Idoso tenta há mais de seis meses marcar consultas médicas em Santos

Com problemas no coração e nas pernas, ele não consegue horário com especialistas na rede municipal

Se o um exame médico cardiológico aponta um problema, a primeira medida é procurar um especialista, o mais rápido possível. Mas o aposentado Júlio Dias Pereira Junior, 70 anos, morador do Campo Grande, em Santos, está há seis meses sem conseguir marcar consulta com um cardiologista na rede pública municipal da Cidade.  

Não é só, o idoso também tem inchaço nas pernas e já cansou de tentar um ortopedista ou iniciar fisioterapia - o sofrimento começou em abril. “Não sei o que acontece na rede pública de Santos. Ligo para o 0800, passa para vários ramais e cai a ligação. Foi pedido encaminhamento para os especialistas, mas ninguém me atende”.  

Júlio conta que em março passou em um clínico geral na Policlínica do Campo Grande, que pediu exames cardiológicos e ortopédicos. Depois que conseguiu fazer, ele recebeu encaminhamento para os especialistas, em abril. Mas espera até hoje.  

“Estou com um problema no ventrículo esquerdo do coração. Também preciso fazer fisioterapia para as pernas. Estou esperando. Mas imagina as pessoas que estão em situação pior, mais grave, não dá para esperar tanto”, diz ele, que também não conseguiu pegar na rede pública dois, dos quatro remédios receitados pelo clínico geral.  

Resposta da Prefeitura 

A Prefeitura se justifica dizendo que todas as consultas e procedimentos eletivos (agendados, não urgentes) foram suspensos por quase três meses na rede municipal, a partir de 24 de março, seguindo as recomendações do Governo do Estado. “A partir de 15 de junho, as consultas e procedimentos eletivos voltaram a ser realizados gradativamente, respeitando as medidas preventivas contra a covid-19".  

A Administração Municipal promete que as consultas médicas do aposentado serão realizadas nos dias 29 e 30 de outubro e o atendimento na Seção de Recuperação e Fisioterapia está previsto para o início de novembro. 

“A Central de Agendamentos entrará em contato para informar mais detalhes. Os agendamentos de consultas e exames especializados seguem a listagem eletrônica dos pacientes, de acordo com a gravidade do caso e a data do pedido médico”.  

A Prefeitura garante que não há falta de médicos na rede municipal. “Mesmo com a demanda reprimida durante a pandemia, atualmente 45% das consultas médicas e 86% dos exames especializados são realizados em até 30 dias a partir do pedido médico”.  

A respeito dos medicamentos que o aposentado não conseguiu, afirma que um (cumarina + troxerrutina) foi despadronizado porque o Município não consegue fornecedores no mercado, devido à falta de matéria-prima para a sua produção. Já o outro (carbonato de cálcio + vitamina D), diz que não está em falta e as unidades recebem mensalmente. 

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