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Segunda-feira

18 de Novembro de 2019

Instalação de torres na Zona Noroeste de Santos avança e causa medo

Moradores dos bairros Saboó e Chico de Paula reclamam de megapostes e cobram autoridades

Todo mundo sabe que obras trazem transtornos para depois apresentar as melhorias. Mas os moradores dos bairros Saboó e Chico de Paula, em Santos, não estão muito convencidos de que os trabalhos na Entrada da cidade representarão benefícios reais à comunidade.

O principal medo de quem mora por ali já começa a tomar forma: as torres de transmissão de energia que serão erguidas em breve nas ruas Iguape e São Vicente, devido ao viaduto que será instalado no local. Os megapostes levam fios de alta tensão, por onde passa uma força de 138 mil volts.

“No cais, onde temos esses mesmos postes, a área é cercada e nem caminhão pode parar embaixo. Como é que aqui, em calçadas com vários idosos e crianças andando, instalam uma coisa dessas”, queixa-se o aposentado Antonio Jorge Gomes dos Ramos, de 68 anos.

O aposentado João Inocêncio Correia de Freitas, de 72 anos, está há quase dois anos cobrando posição dos órgãos públicos e acompanha também um inquérito civil que o Ministério Público de São Paulo abriu para apurar a situação.

“O Gaema [Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente] recomendou não darem início à obra enquanto a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] não se manifestar sobre o caso. Não aceitaram isso e estão fazendo tudo correndo”.

Por conta do poste que será instalado na esquina da Avenida Nossa Senhora de Fátima com a Rua Iguape, o caminhoneiro José Ferreira, de 51 anos, vai ser obrigado a reformar a entrada do terreno que usa para estacionar seu caminhão.

“Como essa torre bem na esquina, rente ao meio-fio, fica impossível manobrar para entrar aqui. Vou ter que mudar o portão de lugar. Dizem que estão fazendo obras para melhorar o bairro, mas os beneficiados são de fora. Quem mora aqui só terá prejuízo”.

Outra dúvida dos moradores é quanto à torre que será instalada na esquina das ruas Iguape e São Vicente. “Estão fazendo a instalação no leito carroçável e não falam se vão estreitar ou fechar a rua”, questiona a cozinheira Maria Agda Calcanti, de 61 anos.

Órgãos públicos garantem o serviço

A Prefeitura de Santos diz que os megapostes têm aprovação da concessionária de energia elétrica CPFL Piratininga e o Gaema teria questionado a Aneel para posicionamento técnico, “independentemente da regularidade já discutida frente normas técnicas e questões já respondidas de saúde e segurança”.

Quanto aos postes que estão sendo instalados nas pistas das ruas dos dois bairros, a administração municipal lembra que o serviço é realizado em baias externas de pisos anexos às calçadas para garantir a acessibilidade. Sobre a entrada de caminhão no terreno da Rua Iguape, a prefeitura diz que o caso será avaliado pela fiscalização.

Por nota, a CPFL garante que segue a orientação do MPE em relação à não instalação das torres de transmissão até que a Aneel se posicione a respeito das obras no Saboó.

De acordo com a concessionária, os serviços executados são os de construção de fundações, de responsabilidade da prefeitura. A empresa afirma que o novo traçado obedece as normas atuais e foi aprovado pelos órgãos públicos.

“Por se tratar de linhas de transmissão compacta, mais seguras e robustas, a necessidade de reserva de espaço como área de servidão para as torres é menor do que a requisitada para a tecnologia tradicional”, justifica a CPFL.

Até a tarde desta terça-feira (25), o MPE não havia recebido nenhum parecer da Aneel. O Gaema deve se reunir com moradores da região para tratar dos problemas das obras da entrada da cidade no dia 3. Procurada, a Aneel não respondeu até a publicação desta matéria.

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