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Sexta-feira

7 de Agosto de 2020

Limpeza de vias para combate à Covid-19 pode desencadear reação em animais

Mutirões de limpeza de ruas e equipamentos públicos e alta concentração de material químico são apontados como suspeitas de intoxicação em pets de Santos

Os mutirões de limpeza de vias para enfrentar o novo coronavírus pode ser um dos motivos para intoxicação de animais domésticos. Assim suspeitam donos de pet e veterinários de Santos. Em apenas uma clínica da Cidade, mais de seis casos de eventual reação alérgica por reação de produtos químicos para a higienização as ruas foram registrados no dia seguinte à passagem das equipes. 

Apesar de todos os casos terem situações parecidas, especialistas ouvidos por ATribuna.com.br destacam falta de evidências para cravar uma relação de causa e efeitos pelas ações de limpeza das calçadas e mobiliários urbanos, feito pela Prefeitura. Contudo, pelo fato de os animais terem maior sensibilidade no olfato, a alta concentração de produtos químicos pode ser um dos itens a contribuir aos sintomas de intoxicação. 

O jornalista Guilherme Zeinum passou por essa situação. Ele estranhou quando o seu coelho de estimação começou a apresentar alguma anormalidade. “Com espasmos, cabeça e olhos com movimentos desconexos e descontrolados. E parou de ficar em pé, sem equilíbrio. Percebi que tinha alguma coisa errada e comecei a procurar por um especialista em animais exóticos”, recorda. 

Em uma clínica de Santos, o veterinário perguntou se a via onde ele reside foi algo de ação de limpeza. “Ele me disse já era o quinto ou sexto bicho que atenderam na mesma situação. Todos os tutores confirmaram que (a limpeza) havia passado na noite anterior, com a aplicação de produtos químicos por causa do coronavírus”. 

Zeinum explica que o coelho recebeu soro e foi medicado com  antinflamatório.  “Ele continua igual, fica só deitado, mas pelo menos conseguiu comer escarola batida no liquidificador com água”. 

O veterinário Eduardo Fillet explica que os pets possuem maior capacidade olfativa até quatro vezes superior ao dos humanos. E, a alta concentração de produtos químicos usados nas limpezas, pode desencadear sintomas de intoxicação. 

“Isso pode ocorrer em casa, já que as pessoas estão usando mais e com maior frequência material de limpeza. E também com mais concentração desses produtos. Como os animais ficam próximos ao chão, os produtos químicos podem gera intoxicação”, diz.

Ele acrescenta que o estresse e a alimentação desregrada, por conta da pandemia, podem ser outros agravantes. Entretanto, aponta a necessidade de estudos específicos e análise dos casos a fim de traçar uma relação de causa e efeitos.

Prefeitura  

Em nota, a Secretaria de Serviços Públicos (Seserp), responsável pelo serviço de limpeza e desinfecção das vias, afirma não ter registro de qualquer problema causado aos pets após a passagem da ação nas vias de Santos. 

A pasta explica que, para o serviço, é utilizado uma solução de desinfetante a base de quaternário de amônia (princípio ativo principal da maioria dos desinfetantes domésticos) e detergente neutro. “Esses mesmos produtos já eram utilizados para limpar e desinfectar os locais onde acontecem as feiras-livres e onde há grande circulação de pessoas, como praças, boulevares e quiosques da praia”, continua.  

Em combate à Covid-19, o serviço foi ampliado para toda a cidade. Em abril, foi utilizado tratores com pulverizadores acoplados. Nessa ocasião, de acordo com a Seserp, também foi utilizado o hipoclorito de sódio diluído em água. Hoje em dia, é utilizado apenas desinfetante e detergente neutro, diluídos em água.  

A pasta ressalta que já foi realizado o serviço de desinfecção em todos os bairros da cidade e Morros e, recentemente, foi efetuada a desinfecção das instalações da Codevida (local que abriga animais abandonados na Cidade).

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