Cenário de 2023 se repetiu este ano (Reprodução e Vanessa Rodrigues/AT) Um incêndio de grandes proporções destruiu dezenas de casas em palafitas no Caminho São Sebastião, na Zona Noroeste de Santos, deixando centenas de pessoas desabrigadas na manhã da última sexta-feira (1º). No entanto, essa não foi a primeira vez que o fogo foi problema na região. Entenda os motivos da recorrência e relembre outros casos mais abaixo. De acordo com o diretor da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, não foi possível confirmar a causa do incêndio ocorrido na manhã de sexta (1º). Porém, há suspeitas de curto-circuito ou uso inadequado de fontes de calor, como fogões. Segundo Onias, o material das casas facilita a propagação do fogo. Ele explica que as moradias são muito próximas e feitas de madeira, sobre palafitas. “O fogo se alastra rápido. E o combate também é difícil”. O capitão Thiago Duarte, do Corpo de Bombeiros, também destacou a dificuldade no acesso à área, pois os becos são estreitos, as casas são próximas umas às outras e o material das moradias — madeira, especialmente — é altamente inflamável. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Outros incêndios 2010 No dia 10 de maio, a comunidade da Vila Telma foi atingida por um incêndio que teve duração de cerca de quatro horas e atingiu 125 moradias, afetando diretamente 441 pessoas. 2014 Um incêndio no Caminho São Sebastião deixou 69 famílias desabrigadas no dia 7 de abril. Segundo informações do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, mais de 100 barracos ficaram destruídos pelo fogo. 2015 No final da manhã do dia 1º de maio, um incêndio atingiu cerca de 150 barracos na comunidade Mangue Seco. Dezenas de famílias ficaram desabrigadas e três pessoas foram socorridas. Na época, segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo começou por volta das 10h30 por conta de um curto circuito em uma das residências. Na manhã do dia 11 de junho, um incêndio atingiu dezenas de moradias no final da avenida Jovino de Melo. De acordo com a Prefeitura, quatro pessoas foram atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAmu) no local do incêndio, enquanto famílias perderam casas e todos os pertences. Em agosto, outro incêndio na noite do dia 21 deixou pelo menos 150 famílias desabrigadas na comunidade no Caminho São José. Segundo a Prefeitura, 13 pessoas foram socorridas, mas ninguém ficou ferido. Muitos barracos foram derrubados para evitar que o incêndio se alastrasse. 2017 Um incêndio atingiu dezenas de barracos no Caminho São Sebastião no início da noite do dia 2 de janeiro. Segundos os bombeiros, o fogo destruiu pelo menos 30 barracos. Não houve registro de vítimas graves. 2020 Em abril de 2020, um incêndio na madrugada do dia 20 destruiu, pelo menos, 60 barracos no Caminho da Divisa. Na ocasião, uma pessoa passou mal e precisou ser socorrida. De acordo com a Prefeitura, os barracos atingidos estavam entre os becos 22 e 40. 2023 Entre a noite do dia 4 e a madrugada do dia 5 de setembro, 150 moradias foram consumidas pelas chamas no Caminho São José, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Ao todo, 452 famílias foram cadastradas pela Prefeitura após perderem suas moradias. Foram socorridas 15 pessoas, que inalaram fumaça no local. Veja como ajudar Enquanto a cidade ainda contabiliza os prejuízos e os moradores tentam juntar os cacos, uma rede de solidariedade começa a se formar. Se você puder ajudar, há diferentes formas de contribuir com doações ou apoio direto às famílias atingidas pelo incêndio da última sexta-feira (1º), no Caminho São Sebastião. Locais para entrega de doações A população pode doar alimentos não perecíveis, roupas, itens de higiene pessoal, cobertores, calçados, colchões e água potável. Os pontos oficiais de arrecadação são: Fundo Social de Solidariedade (FSS) de Santos: Avenida Conselheiro Nébias, 388 – Encruzilhada. Segunda a sexta, das 9h às 17h. Centro Esportivo da Zona Noroeste (antigo Dale Coutinho): Rua Fausto Felício Brusarosco, s/nº – Castelo. Aberto em tempo integral para recebimento de doações e acolhimento emergencial. Além disso, voluntários estão organizando entregas diretamente nas áreas afetadas, mas recomenda-se centralizar a ajuda nos pontos oficiais para garantir a distribuição justa. Acolhimento emergencial Cerca de 25 pessoas já aceitaram o acolhimento provisório no Complexo Esportivo da Zona Noroeste, onde estão recebendo apoio psicológico e assistência emergencial. No local, o restaurante Bom Prato da Vila Gilda está fornecendo 500 refeições diárias para atender os desabrigados. Auxílio imediato e triagem social A Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), realiza a triagem das famílias no CRAS Rádio Clube na Rua Brigadeiro Faria Lima, s/nº, onde 81 famílias já foram atendidas e seis solicitaram acolhimento emergencial. O espaço da UME Pedro Crescenti, também na Avenida Brigadeiro Faria Lima, está de sobreaviso para servir como ponto extra de acolhimento, caso haja necessidade. Apoio do Governo do Estado A Defesa Civil do Estado de São Paulo está providenciando colchões e cobertores para as famílias atingidas. Já o Centro da Juventude está prestando suporte psicológico e emergencial às vítimas, em parceria com as equipes municipais. Auxílio aluguel para recomeçar A Prefeitura de Santos anunciou que as famílias afetadas poderão solicitar o auxílio-aluguel no valor de R\$ 1 mil, como forma de garantir abrigo temporário enquanto medidas mais definitivas são providenciadas. Os critérios para o benefício estão sendo definidos pela Seds. O que doar? Alimentos não perecíveis (arroz, feijão, macarrão, leite em pó, óleo) Roupas em bom estado (inclusive infantis) Itens de higiene pessoal (sabonete, escova e pasta de dentes, absorventes, fraldas) Colchões, lençóis e cobertores Água potável Utensílios domésticos e panelas Além das doações físicas, é possível ajudar divulgando as informações e incentivando outras pessoas a colaborarem. A empatia e o engajamento da comunidade podem fazer a diferença no recomeço de quem perdeu tudo.