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Terça-feira

14 de Julho de 2020

Interdição na lateral do Coliseu completa dois anos sem ser resolvida

Novo prazo para fim do restauro é março de 2019; queda de parte da fachada ocorreu em 2016

A obra que está há mais tempo em cartaz no Teatro Coliseu, em Santos, é justamente a restauração da fachada e os demais reparos no imóvel - referência de cultura na Baixada Santista. Este mês, a interdição na lateral do prédio histórico, na Rua Braz Cubas, completou dois anos. Os trabalhos que, após muitas promessas, eram esperados até dezembro mais uma vez serão adiados. A expectativa é de que eles comecem até março de 2019. 

O serviço será licitado por R$ 6,31 milhões e pago com verba do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), do Governo do Estado. No entanto, apesar de o investimento ter sido aprovado, o convênio ainda não foi assinado. 

Em novembro de 2016, parte da fachada do teatro caiu na calçada e, desde então, todo aquele passeio de pedestres está bloqueado. Além de não poder passar pelo local, uma munícipe relata constantes quedas de concreto. 

“Há um mês tinha caído uma parte (da parede) e, no último sábado, mais um pedaço grande caiu na calçada. Pode pegar em alguém ou em algum veículo”, diz a caixa Gilmara Torres, que reclama do tempo de interdição e dos transtornos à população. 

Segundo a arquiteta e chefe do Departamento de Planejamento e Execução de Obras de Santos, Maria Valéria Affonso, toda a parte burocrática para o encaminhamento dos trabalhos já está adiantada, com os detalhes sobre o projeto de reforma, inclusive, já tendo sido apresentados aos órgãos competentes que, em breve, devem permitir as intervenções. 

“Precisamos da aprovação do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa)”. 

Interdição da calçada lateral ao Coliseu prejudica tráfego de pedestres (Foto: Rogério Soares)

O edital para a contratação da empresa que ficará responsável pelas obras, de acordo com Maria Valéria, também deve ser lançado nos próximos dias e, a partir da publicação, são pelo menos três meses para que seja conhecida a vencedora do certame. 

“Esse prazo pode demorar mais, depende das empresas que participarem. Elas podem ter problemas e entrar com questionamentos. É difícil estipular uma data”. 

Os dois anos de interdição causam revolta, mas também um conformismo da aposentada Cleia Floriano da Silva. Moradora do Morro do Pacheco, em Santos, ela costuma passar pelo local e diz que, assim como o Coliseu, outros pontos da Cidade estão largados. “É assim no local onde moro também. O teatro deveria ser mais conservado. É um patrimônio público”. 

Prédio histórico 

A arquiteta da Prefeitura relata que o processo para avaliar todos os detalhes dos serviços que precisam ser feitos leva tempo. O planejamento começou em 2017 e foi finalizado em julho. “É um trabalho extremamente delicado, onde analisamos detalhe por detalhe da fachada para conseguir um valor e fazer a previsão de orçamento”.

Outra situação que atrapalhou o andamento das documentações foi o período eleitoral que, segundo ela, interferiu no tempo de autorização e da assinatura da verba Dadetur - já aprovada. 
Ainda de acordo com Maria Valéria, o prédio histórico (construído em 1897) não foi projetado para a realidade urbanística da Cidade nos dias de hoje. “Na região tem muita poluição, passam ônibus, caminhões e tudo isso mexe com a estrutura”. 

Questionada sobre o valor da licitação (R$ 6,31 milhões) ela disse que serão muitas as intervenções, como: a troca de três tipos de telhados, manutenção de 5 mil m² de fachada, troca da calçada e da parte elétrica, iluminação cênica de LED, novos para-raios, fachada do prédio anexo, limpeza, renovação da estrutura metálica, impermeabilizações e troca do piso do palco. 

Apesar disso, o valor não soa bem aos ouvidos do despachante aduaneiro Francisco Carlos. “Nosso País é muito rico, mas o dinheiro é mal gerido”. Ele recorda que já foram gastos mais de R$ 20 milhões em reformas no Teatro Coliseu (entregue em definitivo em 2006) e critica os novos gastos. 

“É reflexo de más gestões e falta de respeito ao contribuinte. Seria melhor transferir a administração para um particular (privatizar). O espaço seria melhor aproveitado”.

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