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Sábado

15 de Dezembro de 2018

Início da construção de muro de cemitério gera desconfiança em Santos

Administração garante que a vencedora da licitação iniciará trabalhos no Cemitério da Areia Branca tempo previsto

Restam 15 dias para as obras no Cemitério da Areia Branca, na Zona Noroeste, em Santos, começarem. No dia 20 de novembro, duas partes do muro na Rua Tomoichi Kobuchi desabaram, o que expôs caixões e ossadas. Os pontos foram isolados por tapumes e os jazigos cobertos por uma lona preta, que já não esconde as campas. Ainda no prazo, a Prefeitura garante que a empresa vencedora da licitação vai iniciar os trabalhos no tempo previsto. Os moradores, porém, não acreditam. 

“Não creio que vão começar a arrumar nesse período (em até 15 dias), pois já tinham prometido os reparos das rachaduras e não apareceram”, disse a feirante Riquiely do Nascimento de Santana.

Ao custo de R$ 592.030,88, a empresa Engeterpa, vai construir 460 metros de muro com 20 centímetros de espessura e 4 metros de altura, nas ruas Vereador Remo Petrarchi e Tomoichi Kobuchi.

Ainda serão instalados arames farpados, um portão de aço de 14 m² e a calçada será reconstruída. O serviço será finalizado com reboco e pintura.

A população podia não saber de todas essas necessidades, mas alguns residentes apontam que o risco de queda do muro não era novidade.

Pela rua 

Enquanto as obras não começam, os pedestres optam entre transitar pela calçada ou pela rua,que tem sido comum. “Todos estão com medo de passar perto do muro, inclusive eu. Ele está torto”, disse Valda dos Santos, cuidadora de idosos.

De acordo com Maria dos Santos, que há 20 anos é vizinha do local, os moradores não ficaram abalados com a cena dos caixões e ossadas, mas sentidos com o desrespeito do Poder Público com a comunidade e os familiares dos mortos.

Só no Dia de Finados 

Valda conta que os profissionais da Prefeitura só vão à região às vésperas do Dia de Finados. “Só vêm para limpar e pintar no feriado. No resto do ano não os vemos aqui”.

Resposta 

Em nota, a Secretaria de Serviços Públicos informa ter colocado mais tapumes do que o necessário para cobrir o trecho de queda do muro, por questão de segurança.

Sobre as rachaduras apontadas pelos moradores, a “Defesa Civil vistoriou o local” e não constatou risco eminente de colapso.