". Além disso, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) realiza projeto educativo sobre o uso consciente de pipas, por meio de parceria com a CPFL Energia, Polícia Militar, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Samu e Ecofábrica. A iniciativa, realizada há mais de 10 anos, promove ações com os alunos da rede municipal, que se tornam multiplicadores. "A edição de 2025 beneficiou mais de 7 mil alunos, com palestras de conscientização e simulações com a presença de técnicos das instituições parceiras. O projeto está alinhado com as legislações que dispõem sobre a proibição do uso do cerol e materiais cortantes nas linhas das pipas". A multa é de R\$ 1.630,00 para quem faz o uso irregular das pipas. Denúncias sobre o uso de cerol ou comércio irregular podem ser feitas pelo 153, da GCM, ou 190, da Polícia Militar.